terça-feira, 31 de maio de 2022

Notas roqueiras: Ratos de Porão, Fabian Steinert, Cultura em Peso...



- Os Ratos de Porão chegam no dia 19 de junho (domingo) a Curitiba para mais uma performance devastadora. O novo local do show é o Basement Cultural. A apresentação faz parte do festival Desgraça Pouca é Bobagem, que vem se consolidando como uma das referências quando o assunto é Metal e Hardcore. Farão a abertura as bandas Alucinados, Rabo de Galo, Pakidermes, Mustaphorius e Fish'n Creepers. Devido a grande procura, os ingressos estão no 3º lote, a partir de R$ 90 (meia e promocional). Uma das mais lendárias bandas brasileiras de todos os tempos, o Ratos de Porão lançou recentemente pela Shinigami Records o disco Necropolítica, título que é uma clara referência a situação política atual do Brasil, com letras escritas dentro do contexto da pandemia de covid-19 e repleto de críticas sociais afiadas. Formado em 1981, o Ratos de Porão acumula diversas turnês pelo exterior e discos que se tornaram clássicos da música pesada. A atual formação está junta há quase duas décadas, e conta com o vocalista João Gordo (vocal), Jão (guitarra), Boka (bateria) e Juninho (baixo).

SERVIÇO
Ratos de Porão no festival Desgraça Pouca é Bobagem
Data: 19 de junho de 2022 (domingo)
Local: Basement Cultural
Endereço: R. Des. Benvindo Valente, 260 - São Francisco
Horários: 14h (portões), 15h (shows)
Classificação etária: 16 (com pais ou responsável)
Ingressos: a partir de R$ 90 (meia/promocional – 3º lote)
Venda online: https://bilheto.com.br/evento/529/Ratos_de_Porao_Curitiba

Pontos físicos de venda:

Let´s Rock
Praça Tiradentes, 106 - loja 3 e 4 – Centro
Horário de Atendimento: Seg. a Sex. 09h às 19h / Sáb. 09h às 15h

Espaço Carmela
R. Dr. Claudino dos Santos, 72 - São Francisco
Horário de Atendimento:Dom. a Qui. 07h às 23h / Sex. e Sab. 17h às 2h

- Fabian Steinert é músico gaúcho, natural de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Com longa carreira profissional, gravou seu primeiro disco em 2005 com a banda Elton e, de lá pra cá, foram mais sete álbuns autorias, com as bandas Lunes, El Negro, Wishcraftt e Motor City Madness. Nos palcos, teve a oportunidade de abrir diversos shows, entre eles Matanza, Mark Ramone, Donavon Frankenreiter, Foster the People e Misfits. Em 2018, com a ascenção da extrema direita no Brasil, saiu de todas as bandas para montar com sua companheira Carol Masseti o projeto autoral de cunho antifascista Doctor Stein. Neste ano de 2022, Fabian foi morar em São Paulo para apresentar seu primeiro trabalho solo em voz e violão, que será lançado em breve. Em SP, já fez algumas apresentações na Avenida Paulista e Minhocão, e pretende rodar com seu novo show em diversos lugares, acreditando sempre na música como fator de mudança, tentando levar suas ideias ao maior número de pessoas. Domingo, dia 5 de junho, Fabian se apresenta no Centro Cultural Tendal da Lapa, às 15h , com entrada franca.

- Nos dias 4 e 5 de junho ocorre o Festival Online do Cultura Em Peso, que contará com os headliners pesos pesados do Moonspell (Portugal), The Agonist (Canadá) e os monstros brasileiros do Krisiun, Claustrofobia e Nervochaos. Durante os dois dias de festival, 40 bandas dos mais variados estilos dentro do Metal participarão com material totalmente inédito e exclusivo para o evento, sendo 28 vindas do Brasil, 9 de Portugal, 4 da Espanha, 1 do Canadá, 1 da Noruega e 1 da Argentina. Outros grandes nomes que estarão presentes são os portugueses do Simbiose e Grog, os espanhóis do Bloodhunter - cuja vocalista é nada mais nada menos que Diva Satânica da Nervosa (Brasil) -, os argentinos do Unronin e os brasileiros do Ratos de Porão, Andralls, Uganga, Rebaelliun, Sacrifix, Sepulchral Voice, dentre outros. A transmissão acontecerá através do canal oficial no Youtube do Cultura Em Peso (www.youtube.com/culturaempesobr). Inscreva-se e não perca!

04/06 às 20h (Brasil) | 11 PM GMT
05/06 às 18h (Brasil) | 9 PM GMT

Confira o casting completo do evento:

Claustrofobia (BRA), Moonspell (POR), Krisiun (BRA), The Agonist (CAN), Nervochaos (BRA), Simbiose (POR), Ratos de Porão (BRA), Bloodhunter (ESP), Rebaelliun (BRA), Eternal Psycho (ESP), Uganga (BRA), Desalmado (BRA), Grog (POR), Phoenix Rising (ESP), Unronin (ARG), Andralls (BRA), Sepulchral Voice (BRA), Mileth (ESP), Zurrapa (POR), Losna (BRA), Hellway Train (BRA), Crucifixion BR (BRA), Siegrid Ingrid (BRA), Baixo Calão (BRA), Drowned (BRA), Mordaça (POR), Diskord Norway (NOR), The Damnation (BRA), Ligante Anfetamínico (BRA), Switchback (BRA), Darchitect (BRA), Albert Fish (POR), Prostibulus (BRA), Veumor (BRA), Tones Of Rock (POR), Nigurah (BRA), Sanathoria (BRA), Vai Te Foder (POR), Endrah (BRA), Nagasaki Sunrise (POR), Gestos Grosseiros (BRA), Sacrifix (BRA), Sick (BRA) e Corja (BRA).

Dia dos Namorados terá minifestival de rock nacional

Nelson Souza Lima - especial para o Combate Rock

 O próximo 12 de junho promete ser especial para os casais apaixonados, especialmente aqueles que curtem o bom e velho rock and roll. Na data mais romântica do ano rola no Tokio Marine Hall o Rock Diversão Festival, que sai das ondas do rádio pra ganhar o palco da casa de shows da zona sul paulistana. 

Explico. Rock Diversão é um programa da Rádio Kiss FM que rola todas as terças-feiras trazendo artistas consagrados e bandas novas fazendo versões  de grandes Hits do rock and roll. 

Nesta versão on stage do Rock Diversão se apresentam Detonautas, Raimundos, Eriberto Leão e TREN.

Os cariocas do Detonautas fazem um tributo duplo tocando os clássicos de Raul Seixas e Cazuza. Não devem faltar "Sociedade Alternativa", "Maluco Beleza" e "Metamorfose Ambulante", hits do Maluco Beleza e "Codinome Beija-flor", "Exagerado" e "Ideologia" do Cazuza

Já os brasilienses do Raimundos prestam tributo aos americanos do Ramones, banda seminal do punk. No set, não devem faltar "Pet Cemetary", "Poison Heart" e "I wanna be sedated".

Por sua vez, o ator/cantor Eriberto Leão sobe ao palco detonando clássicos do The Doors. Leão preparou um repertório especial constando "L.A.Woman" e "Light My Fire".

Por fim, a banda TREN presta também um tributo duplo, homenageando Charlie Brown Jr e Ultraje a Rigor. No set não devem faltar "Nós vamos invadir sua Praia", "Ciúme" e "Pelado", do Ultraje e "Zoi Di Lula" e "Rubão" do CBJR.

No comando das pick ups o DJ e locutor da KISS FM, Rodrigo Branco

Enfim, um dia dos namorados com muito rock and roll pra embalar os pombinhos e baterem cabeça juntos.

SERVIÇO

ROCK DIVERSÃO FESTIVAL

Detonautas toca Raul Seixas e Cazuza

Raimundos toca Ramones

Eriberto Leão toca The Doors

TREN toca Charlie Brown Jr. e Ultraje a Rigor

Dia 12 de junho - 16 horas

Onde: Tokio Marine Hall

Rua Bragança Paulista, 1281 - Santo Amaro

Classificação: 16 anos

Ingressos a partir de R$ 90,00

Inf: https://www.tokiomarinehall.com.br/rock-diversao-festival-2/

Lei Rouanet: cultura em vertigem

 O mundo estranho da música sertaneja ficou bem mais complicado depois que um artista ousou questionar - mais uma vez - o uso da Lei Rouanet por parte de companheiro de profissão dos mais variados e por empresas.

Um cantor, conhecido como Zé Netto, fez coro com outro, Gusttavo Lima, que investe contra os benefícios fiscais para o setor cultural, bradando que a lei em questão é algo "indecente e lesivo aos cofres públicos". insinuando que se trata de "roubo".

O alvo da vez era a cantora Anitta, que tem um trabalho artístico até questionável, mas ao menos mostra uma postura política e de gerenciamento de carreira dignos de admiração e elogios. 

A musa do funk foi elegante em suas respostas aos sertanejos, mas acabou abrindo uma caixa-preta que está causando muitos estragos a todos os artistas que sobrevivem de tomar dinheiro de prefeituras. E então se percebe que eles e a grande maioria dos que cantam em cidades pequenas e em feiras agropecuárias têm posturas contraditórias e, em alguns momentos, reprováveis.

São pessoas que se associam a gente não tem pudor de tomar dinheiro de cidades de 8 mil habitantes que mal conseguem completar a folha de pagamento do mês e que não produzem, nada. 

No entanto, políticos espertalhões acham um jeito de desviar dinheiro da saúde, educação e infraestrutura para oferecer uma hora de música da pior espécie a um povo de uma região sem acesso a nada. As contas de Zé Netto e Gusttavo Lima foram flagradas nestes esquemas.

Essa postura que esbarra na desonestidade intelectual. Evidencia que ainda hoje a Lei Rouanet é uma grande desconhecida neste mundo bolsonarista que repudia as artes e a cultura. 

São artistas que não fazem questão de esconder a própria ignorância. Desconhecem como funciona o mecanismo e que, certamente já foram beneficiados por ele, direta ou indiretamente.

Também é muito provável que a maior parte do que existe hoje no mundo musical sertanejo só existe e está de pé graças ao dinheiro captado via Lei Rouanet. Mas será que algum dia pararam para pensar sobre isso?

O que dizer de um artista que decide vender os seus rendimentos futuros a um fundo de investimentos, que vira sócio do artista, e que vai ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para pedir empréstimo zilionário ao mesmo tempo em que toma o dinheiro das prefeituras?

Em recente ataque ao setor cultural, o governo de Jair Bolsonaro (PL)  decidiu, por decreto, rebaixar todos tetos de captação e investimento. Havia a possibilidade de que houvesse um limite de até R$ 60 milhões para grandes produções. Hoje, o teto é de R$ 1 milhão.

Caso isso se mantenha, será um desastre para o meio cultural, com o fechamento de museus e a interrupção da vinda de mostras importantes de artes plásticas, teatro e mesmo importantes turnês musicais.

O governo Bolsonaro desconhece o funcionamento do mecanismo de captação de recursos da Lei Rouanet – na verdade, diante do amontoado de trapalhadas e declarações esdrúxulas sobre o tema, é de se supor que ninguém saiba o que está fazendo ou tenha ideia do que seja a tal lei de incentivos.

O melhor texto sobre como funciona a lei, a sua importância no financiamento da cultura e suas implicações no mercado foi escrito pelo jornalista Julio Maria, de O Estado de S. Paulo, em abril de 2019, quando ficaram mais virulentos os ataques contra a área cultural. Clique aqui para ler o texto "O sistema de três pontas que deveria ser orgulho".

"A Lei Rouanet não se trata de um dinheiro que sai do Governo Federal em um envelope direto para o bolso do artista. Não é tampouco uma verba estatal destinada à área cultural e, menos ainda, como se tem alimentado, um desvio de dinheiro que poderia ser usado na Educação ou na Saúde", ensina, de forma didática, o jornalista.

Renúncia fiscal é confundida com desperdício de dinheiro e corrupção; artista e empresário de entretenimento que recorre ao artifício legal é chamado de corrupto e ladrão.
 
A polêmica com Anitta foi necessária para jogar luz a um setor que usa a desinformação na guerra contra o conhecimento e as artes/ciências. No entanto, é insuficiente para que se faça a defesa da importante Lei Rouanet, que viabilizada boa parte dos eventos culturais no Brasil.

Os protestos precisam ser constantes, e envolvendo nomes cada vez mais importantes e famosos. É preciso que o rock se levante e solte o grito mais alto e mais contundente contra os desmanches. Foi importante ver o carnaval dos últimos anos coalhado de mensagens políticas contra o conservadorismo, mas acabou e o mundo do samba está em compasso de espera.

É preciso que mais artistas de televisão e cantores importantes da MPB mantenham o assunto em alta em entrevistas e espetáculos. O viés político pode ser mantido, mas o foco agora é direto: evitar a todo custo uma redução do investimento público na cultura e no Sistema S.

Cada vez mais espezinhados e xingados, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, por exemplo, se tornaram uma espécie de porta-vozes de um movimento que precisa emergir das trevas e exigir que a cultura seja tratada de forma decente e tenha a sua importância cada vez mais realçada. Portanto, senhores gigantes das artes, não esmoreçam nos protestos. Agora é a hora de lutar e resistir.

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Notas roqueiras: Krisiun, Ronnie Hawkins, Rush...



- O trio brasileiro Krisiun anuncia o nome de seu seu novo álbum de estúdio, "Mortem Solis", que será lançado no próximo dia 29 de julho pela Century Media Records. Antecipando o lançamento do novo álbum, uma nova faixa, intitulada "Serpent Messiah", está lançada como primeiro single e ganhou um poderoso videoclipe dirigido por Estevam Romera. O 12° álbum da banda – Alex Camargo (baixo e vocal), Max Kolesne (bateria) e Moyses Kolesne (guitarra) – foi gravado no Family Mob Studio (Ratos de Porão / Crypta), em São Paulo, e mixado e masterizado por Mark Lewis, em Nashville, Tennessee. "Mortem Solis" vem com arte de Marcelo Vasco (Slayer, Venom, Dark Funeral). Veja o clipe em https://youtu.be/09OcuA6D01c

- Ronnie Hawkins, nome importante do rockabilly conhecido sob o nome "The Hawk", morreu em 29 de maio aos 87 anos de idade. A causa de sua morte não foi divulgada. O músico canadense foi influente no desenvolvimento da cena do rock sulista norte-americano devido ao seu trabalho pioneiro nos anos 50 e 60. Nesta época ele tocava com uma banda de apoio chamada The Hawks, que incluía Robbie Robertson, Rick Danko, Levon Helm, Garth Hudson e Richard Manuel, no que mais tarde se tornaria a banda de apoio de Bob Dylan, e ainda mais tarde viria a ser a The Band.

- A Editora Denfire anunciou o lançamento de "RUSH - Uma Cápsula do Tempo Visual: Moving Pictures - Permanent Waves - Hemispheres", livro inédito no Brasil do fotógrafo Bill O’Leary. Bill é fotógrafo há mais de 40 anos e começou sua carreira em meados da década de 70 depois de ter ido a um show no Madison Square Garden, em Nova Iorque. Sua lista de shows fotografados incluem além do RUSH, bandas como AC/DC, Anthrax, Blue Oyster Cult, Judas priest, Overkill, Queen, Slayer, ZZ top e outros. As fotos, algumas inéditas, foram tiradas durante tours da banda pelos EUA para divulgação dos discos "Hemispheres" (1978), "Permanent Waves" (1980) e "Moving Pictures" (1981), um período de ouro do trio canadense. Foram usadas câmeras analógicas de 35 mm e algumas possuem pequenos textos descritivos, mas o foco fica mesmo nas incríveis fotos de Bill. "RUSH - Uma Cápsula do Tempo Visual: Moving Pictures - Permanent Waves - Hemispheres" foi lançado no tamanho A5 em papel couchè 115g e contém 68 páginas. O livro pode ser encomendado no site da Editora Denfire por R$ R$49,90 (frete incluso para todo o Brasil).
 

Desinformação e má fé: por que a Lei Rouanet assusta tanto a extrema-direita?

O mundo podre da música sertaneja ficou bem mais podre depois que um ser desprovido de bom senso ousou questionar - mais uma vez - o uso da Lei Rouanet por parte de artistas dos mais variados e por empresas.

O ser desprovido de bom senso, um tal de Zé Netto, fez coro com outro tonto, Gusttavo Lima, que investe contra os benefícios fiscais para o setor cultural, vomitando contra as letras que se trata de algo "indecente e lesivo aos cofres públicos". insinuando que se trata de "roubo".

O alvo da vez era a cantora Anitta, que tem um trabalho artístico deplorável, mas uma postura política e de gerenciamento de carreira dignos de admiração e elogios. 

A musa do funk foi elegante em suas respostas aos seres desprovidos de conteúdo, mas acabou abrindo uma caixa-preta que está causando muitos estragos a todos os artistas que sobrevivem de tomar dinheiro de prefeituras. E então se percebe que eles e a grande maioria dos que cantam em cidades pequenas e em feiras agropecuárias têm posturas desprezíveis e repugnantes.

Essa gente não tem pudor de tomar dinheiro de cidades de 8 mil habitantes que mal conseguem completar a folha de pagamento do mês e que não produzem, nada. 

No entanto, políticos espertalhões acham um jeito de desviar dinheiro da saúde, educação e infraestrutura para oferecer uma hora de música da pior espécie a um povo de uma região sem acesso a nada. As contas de Zé Netto e Gusttavo Lima foram flagradas nestes esquemas.

Essa postura que exala mau-caratismo e lixo ideológico de direita. Evidencia que ainda hoje a Lei Rouanet é uma grande desconhecida neste mundo bolsonada de analfabetismo e burrice extremos. 

Essa gente e esses artistas idiotas que fazem questão de exaltar a própria ignorância desconhecem como funciona o mecanismo e que, certamente já foram beneficiados por ele, direta ou indiretamente.

Também é muito provável que a maior parte do que existe hoje no mundo musical sertanejo só existe e está de pé graças ao dinheiro captado via Lei Rouanet. É muita burrice ou deformação de caráter?

O que dizer de um artista que decide vender os seus rendimentos futuros a um fundo de investimentos, que vira sócio do artista, e que vai ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para pedir empréstimo zilionário ao mesmo tempo em que toma o dinheiro das prefeituras?

Em recente ataque ao setor cultural, o governo bolsonada decidiu, por decreto, rebaixar todos tetos de captação e investimento. Havia a possibilidade de que houvesse um limite de até R$ 60 milhões para grandes produções. Hoje, o teto é de R$ 1 milhão.

Caso isso se mantenha, será um desastre para o meio cultural, com o fechamento de museus e a interrupção da vinda de mostras importantes de artes plásticas, teatro e mesmo importantes turnês musicais.

O governo Bolsonaro desconhece o funcionamento do mecanismo de captação de recursos da Lei Rouanet – na verdade, diante do amontoado de trapalhadas e declarações esdrúxulas sobre o tema, é de se supor que ninguém saiba o que está fazendo ou tenha ideia do que seja a tal lei de incentivos.

O melhor texto sobre como funciona a lei, a sua importância no financiamento da cultura e suas implicações no mercado foi escrito pelo jornalista Julio Maria, de O Estado de S. Paulo, em abril de 2019, quando ficaram mais virulentos os ataques contra a área cultural. Clique aqui para ler o texto "O sistema de três pontas que deveria ser orgulho".

"A Lei Rouanet não se trata de um dinheiro que sai do Governo Federal em um envelope direto para o bolso do artista. Não é tampouco uma verba estatal destinada à área cultural e, menos ainda, como se tem alimentado, um desvio de dinheiro que poderia ser usado na Educação ou na Saúde", ensina, de forma didática, o jornalista.

Renúncia fiscal é confundida com desperdício de dinheiro e corrupção; artista e empresário de entretenimento que recorre ao artifício legal é chamado de corrupto e ladrão.
 
A polêmica com Anitta foi necessária para jogar luz a um setor que usa a desinformação na guerra contra o conhecimento e as artes/ciências. No entanto, é insuficiente para que se faça a defesa da importante Lei Rouanet, que viabilizada boa parte dos eventos culturais no Brasil.

Os protestos precisam ser constantes, e envolvendo nomes cada vez mais importantes e famosos. É preciso que o rock se levante e solte o grito mais alto e mais contundente contra os desmanches. Foi importante ver o carnaval dos últimos anos coalhado de mensagens políticas contra o conservadorismo, mas acabou e o mundo do samba está em compasso de espera.

É preciso que mais artistas de televisão e cantores importantes da MPB mantenham o assunto em alta em entrevistas e espetáculos. O viés político pode ser mantido, mas o foco agora é direto: evitar a todo custo uma redução do investimento público na cultura e no Sistema S.

Cada vez mais espezinhados e xingados, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil, por exemplo, se tornaram uma espécie de porta-vozes de um movimento que precisa emergir das trevas e exigir que a cultura seja tratada de forma decente e tenha a sua importância cada vez mais realçada. Portanto, senhores gigantes das artes, não esmoreçam nos protestos. Agora é a hora de lutar e resistir.

Lei Rouanet: o sistema de 3 pontas que deveria ser orgulho

 Júlio Maria


O Estado de S. Paulo - 12.abril.2019


A Rouanet tem três pontas. A primeira delas diz respeito ao chamado proponente: o produtor ou o artista com um projeto cultural na cabeça podem se inscrever junto à Secretaria de Cultura do Governo Federal (antigo MinC) para tentar a aprovação da captação da verba que ele precisa junto aos empresários. 

Em tese e na origem, quanto maior a valorização da cultura brasileira e o potencial de contrapartidas sociais, como a realização de festivais de música ou de teatro em regiões desassistidas, maior a chance de aprovação pelos técnicos. 

Na prática, não é bem isso que ocorre. Até mesmo espetáculos internacionais como o Cirque Du Soleil já chegou ao Brasil contando com dinheiro obtido via Lei Rouanet. Assim que consegue a aprovação do governo, os produtores saem para captar o valor aprovado, que passará em breve a ter um teto de R$ 1 milhão (e não mais de R$ 60 milhões).

A segunda é a outra extremidade: empresários e investidores. Uma boa parte do dinheiro que eles gastariam para pagar Imposto de Renda no início do ano pode ser direcionada para a cultura. E, dependendo do projeto, como o investimento em orquestras, conseguem dedução de até 100% do valor investido. 

O dinheiro de IR que iria para o Governo redistribuir nunca se sabe como é usado então para a realização de movimentos culturais palpáveis e com potencial de exibição de suas marcas. 

A troca seria justa, mas uma das distorções mais combatidas por reformistas da lei começa aqui: muitas empresas passaram a usar o dispositivo, que tinha como um dos focos originais irrigar pontos não assistidos pelo próprio Estado, como estratégia de marketing. Rio e São Paulo, pelo maior poder econômico de suas plateias, passaram a receber a maioria dos investimentos e artistas conhecidos, uma espécie de garotos-propaganda dos empresários, têm mais chances de captar as verbas aprovadas pelos técnicos.

A terceira ponta é o povo, a plateia, o beneficiado, a parte mais frágil do espetáculo justamente por não ter nesse processo poder de interferência. Muitos projetos culturais simplesmente não existiriam sem a Lei. E ao menos um mercado inteiro, o de musicais, deve ser dizimado assim que o teto de investimentos for reduzido a R$ 1 milhão. 

Usam também a Rouanet orquestras sinfônicas que aprovam projetos por temporadas, exposições de artistas internacionais em museus, semanas do livro por todo o País, festivais de música e trabalhos de preservação do patrimônio histórico, como a reforma do Museu do Ipiranga, em São Paulo, todos orçados em muito mais do que R$ 1 milhão (e resta saber como será o tratamento do governo atual a essa classe).

Há um projeto de lei engavetado no Senado, já aprovado na Câmara dos Deputados, que tentaria corrigir muitos desses pontos citados. Uma das linhas do Procultura tentaria fazer valer um conceito que está na Rouanet original mas que jamais foi implementado, chamado Fundo Nacional de Cultura como se deveria, um fundo que receberia parte dos investimentos realizados pelos empresários para ser obrigatoriamente destinado a cidades que o empresariado não enxerga.

A lei não é perfeita, precisa de reformas profundas. O preço dos ingressos precisa baixar e se equalizar com a obrigatoriedade da meia-entrada. Os empresários deveriam ser estimulados a olhar para ações sobretudo no Norte e Nordeste do País. 

É preciso haver uma desburocratização na inscrição e a formação de proponentes em outras regiões para que artistas que não contem com produtores profissionais e experientes consigam concorrer com suas ideias. 

E os musicais, um artigo de natureza mais dispendioso do que outras áreas, pode ter sua captação revisada, mas deve ter preservado para manter não só os milhares de empregos diretos e indiretos gerados por ele mas também a saúde da única cadeia cultural no mundo criada por um sistema regido pelo governo. O que era para ser orgulho, infelizmente, se tornou alvo.


Violeta de Outono, Garotas Suecas e Hook Herrera são os destaque de junho no Sesc Belenzinho


O Sesc |Belenzinho, na zona leste de São Paulo, retoma com força total a programação de shows de todos os estilos e caprichou no repertório de rock e blues, desta vez com um viés mais alternativo, digamos assim.

Os shows serão realizados no teatro e na comedoria, um espaço que se tornou tradicional por receber, com bastante conforto, shows nacionais e internacionais de médio portes. 

Um dos destaques roqueiros é justamente o que abre a programação. Depois de muito tempo se dedicando ao Gong, banda de rock progressivo franco-australiana baseada em Londres, o guitarrista brasileiro Fábio Golfetti resgata o Violeta de Outono.

O trio progressivo e de rock psicodélico dos anos 80 ainda tem fiéis seguidores e costuma esgotar rapidamente os ingressos quando faz shows em São Paulo, que têm sido raros - e o mais lega, reúne neste show o trio original (Fabio Golfetti, guitarra e vocal; Angelo Pastorello, baixo; e Claudio Souza, bateria). 

Neste show, além de tocar músicas seus primeiros discos, o Violeta de Outono também vai mostrar músicas que farão parte de um álbum de composições perdidas que está sendo resgatado e gravado.

VIOLETA DE OUTONO
Dia 3 de junho de 2022. Sexta, 21h
Local: Teatro (364 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos

LEONI & GEORGE ISRAEL
Dia 4 de junho de 2022. Sábado 20h30
Local: Comedoria (160 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 18 anos
Duração: 90 minutos

Fundadores, membros da formação original e compositores dos maiores hits da banda Kid Abelha, Leoni e George Israel completam 40 anos de carreira e, para celebrar, apresentam o show 40 Anos de Canções, com interpretações de suas composições com a banda e também parcerias com Cazuza, como Brasil (Cazuza/George Israel/Nilo Romero), Exagerado (Cazuza /Leoni) entre outras, assim como canções das respectivas carreiras solo. Nesse show, Leoni e George Israel são acompanhados de banda formada por músicos que tocaram em shows e gravaram com Kid Abelha e Cazuza.

ANDRÉ ABUJAMRA
Dia 5 de junho de 2022. Domingo, 18h
Local: Teatro (364 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 12 anos
Duração: 70 minutos


André Abujamra apresenta repertório de seu álbum "Emidoinã - Alma De Fogo" (2020), com exibição da animação homônima ao longo do show. O disco – cujo nome significa "o fogo que transforma" - é parte de uma série de cinco álbuns idealizados pelo artista que versam sobre elementos da natureza. Tal como o significado de seu nome sugere, o álbum fala do fogo, questionando os limites de seu poder de destruição. Em 2021, o disco se tornou uma animação dirigida por Luciano Lagares, feita em parceria com a Openthedoor Studios, na qual Abujamra narra a jornada de Iskandar. A história é repleta de seres mitológicos, imaginários e simbolismos relacionados a deuses egípcios. Com André Abujamra (voz e guitarra), Kuki Stolarki (bateria), Eron Guarnieri (teclados), Sergio Soffiatti (baixo) e Daniel Nakamura (guitarra).


EDY STAR
50 anos de Sociedade da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10
Dia 10 de junho de 2022. Sexta 20h30
Local: Comedoria (160 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 18 anos
Duração: 90 minutos


Show para celebrar os 50 anos do lançamento do cultuado disco: Sociedade da Grã Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10 (1971) um disco de extrema relevância da discoteca brasileira, com seu clima anárquico e músicas e vinhetas completamente inovadoras para época. Para celebrar, Edy Star, o único sobrevivente do grupo de cantores, apresenta o repertório total e outros sucessos de sua carreira e de seus companheiros de disco, homenageando Raul Seixas, Sergio Sampaio e Miriam Batucada. Acompanham Edy Star os músicos Jonnata Doll, Marcia Castro (que, além de fãs do disco, agregam ao ambiente e repertório libertário da obra) e a banda os Kurandeiros, formada por Kim Kehl (guitarra), Marcião Gonçalves (contrabaixo), Mateus Soares Schanoski (teclados), Carlinho Machado (bateria), e Michel Machado (percussão).


GAROTAS SUECAS
Dia 11 de junho de 2022. Sábado 20h30
Local: Comedoria (160 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 18 anos
Duração: 90 minutos


Formada em 2005, a banda paulista de garage soul comemora mais de 10 anos de estrada, em show que reúne o repertório dos álbuns "Escaldante Banda" (2010), "Feras Míticas" (2013) e "Futuro do Pretérito" (2017) e de seus 4 EPs independentes "Mal Educado" (2015), "Dinossauros" (2008), "Difícil De Domar" (2007) e "Hey Hey Hey" (2007). Conhecidas pelos seus videoclipes psicodélicos, já participaram de festivais de renome como o Primavera Sounds, o SXSW e o Planeta Terra, além de programas de TV nacionais e internacionais, bem como parcerias com nomes como Elza Soares, Paulo Miklos, Lurdes da Luz e o americano Kid Congo Powers, ex-The Cramps, com quem, além de gravar, já dividiram o palco diversas vezes.


JUÇARA MARÇAL
Dias 17 e 18 de junho de 2022. Sexta e sábado, 21h
Local: Teatro (364 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos


A cantora e compositora Juçara Marçal apresenta o show de seu segundo disco solo, "Delta Estácio Blues" (2021), produzido por Kiko Dinucci. O álbum traz forte presença de Juçara como compositora nas etapas e processos de criação: nas colagens eletrônicas que levaram às bases das músicas; letras, melodias, parcerias e poesias; nas variações e investigações que realiza sobre o próprio canto e voz.



AMARO FREITAS
Dia 19 de junho de 2022. Domingo, 18h
Local: Teatro (364 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos


"Sankofa" (2021) é o título do terceiro trabalho do pianista Amaro Freitas. Citado em inúmeras listas de "melhores do ano", o álbum tem a colaboração de Jean Elton (baixo) e Hugo Medeiros (bateria), que formam o Amaro Freitas Trio desde 2015. O grupo emprega intrincados padrões rítmicos e variações de compasso. Cada música do repertório é imbuída de uma mensagem ou uma história que o pianista é compelido a contar. No roteiro constam: Baquaqua, que destaca a história raramente contada do africano Mahommah Gardo Baquaqua, Vila Bela, nome de um quilombo por Tereza de Benguela, Nascimento, dedicada a Milton Nascimento e Ayeye, que significa celebração em iorubá.




GORDURATRANS
Dia 24 de junho de 2022. Sexta, 20h30
Local: Comedoria (160 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 18 anos
Duração: 90 minutos


Formado em 2015 por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz), o gorduratrans é um duo carioca de shoegaze, noise rock e noise pop com letras em português que, neste show, mostra canções dos discos Repertório Infindável De Dolorosas Piadas (2015) e Paroxismos (2017). A banda ganhou destaque em vários veículos da imprensa nacional e internacional após o lançamento de seu primeiro disco, além de uma turnê pelo Nordeste e incontáveis shows no Sudeste, especialmente no Rio e em São Paulo. Gravado num quartinho espremido em Mesquita, na Baixada Fluminense, o despretensioso trabalho de estreia levou a banda a dividir palco com artistas como E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Jair Naves e Violins.


MEDULLA
Dia 24 de junho de 2022. Sexta, 21h
Local: Teatro (364 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos


Após três anos de hiato, a banda formada pelos gêmeos Keops e Raony (voz), Alex (guitarra), Tuti (baixo) e Nick Gomes (bateria), a banda da atual cena rock brasileira apresenta show de repertório de carreira que mistura rock periférico, R&B, rap e ritmos brasileiros. Keops e Raony trazem uma performance carregada de referências como Chico Science e Lirinha. Alex é de Descalvado, interior de São Paulo, e carrega em sua guitarra uma referência forte do estilo de vida sertaneja. Acompanhou o rapper Froid, a rapper Cynthia Luz e a banda norte-americana No Loger Music, com a qual já tocou por mais de 20 países. Tuti é da cidade de Americana (SP). Tocou em bandas como Maguerbes, e hoje integra a Badzilla, uma dupla de produção musical que vem se destacando na cena rap paulistana.
Nick Gomes é nascido e criado na Zona Leste de São Paulo, tocou com artistas como Rashid, e é produtor musical.


HOOK HERRERA & THE SIMI BROTHERS (EUA e BRA)
Dia 25 de junho de 2022. Sábado, 20h30
Local: Comedoria (160 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 18 anos
Duração: 90 minutos


Na ativa desde o final da década de 70, Hook Herrera é unanimidade no mundo do blues tradicional. Amplamente respeitado, o compositor, guitarrista e gaitista californiano trabalhou com grandes nomes do gênero como Sam Myers, William Clarke, Smokey Wilson e Hollywood Fats, além de ser um frequente convidado especial de bandas e artistas de grande expressão como The Allman Brothers Band, Billy Gibbon e Gov't Mule. Após mais de 10 anos desde sua única vinda ao Brasil, o bluesman norte-americano, vindo de família tradicional mexicana, está de volta e será acompanhado pela banda brasileira The Simi Brothers. Sob a produção musical dos irmãos Nicolas e Danilo Simi, apresentarão um apanhado da carreira de Hook, passando por discos como Puro Mestizo (2003) e No Matter What I Do (2011), além de temas dos irmãos Simi.



RELESPÚBLICA
Dia 26 de junho de 2022. Domingo, 18h
Local: Teatro (364 lugares)
Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 20 (meia entrada); R$ 12 (Credencial Sesc)
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos


Para comemorar os 30 anos de estrada, a banda curitibana Relespública se apresenta ao lado de Edgard Scandurra (Ira!). No repertório, clássicos da Relespública e do Ira!, além de outros clássicos do rock.
Formada em 1989, o grupo lançou os álbuns E O Rock 'N' Roll Brasil?! (1998), O Circo Está Armado (2000), As Histórias São Iguais (2003) e Efeito Moral (2008). Com Fábio Elias (voz e guitarra), Emanuel Moon (bateria) e Ricardo Bastos (baixo).


SESC BELENZINHO
Endereço: Rua Padre Adelino, 1000.
Belenzinho – São Paulo (SP)
Telefone: (11) 2076-9700
sescsp.org.br/Belenzinho


Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h.
Valores: Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 12,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional.
Para espetáculos pagos, após as 17h: R$ 7,50 (Credencial Plena do Sesc - trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo). R$ 15,00 (não credenciados).

Billy Idol fará show em São Paulo no pavilhão Pacaembu em setembro

 Do site Roque Reverso


Veterano do bom e velho rock and roll, o cantor Billy Idol vai se apresentar em São Paulo antes de participar do Rock in Rio de 2022. Ele fará show no dia 8 de setembro no Pavilhão Pacaembu.

A apresentação na capital paulista será um dia antes de Billy Idol fazer parte do grupo de atrações principais do Rock in Rio no dia 9 de setembro.

Ao lado do headliner Green Day, do Fall Out Boy e do Capital Inicial, ele será um destaques da noite do Palco Mundo no festival, que já tem ingressos esgotados.

O evento no Pavilhão Pacaembu faz parte da plataforma Popload Gig. Os ingressos já estão à venda online no site da Tickets For Fun.

Sem taxa de conveniência, é possível comprá-los na bilheteria oficial, localizada no Teatro Renault (Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista).

A bilheteria oficial funciona de terça-feira a domingo, das 12 horas às 20 horas. Às segundas-feiras e feriados, ela fica fechada.

Excepcionalmente, neste dia 30 de maio, a bilheteria do Teatro Renault ficará aberta das 10 horas às 18 horas para vendas do show do Billy Idol.

Os valores da entrada inteira por setor são os seguintes: Pista: (R$ 320,00), Pista Premium (R$ 620,00 ) e Camarote (R$ 720,00).

Há possibilidade de meia-entrada, com comprovação, e o ingresso também pode ser parcelado em três vezes sem juros.

O show na capital paulista será o primeiro de Billy Idol no Brasil desde 1991, quando fez sua única passagem até então no País, no Rock in Rio.

Passagem do Metallica pelo Brasil ainda rendeu ajuda à instituição beneficente

Flavio Leonel - do site Roque Reverso

A histórica passagem do Metallica pelo Brasil em maio de 2022 ainda rende textos, feitos, curiosidades e registros. Não bastasse o grupo norte-americano de thrash metal ter oferecido shows grandiosos realizados em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, houve ainda ajuda financeira à instituição beneficente, vídeos oficiais das apresentações nas quatro capitais brasileiras e um vazamento de filmagens completas desses shows pela internet que movimentou os fãs.

Especificamente sobre a ajuda à instituição beneficente, o Metallica fez uma doação para o Complexo de Saúde Pequeno Cotolengo de Curitiba. A instituição acolhe pessoas com deficiências múltiplas, de qualquer idade e região do Paraná, que foram abandonadas.

A doação do Metallica foi feita por meio de sua própria instituição de caridade, a All Within My Hands, que foi fundada em 2017 e que teve enorme papel na ajuda a diversas entidades durante a pandemia de covid-19.

O Pequeno Cotolengo chegou a Curitiba em 1965. O atendimento gratuito e o trabalho da instituição é mantido por meio de apoio de empresas e de toda a sociedade.

“Esta semana recebemos uma notícia muito rock’n’roll! A banda de heavy metal, Metallica, que realizou show em Curitiba no sábado, 7 de maio, escolheu nosso Complexo de Saúde Pequeno Cotolengo para receber uma doação”, escreveu a entidade brasileira.

Vídeos oficiais dos shows liberados

Como costuma fazer sempre após os shows há um bom tempo, o Metallica liberou uma série de vídeos oficiais de músicas gravadas, com qualidade gigantesca, nas quatro capitais brasileiras.

Da apresentação em Porto Alegre, onde os gaúchos tiveram um set list caprichado na volta do grupo à cidade, o Metallica trouxe os vídeos das músicas “Blackened” e “No Remorse”.

Do show em Curitiba, onde o Metallica tocou pela primeira vez e uma garota teve um bebê em plena apresentação durante a execução de “Enter Sandman”, a banda liberou os vídeos das músicas “Whiskey in the Jar”, “Sad But True” e “Battery”.

Da apresentação em São Paulo, onde o Metallica tocou pela sétima vez, trouxe o set list mais surpreendente e viu um Morumbi lotado por cerca de 70 mil pessoas, foram liberados os vídeos de “For Whom the Bell Tolls”, “Holier Than Thou” e “Dirty Window”.

Do show em Belo Horizonte, onde Metallica também tocou pela primeira vez e o vocalista e guitarrista, James Hetfield, fez um discurso histórico e emocionado, mostrando seu momento de instabilidade com a idade e recebeu apoio da banda e do público, o Metallica trouxe os vídeos das músicas “Cyanide”, “Fight Fire With Fire” e “Fade To Black”.

Vazamento de shows na íntegra completos

Não bastasse toda essa oferta de vídeos das apresentações nas quatro cidades, o público brasileiro viu durante essas semanas seguintes aos shows o vazamento pelas redes sociais de vídeos completos dos espetáculos, com qualidade gigantesca e som impecável.

Os mais comentados, assistidos e baixados foram os de Curitiba e São Paulo. Sem a menor dúvida, são os vídeos filmados pela própria banda que alguém, sem autorização, é claro, liberou, sem reclamação alguma, é claro, dos fãs.

O fato é que, quem gosta do Metallica e teve o privilégio de estar nos shows, tem também agora um registro histórico. Quem não conseguiu ver nos estádios brasileiros, teve, por sua vez, a oportunidade de ver o quanto essas apresentações foram grandiosas.

E pensar que, nas primeiras vindas da banda ao Brasil, nos tempos do VHS e da TV de tubo, obter algum registro dos shows era coisa dificílima.

Este jornalista lembra que, quando o Metallica tocou em 1993, na capital paulista, no Estádio do Palmeiras, uma gravação completa da apresentação foi exibida numa loja na Galeria do Rock e emocionou um andar inteiro lotado de pessoas, assistindo ao vídeo numa TV que não passava de 20 polegadas.

Hoje, com todo o avanço da tecnologia, basta espetar um pendrive na sua Smart TV ou no seu notebook e curtir na melhor qualidade possível os shows.

Especificamente os de São Paulo impressionam demais pelo volume elevadíssimo do público cantando as músicas. Um verdadeiro espetáculo.

Os vídeos completos vazados foram tirados do ar, mas quem vazou deixou endereços espalhados para quem quiser baixá-los. Não vamos aqui incentivar a pirataria, mas o fã esforçado e destemido pode encontrar facilmente, se procurar direitinho.

Se quiser ver todos os vídeos disponibilizados oficialmente pelo Metallica no YouTube basta seguir abaixo a sequência, começando por Porto Alegre, passando por Curitiba e São Paulo e terminando em Belo Horizonte.

Crianças vibrando com os Beatles: um olhar diferente para alunos de escolas públicas

 A tarde ensolarada incentivava a molecada a gritar cada e mais alto. Eram cerca de 200 crianças de 5 a 10 ano de idade e as respectivas professoras e responsáveis, todo mundo uniformizado e pulando nas cadeiras ao som de "Ob-la-di Ob-la-da", o reggae gostoso dos Beatles.

E então era isso: em plena tarde de sexta-feira quente de outono, em uma fábrica de cultura de São Bernardo do Campo (ABC Paulista), gerida pelo governo estadual, crianças vibravam ao som dos Beatles e mostravam o poder dessa banda de rock inglesa, que durou apenas oito anos com sucesso.

O projeto "Beatles Para Crianças" mais uma vez entreteve com eficácia misturando canções dos Beatles, em inglês, com uma série de outras atividades e historinhas capazes de deixar meninos e meninas novinhos vidrados por mais de uma hora.

Criado em 2016 por dois professores especializados e que também são músicos - Gabriel Manetti e Fábio Freire -, o projeto cresceu e virou um espetáculo que mistura show de rock e uma série de aulas, com didática admirável e alto poder de manter as crianças concentradas.

Nem mesmo as canções em inglês diminuíram o entusiasmo da plateia, que conseguiu cantar as melodias e acompanhar passo a passo o roteiro das historinhas.

Não é o primeiro trabalho que envereda pelo caminho de oferecer rock com um olhar didático pra crianças e adolescentes. Há vários no Brasil e no mundo. "Beatles Para Crianças", no entanto, tem um diferencial que é o exímio planejamento de roteiro e adaptação para um público que raramente é exposto a esse tipo de conteúdo.

Gabriel Manetti tem pós graduação em Dramaturgia pela Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), graduação em Comunicação Social com ênfase em Rádio e Tv pela Universidade São Judas Tadeu e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia Helena.

Desde 2007 é professor de teatro e de lá pra cá montou e dirigiu mais de 25 peças com crianças e jovens em escolas da cidade de São Paulo. Também atua como dublador oficial de alguns estúdios importantes, dublando filmes, novelas e seriados em diversos canais de TT fechada. em pós graduação em Dramaturgia pela Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), graduação em Comunicação Social com ênfase em Rádio e TV pela Universidade São Judas Tadeu e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia Helena.

Já Fábio Freire tem pós-graduação em Arte Educação pela Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH), graduação em Licenciatura em Arte pela Fundação Claretiano, e formação em Artes Plásticas pela Escola Panamericana de Arte (EPA) e Música Popular pela Universidade Livre de Música Tom Jobim (ULM). 

Seu trabalho de conclusão do curso de pós graduação foi baseado na criação de Bandas Digitais com crianças de 10 anos no ensino fundamental. A tecnologia na educação são fontes intermináveis da sua pesquisa como educador musical.

Também fez cursos de especialização com Naná Vasconcelos (Música), Keith Terry (Body Music) e Kenny Muhammad (Beat Box).


Passando largo do clichê "finalmente há futuro animador para nossas crianças", são trabalhos como esse que renovam as esperanças de oferecimento de conteúdo diferente e instigante, baseado no rock, para alunos das esferas públicas de ensino, e de graça, em unidades estaduais ou municipais. 


Que o projeto "Beatles Para Crianças" seja a porta de entrada para que iniciativas semelhantes proliferem - colocando nossas crianças em contato com um outro mundo que não seja dominado por sertanejos e pagodes de má qualidade.








Violência na Virada é a parte mais visível do fracasso da edição de 2022

 Fazia tempo que a Virada Cultural Paulistana tinha se livrado dos arrastões. Pouca gente lembrava a última vez em que brigas generalizadas e roubos tinham ocorrido no evento. Em 2022, para coroar a incompetência da administração do PSDB capitaneada por um político fraco do MDB, os arrastões e a violência voltaram no palco do Vale do Anhangabaú.

De cara os especialistas apontaram, os graves problemas de segurança, que foi armada com um amadorismo inacreditável. 

Poucos policiais dentro do recinto do evento, delimitado por cercas de ferro. Muitos policiais estavam dispersos e espalhados e, em alguns casos, não deram boa para os flagrantes casos de violência. Teria sido deliberada essa "estratégia" de esvaziar o centro do evento?

As teorias conspiratórias do momento dão conta de que a falta de segurança - ou segurança ruim - ocorreu para que ficasse claro que a Virada não pode mais ocorrer na região central e que espalhar eventos para bairros mais distantes, sem comunicação entre os próprios eventos, com tudo terminando às 22h, é uma maneira de fazer um evento mais "família" e, portanto, muito mais fácil de controlar.

 Por maios que faça sentido, não há provas de que a administração paulistana e a organização, que fizeram o trabalho péssimo, tenham deliberadamente depredado a segurança para justificar a destruição de um conceito maravilhoso da Virada - shows na região central durante toda a madrugada.

A falácia de que a periferia, finalmente, receberia atrações variadas parece ter "colado" em alguns ambientes, o que é vergonhoso. Desde sempre houve eventos nas periferias, e muito interessantes. 

A questão é que, dentro do conceito de "virada" mesmo, com shows ininterruptos por 24 horas, o grosso dos artistas e dos espetáculos ficavam concentrados na parte central para facilitar a integração entre os shows e eventos e o acesso do público, já que quase todas as linhas de metrô e CPTM passam pela região central.

Era possível curtir um show de heavy metal ou punk em um lugar e, poucos passos depois, curtir uma roda de pagode ou ir a um palco sertanejo, assistir a uma peça de teatro ou ir a um museu com programação especial, a qualquer hora do dia e da madrugada.

A nova "Virada" proposta por essa administração conservadora e sem muito apreço da cultura retomou  a horrorosa ideia de João Doria (PSDB), enquanto prefeito, de descentralizar e até confinar as atrações em locais fechados alegando "segurança".

Revelando pouco caso com o conceito da Virada e revelando extrema incompetência, jogou os principais shows para bairros afastados e limitou o horário de encerramento às 22h ou 23h. Virada?

Com a destruição do conceito para fazer um empilhamento de atrações "família" em eventos "família", supostamente mais seguros, São Paulo perde um de seus eventos mais charmosos e instigantes. Será que a partir de agora teremos carnaval de rua e Parada Gay tipo "família", com "descentralização" e "limite de horários"?

A violência no Vale do Anhangabaú foi apenas a parte visível da incompetência dessa administração municipal ao lidar com cultura e entretenimento, principalmente quando se trata de eventos públicos destinados ao povo mais crente e necessitado de lazer e cultura. 


domingo, 29 de maio de 2022

Baixista do Evanescence substituirá guitarrista Jen Majura

 Do site Roque Reverso


O Evanescence promoveu mudanças importantes na formação nesta segunda quinzena de maio. A banda liderada pela vocalista Amy Lee anunciou no dia 21 a saída da guitarrista Jen Majura, que havia ingressado no grupo em 2015.

No dia 23, o Evanescence trouxe outro anúncio importante, dizendo que o baixista Tim McCord deixará o posto ocupado há 16 anos para assumir justamente o lugar de Jen Majura na guitarra.

Para o lugar de McCord, o grupo escolheu a baixista Emma Anzai, do Sick Puppies.

“Somos amigos e fãs há anos, e finalmente chegou a hora de unir forças”, destacou a banda sobre Emma.

O Evanescence se prepara para iniciar em junho uma turnê por vários países da Europa, entre eles a Grécia, a Alemanha e a Suécia.

O álbum mais recente lançado pelo grupo é “The Bitter Truth”, que chegou aos fãs em março do ano passado.

O disco agradou crítica e público porque as músicas trouxeram elementos que têm muito a ver com o som que consagrou a banda mundialmente.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Cultura e artes vítimas da perversidade como instrumento político

A face mais terrível da dos impactos pandemia de covid-19 sobre a área cultural foi revelada na semana passada com o pedido de ajuda feito pelo cantor Marcello Pompeu nas redes sociais.

Vocalista da extraordinária banda Korzus e um dos nomes que encabeçam o estúdio Mr. Som, em São Paulo, o músico revelou em suas contas nas redes coais que passavam por um momento financeiro delicado e pedia emprego aos fãs, "qualquer coisa que eu possa fazer e ajudar no trabalho".

Ele não revelou a natureza dos problemas de dinheiro que o acometem e afirmou que era um caso de "urgência" e admitia que poderia deixar de cantar temporariamente.

Dias depois ele agradeceu nas mesmas redes o apoio que recebeu e a preocupação. Disse que não abandonaria a vida artística e que conseguiria resolver "alguns problemas" imediatos, não revelando se tinha conseguido algum tipo de emprego ou de trabalho fora da música.

Não dá para cravar que os problemas financeiros do cantor se devem à pandemia ou à falta de trabalho em decorrência das medidas de distanciamento social por conta da pandemia. Pessoas que o conhecem e convivem com ele dizem que sim, a pandemia afetou bastante os negócios da banda e do estúdio.

Músico exemplar em termos de profissionalismo e produtor renomado e requisitado, Marcello Pompeu é nome querido dentro do rock nacional e muito respeitado fora do gênero, por isso o pedido d socorro na internet surpreendeu e comoveu os metaleiros nacionais. Depois de muito tempo de silêncio, o Korzus lançou música nova, "You Can't Stop Me", no ano passado.

Se um profissional reconhecido e tarimbado como Pompeu sofreu bastante com os efeitos da pandemia, imaginemos então artistas e profissionais da música que não têm a carreira estrelada do cantor do Korzus e que se viram sem alternativas para sobreviver?

Por isso que os vetos presidenciais às Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo ficam cada vez mais criminosos a cada dia que passa. São leis aprovadas pelo Congresso que levariam entre R$ 4 bilhões e R$ 7 bilhões em ajuda a artistas de todos os tipos que foram impactados pela pandemia, com regras específicas e rígidas para ter acesso aos recursos, que passariam pelos governos estaduais e municipais.

É dinheiro mais do que necessário para reorganizar o setor cultural e resgatar a arte, mas o nefasto governo bolsonada, em sua guerra cultural contra a sociedade civilizada, continua firme no propósito de destruir o conhecimento e apostar nas trevas absolutas.

A quantidade de casas de shows, bares e restaurantes que fechou desde março de 2020, quando o mundo teve de se recolher, é gigantesca, deixando milhões de profissionais sem trabalho no Brasil. 

Enquanto houve liberação emergencial de dinheiro para algumas categorias profissionais e auxílio financeiro pra boa parte da população, o setor cultural foi deliberadamente escanteado, comprometendo a existência de bandas, das carreiras de artistas solo e atentando contra a segurança das próprias que viviam da arte e da cultura. 

Este tipo de perversidade não só é indecente como é criminosa, realçando a índole destrutiva de um governo incapaz que sobrevive com o caos institucional como forma de mascarar a total falta de ação e de competência para administrar.

É a implantação de níveis altos de perversidade que caracteriza o mundo nojento bolsonada; é a aposta no quanto pior, melhor politicamente, na vã esperança de que o nicho asqueroso do bolsonarismo, medieval e de inspiração fascista, será o suficiente para sustentar esse conjunto de politicas nocivas e para reeleger o presidente mentecapto.

Tudo indica que não será, mas ainda existem sete meses de um governo insano, corrupto e perverso onde um golpe institucional ou militar é bem possível, ou, antes de entregar o cargo a outro, esse governo decida depredar de uma vez tudo o que sobrou de civilização e institucional.

Enquanto isso, congressistas covardes decidiram lavar as mãos e ignorar os vetos das Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo. Foram desrespeitados e humilhados pelo presidente bolsonada,. e preferiram não analisar os vetos e derrubá-los por medo de que isso possa ter repercussão em suas reeleições. Optaram por deixar a classe artística à mingua a ter de encarar um risco, ainda que pequeno, de que possam perder votos.

"A eleição geral de 2022 prejudicou a análise de vários projetos de lei importantes, assim como as análises de vetos presidenciais. Ninguém quer correr riscos, ninguém quer discutir ou debater Lei Rouanet, ainda um tema controverso e que tem potencial de dar muitos votos ao bolsonarismo", comentou um deputado federal paulista que tentará a reeleição, e pediu para não ser identificado. "Mesmo quem não é de esquerda e votou a favor das duas leis não quer se envolver com esses vetos presidenciais."

É uma pena que que a face terrível dessa perversidade tenha ficado evidente somente agora, quando do pedido de ajuda de Marcello Pompeu, do Korzus. Quantos passaram muita necessidade calados, sem perspectivas, sem chances, sem qualquer alternativa de sustento.

Marcello Pompeu, no auge do desespero, foi corajoso e honesto. Teve muita coragem para expor sua situação e ganhou muita admiração - ainda mais - dentro do meio artístico. Admiração não resolve problemas financeiros, mas ajuda amenizar o sofrimento e abre os olhos de amigos e fãs para questões não são apenas "particulares" de um cantor de heavy metal.

Da mesma forma, é evidente que o auxílio emergencial cultural não acabaria com os problemas do setor. O problema é que a cultura e as artes foram deliberadamente excluídas do processo de ajuda emergencial, que aliviaria custos e diminuiria dívidas. 

O quanto esse dinheiro retido e vetado pelo presidente asqueroso não poderia ajudar Pompeu na manutenção do estúdio ou a amenizar as dívidas dos clientes dele, ou seja, ajudar artistas que gravaram no Mr. Som e, por vários motivos, não puderam honrar seus compromissos (falando hipoteticamente, neste caso)?

O caso de Pompeu é um dos reflexos diretos da perversidade política e ideológica como forma de administrar (mal) e de usar esse tipo de política diretamente contra inimigos de todos os tipos - e a cultura e as artes, por motivos óbvios, foram escolhidas como "inimigos" do bolsonarismo de inspiração fascista, autoritária e medieval.

Steve Howe faz 75 anos carregando o imenso legado do Yes

 Um guitarrista com pegada de música erudita apaixonado por jazz e Bob Dylan. "O cara não pode ser ruim", diria o magrelo de voz fininha. O grandão de mãos pesadas olhou meio torto para o franzino esquisito com cabelo esquisito. 

A rapidez dos dedos nos braços da guitarra e o som estridente e sólido convenceram Jon Anderson e Chris Squire de que Steve Howe era o cara certo para o som grandioso que queriam para o Yes. 

O rapaz franzino se tornou referência histórica para o rock progressivo com seus fraseados eloquentes e seu timbre cristalino, além dos inventivos riffs e efeitos que emanavam de seus pedais e das mesas de som dos estúdios. 

Howe, que completou 75 anos de idade, não era desconhecido quando entrou para o Yes, em 1970. Já tinha adquirido sólida reputação de instrumentista de primeiro nível na banda Tomorrow e em outros combos ingleses. A questão era como encaixar um cara virtuoso, muito técnico e ambicioso no som ainda mais ambicioso da banda.

Peter Banks, quer tocara guitarra nos dois primeiros discos o Yes, rejeitava a aura de "inovação" que a banda estava tomando. Embora gostasse do som psicodélico e do viés beatlemaníaco, queria mesmo era fazer um blues rock calcado no rhythm and blues e resistia às sugestões da banda por mudanças. Não era genioso, mas demonstrava insatisfação com o som mais elaborado requerido.

Cada vez mais distante do resto do grupo, Banks pressentia que seria "ejetado" e resolveu facioitar as coisas. Howe estava na mira, mas havia desconfianças de que o encaixe seria demorado.

Um engano enorme dos dois líderes. Howe tomou a liderança melódica e empurrou a seção rítmica - o baixista Chris Squire e o baterista Bill Bruford - para um patamar mais elevado. 

O tecladista Tony Kaye, entrosado com Banks, sentiu que perdia espaço e levou um, baque. Sairia pouco depois, em 1971, soterrado pelas toneladas de riffs grandiosos do novo guitarrista. 

Seu substituto, Rick Wakeman, dos Strawbs e com um ego gigantesco, assim como seu talento, casou bem com as endiabradas aventuras de Howe, mas logo viriam as colisões de dois pretensos líderes e com egos estupendos. 

A disputa por espaço e as "assembleias" intermináveis para discutir aspectos musicais nos ensaios logo empurraram Bruford para fora e para as baquetas do King Crimson. Menos virtuoso, mas mais afável, o baterista Alan White (morto no final de maio passado, aos 72 anos) chegou para acalmar tudo e servir de liga para o que se chamou a formação "clássica do Yes" a partir de 1972.

Apesar das "colisões e choques de ego", o virtuosismo de Howe e Wakeman serviu de mola propulsora da banda e tornaram possível a realização do disco "Close to the Edge", uma obra-prima, em 1972, e uma obra colossal, embora incompreendida, que foi "Tales From Topographic Ocean", no ano seguinte.

Com a saída de Wakeman, em 1974, a guitarra de Howe reinou soberana e assim continuou depois de 1977, que marcou o retorno do tecladista. O guitarrista já mandava bastante e acabou influenciando diretamente nos rumos cada vez mais progressivos do Yes. 

Quando a banda acabou, em 1981, sufocada pela autoindulgência e pela falta de horizontes, Howe percebeu que estava na hora de mudar e não hesitou em abraçar o mundo pop com o Asia, ainda em 1981, e o GTR, anos mais tarde, com o então amigo Steve Hackett, ex-guitarrista do Genesis.

Foi um acerto, no seu ponto de vista, já que o Asia foi um estrondo, com a conjugação inteligente entre a guitarra faiscante de Howe e os teclados menos exuberantes de Geoff Downes. Pena que tinha um novo Yes no caminho.

Os ex-Yes Chris Squire e Alan White quase montaram um grupo com Jimmy Page, então ex-Led Zeppelin - o XYZ - em 1981 (Robert Plant, outro ex-Zep, chegou a ir a alguns ensaios), mas o projeto fracassou.

Com outro ex-yes, Tony Kays nos teclados, começaram a articular o Cinema em 1982. Apostaram na guitarra de um jovem talentoso sul-africano, Trevor Rabin, novato em Los Angeles (Estados Unidos), que seria o também o vocalista e o maior responsável pelas composições e produção mais pops e acessíveis.

O quarteto não contava com a visita aos estúdios de Jon Anderson, que tinha parceria com o tecladista grego Vangelis na época. O cantor adorou o material do Cinema e convenceu Squire e Rabin a aceitarem-no no projeto. Mais ainda: que houvesse a troca do nome para Yes.

Howe se sentiu traído por não ter sido convidado para esse novo Yes renascido e ficou irado com o sucesso da nova formação, que superou  Asia.

Equilibrando-se entre o Asia, o GTR e uma carreira solo elogiada, Howe embarcou em uma aventura desastrada: Anderson, Wakeman, Bruford & Howe, uma espécie de Yes paralelo, em 1989. 

Brigado com o Yes, Jon Anderson saiu da banda em 1988 e reuniu antigos membros o grupo para reviver uma espécie de Yes clássico, inclusive usando o nome. 

Quase deu certo, mas Squire tinha sido mais rápido e registrado o nome em seu poder. Além do mais, a banda Yes, com Squire e White, continuava existindo.

"Anderson, Bruford, Wakeman & Howe", o disco, era uma espécie de caldo requentado do que o Yes tinha feito nos anos 70, mas sem nenhuma inspiração, mas teve boa repercussão, a ponto de inspirar uma turnê grande e a possibilidade de um segundo disco.

Steve Howe teve de ter convencido a continuar no projeto, mas ficou irado quando Anderson e os empresários sugeriram uma "união" com o Yes em 1990. 

As duas bandas estavam trabalhando separadamente, e o vocalista e o baixista Squire fizeram novamente as pazes. Não se sabe bem quem teve a ideia esdrúxula, mas quase todos toparam juntar tudo o que estava composto sob o nome Yes em um álbum chamado "Union". 

Pela primeira vez, e por poucos meses, o Yes seria um octeto. Howe foi contra, mas acabou sendo convencido a participar do projeto, que deu certo parcialmente. Em 1992, o Yes quase acabou de novo, mas voltou a ser um quinteto.

A partir de 1995, Trevor Rabin decidiu se dedicar às trilhas sonoras para cinema e saiu do Yes, sendo substituído por Howe de forma definitiva. Nunca mais saiu e acabou se tornando o chefão com a morte de Squire, o que inviabiliza a volta de Jon Anderson.

Frequentemente incluído em listas dos 100 guitarristas mais influentes do rock, Howe divide seu tempo entre o Yes e a carreira solo, que hora se inclina para a folk music, ora para a música erudita e não parece inclinado a voltar a gravar álbuns com trabalho inédito da banda - os dois lançados desde 2008, com os vocalistas Benoit David e Jon Davidson, fracassaram em todos os sentidos e são esquecíveis.

Questionado na Inglaterra se a turnê atual pode ser a última da banda, Howe escorregou e apenas disse que o momento é para desfrutar a possibilidade de revisitar um material "mágico e vigoroso" que se mantém relevante 50 anos depois de sua criação.


Virada Cultural sem virada e sem integração: a depredação de uma boa ideia tem ser responsabilizada

 A Virada Cultural Paulistana 2022 já é um fracasso e será um fracasso porque subverteu dois pilares de sua criação: a ocupação criativa do centro da cidade, que é morto à noite, e a ojeriza à separação em "estamentos", ou seja, exilando as manifestações culturais em bairros mais afastados. 

A grande sacada da Virada sempre foi a integração e a possibilidade de oferecer cultua fácil, boa, em grande quantidade e om acesso fácil. Ou seja, era possível conhecer o diferente e o inusitado andando alguns quarteirões. 

Era fantástico pode assistir a um show raro de Mark Farner, ex-guitarrista e vocalista do Grand Funk Railroad, na avenida São João, e correr em seguida para o Largo do Arouche e se divertir com as atrações musicais bregas, como Sidney Magal.

Ou então andar depressa e pegar as melhores atrações do palco do rap e do hop hop na avenida Duque de Caxias, ou encarar uma peça de teatro no Sesc Consolação ou um evento de música erudita no Teatro Municipal.

A secretária municipal de Cultura de São Paulo, Aline Nunes, tenta fazer coro à "mudança benigna" implantada pelo lamentável prefeito Ricardo Nunes (MDB), que não tem apreço pela cultura, pelas artes e pelo entretenimento, da mesma forma que seus antecessores do PSDB - Bruno Covas e João Doria.

É falacioso que agora a Virada foi "descentralizada e levada à periferia e aos bairros mais distantes". Sempre houve atrações de todos os tipos em toda a cidade, não equipamentos culturais dos bairros mais afastados. 

A questão é que as principais atrações musicais, ao menos, sempre foram espalhadas no centro da cidade por uma questão de praticidade e de facilidade de acesso por transporte público, já que todos os ramais de metrô e dos trens da CPTM (Companha Paulista de Trens Metropolitanos) convergem para a área central - e funcionavam a madrugada inteira. Esse era o grande barato do evento.

Com a absurda e deplorável "descentralização" da atual Virada, destruiu-se uma ideia interessante e oficializou a divisão da cultura em estamentos. O pessoal do rock foi confinado no Butantã e no Jardim Peri Peri. Não terá como ir para o palco do rap na zona sul ou no do funk de tipo carioca na zona leste.

Virada Cultural? Esqueçam, todos os eventos terminarão às 22h ou 23h. Não haverá transporte público de madrugada. As alegações de segurança não se sustentam, já que a Cracolândia sempre existiu na região central e nunca foi entrave para a realização do evento;

A gestão lamentável de inspiração tucana do prefeito Ricardo Nunes depredou aquele que era o evento cultural mais esperado do ano em São Paulo, mesmo depois do retumbante fracasso da ideia de João Doria de confinar as atrações musicais e de outras áreas em locais fechados, como o Complexo do Anhembi e o autódromo de Interlagos.

O atual prefeito vai conseguir tornar a edição de 2022 a pior de todos os tempos - para os roqueiros, já é antes que comece. É uma Virada sem virada e sem integração entre as várias culturas. Será mesmo que essas pessoas que estão na Prefeitura de São Paulo e em sua área da cultura acharam que tudo isso poderia dar certo?

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Música para ver e ouvir: In-Edit 2022volta presencial e com panorama mais amplo

Música para ver e ouvir é o grande clichê para apresentar um dos eventos culturais mais importantes do Brasil na área da música - e também no geral. 

Amplo, diversificado e lotado de boas histórias, o In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical volta de forma presencial trazendo uma leva de filmes que, em parte, exploram os nossos tempos de trevas e pandemias.

 O festival chega a sua 14ª edição com o patrocínio máster de Colombo Agroindústria; patrocínio de Itaú e Spcine / Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura de São Paulo; e realização de In Brasil Cultural, Sesc SP e Secretaria Especial da Cultura / Ministério do Turismo / Governo Federal.

A programação conta com mais de 50 filmes nacionais e internacionais inéditos no circuito comercial, que serão exibidos em salas da cidade, na plataforma do festival e em plataformas parceiras.

Para complementar a programação, o 14º In-Edit Brasil trará ainda encontros, debates e entrevistas com diretores, diretoras e artistas, além de shows exclusivos.  

O evento acontece em São Paulo, de 15 a 26 de junho, de forma híbrida, com sessões presenciais e online.

Clique aqui para ver a lista de filmes nacionais.

Clique aqui para ver a lista de filmes internacionais.

Destaques nacionais na área do rock

Na mostra competitiva, são dois os filmes que merecem uma atenção especial. "As Faces do Mao", de Dellani Lima e Lucas Barbi, já foi fartamente resenhado e elogiado neste Combate Rock. 

Trata-se da trajetória política e artística do professor universitário José Rodrigues Júnior, o "Mao", que também é vocalista e fundador da banda punk Garotos Podres, um dos maiores nomes da música engajada do Brasil. antes de ser um ativista de esquerda, 

Mao é uma personalidade e um intelectual que luta pela democracia e pela promoção irrestrita dos direitos humanos.

Outro destaque é "Manguebit", de Jura Capela, que faz um bom acompanhado histórico do movimento musical que surgiu em Recife (PE) nos anos 90, analisando não só artisticamente como o contexto histórico de seu surgimento.

A Mostra Brasil tem filmes bons que mostram as carreiras do jazzista Ivo Perelman, radicado nos Estados Unidos, e do cantor Sidney Magal, mas o rock explode mesmo no curioso "Queremo róque!", de Jivago Del Claro, que acompanha a história da banda Repolho, que zoa com e todos em uma ode ao bom humor e à sátira.

"Sinal de Alerta: Lory F", de Fredericco Restori, traça um panorama bastante certeiro sobre uma cantora de inspiração punk que foi referência d então música moderna sulista roqueira, mas que infelizmente morreu cedo.

Dois filmes nacionais estão na área internacional e merecem menção. Depois de anos engavetado, finalmente "Brazil Heavy Metal", de Micka Mickaelis, ex-guitarrista e vocalista do Santuário e hoje um renomado publicitário, conseguiu reunir um time estrelado de artistas que fizeram parte da explosão do metal brasileiro dos anos 80. É um documento antológico sobre uma parcela pouco conhecida a música brasileira.

"Quem Kiss Teve" é um trabalho arqueológico importante ao mostrar como foi a passagem do Kiss pela primeira vez em São Paulo, em 1983, consolidando o país como importante mercado para o rock depois das passagens do Queen em 1981 e do Van Halen no comecinho de 1983.

Na época, o videomaker Tadeu Jungle foi à porta do estádio do Morumbi, onde seria realizado o show, para entrevistar o público e fazer um retrato geracional.

Filmes internacionais

Claro que o destaque não poderia ser outro senão "Get Back", de Peter Jackson, retratando a gravação do álbum que viria a ser "Let It Be", dos Beatles. O documentário importante de sete horas já foi devidamente analisado e dissecado aqui no Combate Rock.

"Tina" é outra preciosidade, já que é o registro dos últimos momentos profissionais da cantgora Tina Turner antes da aposentadoria. Há passagens históricas de apresentações dela ao longo de mais de 60 anos de carreira - ela tem 82 anos de idade.

O cantor Ronnie James Dio, morto em 2010, recebeu uma grande homenagem em "Dio: Dreamers Never Die". De crooner de uma banda de doo-wop, nos anos 1950, à lenda do heavy metal, muita coisa aconteceu.

 Neste documentário, dirigido por Don Argott e Damian Fenton passamos por todas estas fases, que incluem as aventuras com Ritchie Blackmore no Rainbow, a substituição de nada mais, nada menos, que Ozzy Osbourne no Black Sabbath, até finalmente formar em sua própria banda.

Para quem gosta de recortes históricos há obras que retratam passagens importantes das trajetórias de artistas como Rick James, Dinosaur Jr e da banda experimental Flaming Lips, embora o mais interessante pareça ser o melhor dessa seara "Nothing Compares".

Centrado em um período de cinco anos (1987-1992), o filme conta a vida da cantora irlandesa Sinéad O’Connor, que teve uma ascensão meteórica nos anos 1980 mas que caiu em desgraça depois de ter rasgado publicamente uma foto do Papa João Paulo II, em protesto aos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica.


Serviço:

In-Edit Brasil - 14º Festival Internacional do Documentário Musical

De 15 a 26 de junho

www.in-edit-brasil.com

In-Edit - Filmes Brasileiros

PANORAMA BRASILEIRO



Competição Nacional



Alan

(Daniel Lisboa e Diego Lisboa (Irmãos Lisboa) | Brasil | 2022 | 92’)


Alan é um rapper que vive em Salvador e que tenta mostrar seu trabalho invadindo o palco de outros artistas. Ao mesmo tempo que busca uma chance para viver de sua arte, ele tenta escapar da miséria e da criminalidade.



As faces do Mao

(Dellani Lima e Lucas Barbi | Brasil | 2021 | 78’)


José Mao Rodrigues Jr é líder da mítica banda Garotos Podres. Além disso, é professor universitário, militante político e anarquista. Aqui, vemos o pensamento que une todas essas faces.



A Música Natureza de Léa Freire

(Lucas Weglinski | Brasil | 2022 | 99’)


Léa Freire começou sua carreira tocando na noite paulistana e acabou se tornando uma das principais compositoras do país, misturando jazz, música erudita e popular, chegando a ser comparada a Tom Jobim, Villa-Lobos e Hermeto Pascoal.



Belchior - Apenas um Coração Selvagem

(Natália Dias e Camilo Cavalcanti | Brasil | 2022 | 90’)


Um dos artistas mais amargurados e misteriosos do Brasil explica sua arte, através de diversos depoimentos dados ao longo de sua carreira.


Cafi

(Lirio Ferreira e Natara Ney | Brasil | 2021 | 75’)


Carlos da Silva Assunção Filho, o Cafi, mesmo sem ser músico tem seu nome marcado na história da música brasileira. Fotógrafo, é dele a foto que está na capa do álbum “Clube da Esquina”, entre tantas outras que se tornaram clássicas. No filme, ele e amigos contam sobre sua (boa) vida e sua arte.


Manguebit

(Jura Capela | Brasil | 2022 | 101’)


Um dos últimos grandes movimentos musicais do Brasil é esquadrinhado aqui desde sua origem até suas reverberações. Seus criadores, companheiros e herdeiros reviram seus arquivos para contar como tudo aconteceu.


MOSTRA BRASIL


Bandoneando - A Busca pelos bandoneonistas negros da Campanha Gaúcha

(Diego Müller | Brasil | 2021 | 105’)


Um roadmovie que busca identificar personagens esquecidos na música: negros que colaboraram na introdução e divulgação do bandoneón na cultura gaúcha.


Castanheiro do Forró

(Alfredo Bello | Brasil | 2021 | 37’)


Castanheiro é um dos principais nomes na divulgação do forró na cidade com maior número de nordestinos no Brasil, São Paulo. Gerente de um dos maiores salões de forró da cidade, diretor de programação da Rádio Atual e músico (tocou e gravou durante anos com Luiz Gonzaga e outros grandes nomes), ele tem muita história para contar.


Cine Rabeca

(Marcia Mansur | Brasil | 2022 | 59’)


“Cine Rabeca” é uma performance multimídia, um cine-concerto e um documentário que se expande para o palco. Em cena, os músicos Luiz Paixão e Renata Rosa fazem um reencontro cinematográfico com suas trajetórias, improvisam toadas com suas rabecas e se recriam nas lembranças.



Ivo Perelman - A Musical Storyteller

(Leonel Costa Brasil | 2020 | 63’)


Ivo Perelman é um músico de jazz brasileiro que vive há muitos anos nos Estados Unidos, onde é mais conhecido. Neste filme, ele conta, com naturalidade, alguns de seus sucessos e fracassos.


Lenha, Brasa e Bronca: A História de Jacildo e Seus Rapazes

(Dennis Rodrigues | Brasil | 2021 | 96’)

Jacildo e Seus Rapazes foi uma garage band dos anos 60 surgida em Cuiabá. Com seu som único, foi uma das responsáveis pela difusão do gênero nas regiões Centro-Oeste e Norte do país. Ex-integrantes, amigos e parentes nos contam como foi essa improvável aventura musical.



Me Chama Que Eu Vou

(Joana Mariani | Brasil | 2021 | 73’)


O Brasil não passou imune a Sidney Magal. Sex symbol, entertainer e cantor, ele atravessou gerações, com canções que pertencem ao imaginário popular.



Queremo róque!

(Jivago Del Claro | Brasil | 2021 | 83’)


Tirando sarro de tudo, de todos, inclusive de si própria, a banda Repolho tem mais de trinta anos de estrada e mesmo ignorando alguns detalhes, como afinação de guitarra, conseguiu fãs improváveis, como Tom Zé, Júpiter Maçã e Los Hermanos.



Tambores da Diáspora

(João Nascimento | Brasil | 2021 | 73’)


Uma investigação musical e antropológica sobre as origens e trajetórias do tambor, desde a África até o Brasil. Músicos e pesquisadores falam sobre temas como racismo cultural, a construção dos atabaques, tecnologia e tradição.


Curta Um Som

A Orquestra das Diretas

(Caue Nunes | Brasil | 2022 | 20’)


O ano era 1984 e a sociedade brasileira clamava pela volta à democracia e fim do regime militar. Liderada pelo maestro Benito Juarez, a Orquestra Sinfônica de Campinas participou de vários comícios da Diretas-Já, mostrando que, quando necessário, o artista deve se posicionar.


As Canções de Amor de uma Bixa Velha

(André Sandino Costa | Brasil | 2020 | 22’)


Enquanto se prepara para seu novo espetáculo, Marcio Januário reflete sobre a condição de homem negro, gay e de terceira idade.



Berimbauzeiro

(Marco Poglia, Magnólia Dobrovolski e Mário Saretta | Brasil | 2021 | 20’)


No interior do Rio Grande do Sul, Mestre Churrasco realiza diversos experimentos sonoros, a partir de berimbaus não-convencionais, construídos por ele mesmo.



Da Boca da Noite à Barra do Dia

(Tiago Delácio | Brasil | 2021 | 18’)


Na Zona da Mata de Pernambuco, sonho e realidade se misturam. Entre plantações de cana-de-açúcar, cores, danças, teatro e música revelam um passado não tão distante, em um jogo que começa à noite e termina no amanhecer.



Endless Love

(Duda Gambogi | Brasil | 2020 | 20’)


Cantores e cineastas amadores se encontram nos karaokês do Rio de Janeiro. Esses encontros são filmados, imaginados e costurados pelas canções infinitas que os motivaram.



Geruzinho

(Juliana Teixeira, Luli Morante e Rafael Amorim | Brasil | 2022 | 14’)


Os irmãos Dingo Bala, Mestre Nenê, Niquimba e Nego Dadá formaram o bloco afro Descidão dos Quilombolas, na periferia de Aracaju. Aqui eles falam sobre a importância dos tambores na conexão entre os negros e sua ancestralidade.



Hoje Estamos Aqui: Breve História de um Sound System Amazônico

(Darien Lamen | EUA/Brasil | 2021 | 20’)


Milton Almeida do Nascimento foi um dos pioneiros na construção da aparelhagem, marca icônica na música amazônica. Seus filhos contam sua história e como lutam para preservar sua memória.



Passar Uma Chuva

(Aron Miranda e Cassandra Oliveira | Brasil | 2020 | 18’)


“Passar uma chuva” é um ditado comum do Amapá, e se refere a pessoas que vieram para essas terras apenas de passagem. O violonista Nonato Leal, reflete sua música e vida, em uma chuva que já dura sete décadas.



RAP - Revolução Através da Palavra

(Washington Deoli | Brasil | 2021 | 21’)


Thaíde, MC Soffia, Rappin’ Hood entre outros refletem sobre como o gênero é um espaço de fortalecimento da construção de narrativa e instrumento de registro para a trajetória da população negra.



Sinal de Alerta: Lory F:

(Fredericco Restori | Brasil | 2021 | 18’)


Nome festejado no underground gaúcho, Lory F teve uma carreira meteórica e muito curta. Com registros em VHS e fitas k7, o filme conta sobre sua vida, com o auxílio de amigos, parentes e o filho.



Sobre Pardinhos e Afrocaipiras

(Daniel Fagundes | Brasil | 2021 | 27’)


Uma investigação sobre as influências indígenas e negras na música caipira.


FILMES BRASILEIROS INCLUPIDOS NA LISTAGEM INTERNACIONAL

Brasil Heavy Metal


Depois de ter figurado nas listas dos documentários mais esperados do ano por quase uma década, “Brasil Heavy Metal” ficou pronto para contar a história do gênero por estas terras. Nesse longa, o diretor Ricardo Michaelis, o Micka, faz uma bela homenagem ao início do heavy metal no país (1980-1989) e evoca todos os deuses do metal nacional para a atualidade. Com a clareza de quem sabe a história que vai contar, Micka, que foi guitarrista da banda Santuário e viveu a gênese desse período, recorre a um vasto material de arquivo e entrevistas para ilustrar a história de dois adolescentes que descobrem na música um novo estilo de vida.


Quem Kiss Teve


Em junho de 1983, a banda Kiss veio para a sua primeira turnê pelo Brasil. Na época, o videomaker Tadeu Jungle foi à porta do estádio do Morumbi, onde seria realizado o show, para entrevistar o público e fazer um retrato geracional. O resultado é um filme divertido, cheio de momentos de humor involuntário, mas que mostra uma nova juventude que já não sentia o peso da ditadura nos ombros, mas também ainda não conhecia a democracia. 



Serviço:

In-Edit Brasil - 14º Festival Internacional do Documentário Musical

De 15 a 26 de junho

www.in-edit-brasil.com

@ineditbrasil

 

In-Edit - filmes internacionais

LISTA DE FILMES INTERNACIONAIS


Anonymous Club


Courtney Barnett é um dos grandes nomes do rock independente atual, mas não é muito de badalações e entrevistas. Mesmo assim, ela aceitou gravar depoimentos em áudio como se fosse um diário pessoal para seu amigo e cineasta Danny Cohen. E permitiu que ele estivesse por perto com uma câmera 16mm para registrar seus momentos solitários. Com acesso íntimo e sem precedentes à vida privada de Courtney, este documentário segue uma artista introvertida que, mesmo no auge do sucesso, está a ponto de largar a carreira.


Delia Derbyshire: The Myths and the Legendary Tapes


Entre o documentário e a ficção, o filme conta a história da matemática e compositora Delia Derbyshire, uma das pioneiras da música eletroacústica.Trabalhando no laboratório radiofônico da BBC, Delia criou sons que mais tarde seriam ícones da cultura pop, como a música tema da mítica série "Doctor Who".
Reverenciada por artistas como Paul McCartney, Jimi Hendrix, Aphex Twin, Chemical Brothers e Orbital, Delia teve uma carreira cheia de bifurcações que a levaram a situações inusitadas. Para a trilha sonora, Cosey Fanni Tutti (Throbbing Gristle) remixou gravações alucinadas tiradas de uma caixa de cereais.


I Get Knocked Down


Dunstan Bruce, vocalista da banda anarco-pop Chumbawamba, está desiludido com o mundo que pouco a pouco vai indo pelo ralo. Aos 59 anos e prestes a se aposentar, Dunstan é visitado pelo fantasma de seu passado anarquista - seu alter ego “Babyhead” - que o obriga a questionar sua própria existência, enviando-o em busca de suas raízes. Lembrado por seu único hit “Tubthumping”, praticamente onipresente na programação da MTV nos anos 1990, Dunstan conversa com amigos, companheiros de banda, velhos anarquistas (como Penny Rimbaud da banda Crass) para tentar entender o que aconteceu com seu entorno. “I Get Knocked Down” é um chamado à ação para aqueles que acreditam que somente com um tweet podem arrumar o mundo.


Getting It Back: The Story Of Cymande


Se você ainda não conhece Cymande, corra para escutá-los. Se você já conhece, certamente é fã.



Formada em Londres por músicos vindos de ex-colônias britânicas, a banda Cymande mistura funk, soul, reggae, rock, música africana, calypso, jazz e o que mais aparecer para encher de groove as nossas vidas. Suas canções foram sampleadas por artistas como Fugees, Wu-Tang Clan e De La Soul. Aqui eles contam sua história e como ainda são cultuados depois de quase 50 anos.



I’m Wanita


Wanita se autodefine como a “Rainha do Honky Tonk australiano” mas está convencida de que não alcançou o sucesso desejado porque nunca trabalhou com grandes produtores. E nem gravou nos míticos estúdios americanos. Para resolver este incômodo, ela junta um dinheiro e decide produzir por conta própria as tão sonhadas gravações. Este road movie trepidante nos traz momentos cômicos mas também de uma beleza comovente. Como se tudo isso já não fosse suficiente, o marido de Wanita, um turco super conservador e careta, está lhe esperando em casa.


Lydia Lunch: The War Is Never Over



Se você quer treta, aqui tem um montão. Lydia Lunch tem uma história de vida de tirar o fôlego de qualquer assistente social. Abusada pelo pai, fugiu de casa ainda adolescente para cair nas ruas da Nova York do final dos anos 1970. Sexo, drogas, poesia e fúria contra o patriarcado fazem parte do universo de uma artista multifacetada e que já colaborou com gente como Sonic Youth, Nick Cave, Marc Almond, entre outros. Com um copo em uma mão e um cigarro na outra, ela conta sem censura como sobreviveu a tudo isso e a todos estes anos.


Rewind and Play


Antes de abandonar os palcos por problemas neurológicos em 1972, Thelonious Monk fez sua última apresentação três anos antes, em Paris. Na ocasião, após o show, Monk se dirigiu para um canal de televisão francês onde seria entrevistado e tocaria algumas músicas. Devido a sua situação mental, o programa não chegou a ser exibido. Monk fala pouco, se expressa com um mínimo de palavras e não consegue desenvolver um papo fluente com o jornalista, mas sua capacidade musical ainda está intacta. Este é o registro do ocaso comovente de um gênio que pouco a pouco nos deixava.


No Ordinary Man


Dorothy Tipton era uma pianista de jazz de grande talento, mas não conseguia o reconhecimento que merecia. Só passou a ser respeitada neste universo quando começou a usar roupas masculinas, falar como homem e adotar o nome de Billy. Assim, como Billy Tipton, tocou nos melhores clubes dos Estados Unidos, colaborou com grandes nomes do gênero, gravou discos e viveu da maneira que sempre sonhou. Uma história inusitada que só foi revelada após sua morte.


A-ha: The Movie


Os diretores Thomas Robahm e Aslaug Holm mostram o que o estrelato fez com as vidas de Morten Harket, Magne Furuholmenen e Pål Waktaar-Savoy da banda norueguesa a-ha. Usando material de arquivo, entrevistas recentes e animações, o filme conta desde a explosão gradual de “Take On Me” até os dias de hoje. Uma banda que não cultua a amizade entre seus integrantes, muito menos as boas relações com os meios de comunicação, mas que busca obsessivamente o reconhecimento da indústria.



Other, Like Me: The Oral History of COUM Transmissions and Throbbing Gristle


Esta é uma das histórias mais fascinantes da música alternativa na segunda metade do século 20: a evolução de COUM Transmissions e seu projeto subsequente Throbbing Gristle. Das ocupações em prédios industriais no final dos anos 1960 até se tornarem uma referência para milhares de pessoas no mundo inteiro, sua trajetória tem de tudo. Pornografia, violência, drogas, caos, sintetizadores, muita provocação e altos decibéis. A partir de entrevistas recentes, seus membros lembram das glórias, dos arrependimentos e das brigas que os levaram à separação.



El Niño de Fuego


Aleixo Paz é conhecido como “El Niño de Fuego”. Sobrevivente de um trágico acidente que destruiu sua vida e a de sua família, Aleixo está prestes a completar 18 anos. Sem trabalho nem estudos, vive trancado na escuridão de seu quarto, consumido pela dor e pela raiva. Sua única esperança é escrever canções para um público imaginário. Graças à inspiração de um amigo e ao apoio incondicional de sua mãe, ele reúne forças para subir ao palco e deixar para trás o medo de viver. Sua redenção através do Hip Hop está apenas começando.


Flaming Lips - Space Bubble Film



A pandemia de Covid-19 nos obrigou a nos reinventar. E quando reinventar-se é a ordem do dia, a banda Flaming Lips joga duro e joga em casa. Para voltar a fazer shows durante o maior caos sanitário vivido nos últimos 100 anos, mas sem colocar seus integrantes e fãs em perigo, a banda inventou o Space Bubble Show onde todos os presentes ficam comodamente guardados em bolhas de plástico para evitar o contágio do vírus. Sem dúvida um dos momentos mais celebrados dos últimos dois anos no mundo da música pop.



Freakscene: The Story of Dinosaur Jr.



É impossível entender o noise-pop dos anos 1990 sem levar em conta a parede sonora do Dinosaur Jr. Coproduzido pela própria banda, este documentário repassa disco a disco os mais de 30 anos de carreira do grupo liderado pelo obsessivo J. Mascis. Um filme repleto de imagens de arquivo inéditas, que acompanha a trajetória do Dinosaur Jr., influência capital para milhares de músicos no mundo e um dos ícones de seu tempo. 


Crestone 


Este é o retrato alucinado e apocalíptico de um coletivo de “SoundCloud rappers” que decidiu se isolar no deserto do estado de Colorado, nos Estados Unidos. Plantando maconha, compondo e soltando suas rimas gratuitamente na internet, eles passam seus dias com pouca comida e quase nenhum dinheiro. Crestone é uma experiência cinematográfica digna de tela grande que nos revela uma novíssima geração de MCs e produtores.



Nothing Compares 


Centrado em um período de cinco anos (1987-1992), o filme conta a vida da cantora irlandesa Sinéad O’Connor, que teve uma ascensão meteórica nos anos 1980 mas que caiu em desgraça depois de ter rasgado publicamente uma foto do Papa João Paulo II, em protesto aos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica. De voz aguda e temperamento forte, Sinéad mudou radicalmente a figura da mulher no rock ao raspar sua cabeça, usar roupas masculinas e soltar frases polêmicas ao se referir à moral e aos bons costumes britânicos. Utilizando imagens de arquivo e a voz da própria cantora como narradora, a diretora Kathryn Ferguson resgata essa trajetória de um ponto de vista abertamente feminista.



Bitchin’: The Sound and Fury of Rick James



A trepidante e assombrosa vida do multifacetado artista Rick James. Rei dos grooves e das rádios, ele começou sua carreira no Canadá com ninguém menos que Neil Young, mas teve que largar a banda porque fugiu dos Estados Unidos para não servir o exército e não pôde excursionar. De roqueiro à estrela da Black Music, foi graças a ele que o selo Motown evitou a falência. Revitalizou o funk e levou seu hit “Super Freak” ao posto de um dos mais sampleados de todos os tempos. Mc Hammer concorda.


Tina


Tina Turner se despede da vida pública com este relato íntimo e revelador sobre sua vida e sua carreira. 
Com mais de meio século de estrada, Tina viveu o desamor na infância, a violência do marido e companheiro de palco Ike Turner durante anos. E o abandono de amigos e colaboradores quando decidiu fugir desses abusos e tocar a vida. Aos 80 anos, ela relembra essas histórias e de como deu a volta por cima. E se manteve por lá. 


The Unicorn


Peter Grudzien é um músico outsider cujo único feito musical importante é ter gravado o LP “The Unicorn”, possivelmente o primeiro álbum country abertamente gay. O filme documenta a vida atual de Peter, que tenta se esquivar de sua doença mental e do caos de sua casa e sua família, para encontrar refúgio no mundo criativo da música.


Já Estou Farto!


Retrato intimista do músico João Pedro Almendra, ex-vocalista da banda punk Peste & Sida, contado em primeira pessoa. Passados 50 anos, Almendra fala do bairro de Alvalade, em Lisboa, onde cresceu e mora, para contar a sua história e também do underground português. Complementada por quem o acompanhou ao longo da sua carreira musical desde os idos dos anos 1980, a narrativa inclui testemunhos de amigos, familiares, músicos e radialistas que ajudam a compreender a força musical do artista e sua relevância na cena lusitana. 


Cesária Évora


Cesária Évora colocou Cabo Verde definitivamente no mapa musical do mundo. Com sua voz grave e suave, Cesária saiu da pobreza para os palcos dos mais renomados teatros do planeta. Como em um conto de fadas. Aqui, a diretora Ana Sofia Fonseca usa apenas imagens de arquivo inéditas para contar uma história de luta e sucessos que buscava um único sonho: ser livre.


Meu Caro Amigo Chico


Em 1974, Chico Buarque compôs “Tanto Mar” em homenagem à Revolução dos Cravos, em Portugal, que pôs fim à ditadura de Salazar e devolveu a democracia ao país. Na letra, Chico menciona as sementes que ficaram espalhadas no jardim em referência aos frutos que este movimento daria à sociedade portuguesa. A cineasta Joana Barra Vaz foi ao encontro desta sementes e traz esse documentário musical em forma de carta, através de canções e testemunhos, esboçando um retrato de Portugal nos dias de hoje.



Studio 17: The Lost Reggae Tapes



O Studio 17 ficava localizado acima da loja de discos Randy's no coração da capital Kingston, na Jamaica. Fundado no final dos anos 1950, o estúdio se tornou ponto de encontro da revolução musical que estava acontecendo no país após a independência em 1962. Lá, Bob Marley & the Wailers, Lee “Scratch” Perry, Peter Tosh, Gregory Isaacs, The Skatalites, entre tantos outros, fizeram gravações históricas. Mas as fitas se perderam quando os donos fugiram para Nova York nos tempos em que a violência na cidade aumentou. O filme segue os herdeiros da família tentando encontrar esse material perdido e reivindicar sua propriedade.


The Conductor


Retrato da genial regente Marin Alsop que, entre outras proezas, colocou a Orquestra do Estado de São Paulo (Osesp) entre as mais respeitadas do mundo. Com uma firme postura antielitista, esta aluna de Leonard Bernstein (que a adorava), conta aqui a sua história e seus desafios para que cada vez mais as mulheres levem a batuta. Uma mulher forte, de ideias claras e um talento vigoroso.



The Beatles - Get Back


Sem dúvida a série de documentário musical mais importante do momento é “Get Back”, de Peter Jackson. A partir das imagens realizadas em 1969 que registraram os Beatles no estúdio, o diretor neozelandês utilizou inteligência artificial para recuperar o material e deixá-lo perfeito para nossos olhos e ouvidos do século 21. Neste corte especial e exclusivo, o diretor conta todos os detalhes desta produção que termina com o show completo no telhado do prédio da gravadora Apple. 


Brasil Heavy Metal



Depois de ter figurado nas listas dos documentários mais esperados do ano por quase uma década, “Brasil Heavy Metal” ficou pronto para contar a história do gênero por estas terras. Nesse longa, o diretor Ricardo Michaelis, o Micka, faz uma bela homenagem ao início do heavy metal no país (1980-1989) e evoca todos os deuses do metal nacional para a atualidade. Com a clareza de quem sabe a história que vai contar, Micka, que foi guitarrista da banda Santuário e viveu a gênese desse período, recorre a um vasto material de arquivo e entrevistas para ilustrar a história de dois adolescentes que descobrem na música um novo estilo de vida.


Quem Kiss Teve


Em junho de 1983, a banda Kiss veio para a sua primeira turnê pelo Brasil. Na época, o videomaker Tadeu Jungle foi à porta do estádio do Morumbi, onde seria realizado o show, para entrevistar o público e fazer um retrato geracional. O resultado é um filme divertido, cheio de momentos de humor involuntário, mas que mostra uma nova juventude que já não sentia o peso da ditadura nos ombros, mas também ainda não conhecia a democracia. 


DIO Dreamers Never Die


A vida de Ronnie James Dio é peculiar. De crooner de uma banda de doo-wop nos anos 1950 à lenda do heavy metal, muita coisa aconteceu. Neste documentário, dirigido por Don Argott e Damian Fenton passamos por todas estas fases, que incluem as aventuras com Ritchie Blackmore no Rainbow, a substituição de nada mais, nada menos, que Ozzy Osbourne no Black Sabbath, até finalmente formar em sua própria banda. Generoso e simpático, Dio era amado por todos que o conheciam mas guardava consigo as dores causadas pela morte e pela traição. 


Rock Camp - The Movie


O mundo do heavy metal está cheio de músicos amadores que se dedicam com afinco a copiar seus ídolos. Bandas covers (sejam de uma única banda ou de repertório variado) se multiplicam pelo planeta. No Rock and Roll Fantasy Camp gente de todas as partes vem para aprimorar sua técnica com seus ídolos. Paul Stanley, Roger Daltrey, Jeff Beck, Dave Mustaine, Rob Halford, são algumas das estrelas que já passaram pelo acampamento de verão para ensinar seus truques para os participantes.


Murder in the Front Row: The San Francisco Bay Area Thrash Metal Story


Se podemos dizer que o thrash metal tem um berço, sem dúvida será a região de San Francisco Bay Area. Metallica, Megadeth, Exodus, Anthrax, Testament e Slayer saíram de suas garagens para tomar o mundo com guitarras rascantes, riffs complexos e letras politizadas herdadas do punk. Uma história que passou a se repetir ao redor do mundo, onde adolescentes de bairro se juntam para fazer um som rápido, pesado e ameaçador. Mas, no final, o que realmente importa é a amizade. 


A Heavy Metal Civilization


Já pensou num país que tenha o heavy metal oficialmente como parte de seu patrimônio cultural? Pois este lugar existe e se chama Finlândia, um lugar que tem mais de 50 bandas de metal para cada 100.000 habitantes. “A Heavy Metal Civilization” é mais do que um filme sobre o heavy metal finlandês, é a história contada por quem fez. Aqui, vários dos maiores nomes do gênero compartilham seus pontos de vista sobre sociedade, religião, política e como uma subcultura underground se tornou um importante embaixador da cultura local.


The Forbidden Strings


Quatro jovens imigrantes afegãos no Irã formaram uma banda de rock que nunca teve permissão para se apresentar. Agora eles têm a chance de tocar ao vivo pela primeira vez em sua terra natal, através a convite de um festival. Mas para chegar lá eles precisam passar por uma área dominada pelo Talibã e por zonas em conflito bélico.


Until the Light Takes Us


Eis o lendário documentário que conta um pouco das origens do black metal norueguês e suas circunstâncias (ainda) mais obscuras. Entre uma onda de queima de igrejas em diferentes localidades, rituais satânicos, brigas e traições, o baterista Leif Gylve "Fenriz" Nagell da banda Dark Throne e Varg Vikernes do Mayhem - que passou mais de uma década atrás das grades pelo assassinato do guitarrista Øystein "Euronymous" Aarseth - contam suas histórias. Um retrato duro, cheio de inveja, insanidade e crueldade.