quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Velhas Virgens escolhem uma amazonense como nova vocalista

Após cerca de um mês de um concurso-relâmpago por meio do Instagram e das redes sociais, contando com dezenas inscrições que geraram sete semifinalistas e três finalistas, a banda Velhas Virgens escolheu sua nova vocalista: a "gamer" nascida no Amazonas Ana Paula "Ony" Pessoa, de 33 anos. A decisão ocorreu no palco, ao vivo, ao final do show realizado no último dia 22 de setembro, no Carioca Club, em São Paulo.

O concurso contou com candidatas dos quatro cantos do Brasil, incluindo Minas Gerais, Paraná, Amazonas, Bahia e São Paulo. Na grande final, as três performers cantaram solo músicas clássicas do repertório de 36 anos das Velhas Virgens.

A primeira a soltar a voz foi Ana Paula "Ony" Pessoa, com "Beijos de Corpo" (gravada originalmente no disco "Vocês não sabem como é bom aqui dentro", 1997, tendo na época a participação vocal de Rita Lee). 

Na sequência, foi a vez da mineira Barbara Rosa, de Cambuí, com "A mulher do diabo" (também do disco "Vocês não sabem como é bom aqui dentro" de 1997, contando naquela oportunidade com a participação vocal de Roger Rocha Moreira, do Ultraje a Rigor). 

Por fim, foi a vez da morena de Caraguatatuba Lenis Oliveira mandar "Só pra te comer", do primeiro disco da banda, de 1995, "Foi bom pra vc".

Após uma apresentação baseada na turnê "O bar me chama", do disco do mesmo nome que foi finalista do prêmio Grammy Latino em 2021, as Velhas Virgens foram para o camarim a fim de analisar as performances ao vivo das três candidatas e definir a vencedora. 

E o anúncio teve "requintes de crueldade", uma vez que a banda voltou para o bis sem avisar às candidatas quem era vencedora. 

Após duas canções, chegou a hora de tocar "Abre essas pernas", música com vários milhões de execuções em redes sociais e a favorita das casas de tolerância de norte a sul do Brasil. Só então, próximo do início da canção clássica, Ana Paula "Ony" Pessoa foi convidada a juntar-se aos músicos para cantar pela primeira vez como nova vocalista do grupo.

Para fechar com chave de ouro, a banda ainda convidou as sete semifinalistas e mais algumas concorrentes presentes para uma canja apoteótica final ao som de "A minha vida é o rock'n'roll", hit arrasa quarteirão da lendária banda "Made in Brazil".

A canção foi regravada como homenagem das Velhas Virgens em seu disco de estreia em 1995, que contou na época com a participação vocal de ninguém menos que o próprio Oswaldo Vecchione, baixista e vocalista do Made in Brazil.

"Ony"i substituir Juliana Kosso, que ficou 15 anos na banda, e fará sua estreia no dia 7 de outubro na Oktoberfest de Batatais (SP).

Primavera Sound anuncia detalhes da edição de 2023

O Primavera Sound São Paulo, anuncia datas, locais, atrações e como garantir ingressos para o Primavera na Cidade, evento que antecede o festival, em casas de shows espalhadas pela cidade de São Paulo e que proporciona a experiência completa do Primavera Sound. O Primavera na Cidade é um compromisso do Primavera Sound em celebrar a música para além dos grandes palcos que farão parte do festival, no Autódromo de Interlagos.

O Primavera na Cidade contará com 11 atrações divididas nos palcos do Cine Joia e Audio. Além de impulsionar novos talentos e promover a diversidade na música, a iniciativa do Primavera na Cidade contribui com a democratização do acesso à cultura com shows de artistas nacionais e internacionais em casas de shows menores espalhadas por São Paulo.

"Em suas duas décadas de história, o Primavera Sound tornou seu compromisso com shows locais uma de suas marcas registradas. Não virar as costas para o circuito musical das cidades onde é realizado é um gesto de coerência para um festival urbano" explica Joan Pons, Head de Comunicação do Primavera Sound.

"Por isso, tornou-se uma tradição que os principais dias do evento sejam prolongados e complementados com o programa Primavera na Cidade, que leva a celebração do Primavera para locais de pequena e média capacidade, onde as apresentações ganham uma distância diferente," finaliza.

Na abertura, em 29 de novembro, Black Midi sobe ao palco do Cine Joia para celebrar o rock alternativo. Formada em Londres, a banda é uma das maiores revelações do rock experimental e se prepara para voltar ao Brasil acompanhada pela banda Pluma, que traz referências do Jazz, rock psicodélico e dream pop a características do indie pop. 

A noite seguinte traz para o Cine Joia a banda Slowdive, responsável por solidificar e trazer o subgênero shoegaze de volta para os holofotes. Não à toa, o grupo vem se apresentando como headliner de grandes festivais de música. Já a nacional Terraplana é um dos nomes de destaque do shoegaze brasileiro e indie rock, formada em 2017 na cidade de Curitiba, no estado do Paraná.

O Primavera na Cidade também trará shows exclusivos de Seun Kuti & Egypt 80, grupo liderado pelo filho de Fela Kuti, pai e criador do afrobeat, e de dois artistas brasileiros que juntos celebram a cultura preta em sua essência: Carlos do Complexo DJ, carioca e um dos nomes de produtores que se destacaram nos anos 2010 por mesclar a música eletrônica pelo prisma do funk, além de Bia Ferreira, artista brasileira que já lota shows no exterior e ainda tem um vasto horizonte na cena local. 

Metric e Lucrecia Dalt foram os nomes escolhidos para se apresentar no dia 1º de dezembro no Cine Joia. Metric, banda canadense de rock alternativo, volta ao Brasil com o recente disco Formentera II, enquanto a colombiana Lucrecia Dalt se apresenta em São Paulo pela primeira vez, com sua música experimental eletrônica. Ambos são atrações exclusivas do elenco do Primavera na Cidade. 

O terceiro e último dia de Primavera na Cidade, 1º de dezembro, traz também a essência indie do Primavera Sound. Róisín Murphy com discos aclamados pela imprensa especializada e que enche turnês pelo mundo tocará em uma casa para 2 mil pessoas, a Áudio, algo inimaginável para uma artista que está à margem do mainstream porque faz questão de estar na frente do que é pop, misturando referências de disco music, de jazz e outras invencionices. 

Em seguida, com Luiza Lian, a noite saideira do Primavera na Cidade traz a potência do pop alternativo brasileiro. Por fim, o Primavera na Cidade se despede com o DJ Playero, figura chave para o reggaeton dos anos 90, com um set quentíssimo.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Documentário restaurado inicia as celebrações dos 40 anos do primeiro álbum dos Ratos de Porão

 Uma surpresa mais do que ótima tomou conta dos fãs de punk rock e música pesada neste ano de 2023: ás vésperas da celebração dos 40 anos do lançamento do álbum "Crucificados pelo Sistema", os Ratos de Porão recuperaram e restauraram para HD, com a ajuda da inteligência artificial, o documentário importante "Guidable - A Verdadeira História dos Ratos de Porão". O documentário está disponível o YouTube. O álbum completa quatro décadas n ao que vem.

Guidable é uma gíria interna da banda que significa algo como "sei lá", ou algo que e de difícil definição em determinadas situações. E ilustra bem a acidentada - e vitoriosa - carreira de uma das bandas mais importantes do rock brasileiro e que tem fama mundial.

Dirigido por Fernando Rick e Marcelo Appezzato, o documentário traz uma constelação de estrelas do punk rock e do heavy metal brasileiros que dão um panorama completo dos dois subgêneros no Brasil a partir de 1979. 

Lançado em 2008, tem os depoimentos de todos os integrantes e ex-integrantes vivos até aquele ano - que marcou uma segunda cirurgia complicada realizada pelo vocalista João Gordo. 

As histórias de como eram os shows toscos, as turnês mambembes pela Europa e as dificuldades para e gravar rock pesado nos anos 80 são corroboradas por depoimentos de músicos muito importantes, como Rédson (guitarrista e vocalista do Cólera, morto em 2011), Clemente Nascimento (Inocentes e Plebe Rude), Andreas Kisser (Sepultura), Iggor Cavalera (ex-Spultura e atual Cavalera Cospiracy), Marcello Pompeu e Dick Siebert (vocalista e baixista do Korzus respectivamente), entre outros.

São duas horas de boas histórias, mas que deixa um pouco a desejar para falar justamente daquele que é considerado o mais importante álbum dos Ratos de Porão e, de certa forma, do punk nacional - o grupo foi o primeiro punk a conseguir a gravar sozinho um LP completo.

A impressão que dá nos depoimentos coletados entre 2006 e 2007 é que João Gordo e o guitarrista e fundador Jão não tinham a dimensão da importância do trabalho para a música brasileira como um todo.

Mingau (baixio, o mesmo que hoje integra o Ultraje a rigor e luta pela vida depois de ser baleado; sairia ainda em 1984-) foi mais incisivos e deram o devido tratamento á obra ao comentar sobre as gravações e a repercussão do disco no underground brasileiro.

Por incrível que pareça, rock ainda era uma novidade nos anos 80 no Brasil, e principalmente nos estúdios de gravação. Rock pesado era ainda mais raro, e mais ainda o punk rock, que estava morto no mundo todo em 1983.

"Crucificados pelo Sistema" foi um álbum vitima desse "pioneirismo" na produção musical deste país ainda em plena ditadura militar, que caminhava para o fim.

No documentário, Jão comenta como era difícil fazer produtores e técnicos de som entenderem como era o som punk pesado. "Quando eu ligava a guitarra e começava a tocar, todo mundo saía correndo. Eles não tinham ideia do que era distorção e que ela tinha de ser gravada", contou a respeito de como os produtores "recebiam" aquela avalanche sonora.

Betinho também comentou como era difícil timbrar e gravar as baterias tocadas em alta velocidade. "Ninguém tinha experiência nisso no Brasil. Aquilo tudo era violento, tosco, agressivo e muito barulhento para eles. Uma caretice só. Não me lembro de esforços para aprender por parte de quem nos gravou." 

Betinho gravou as músicas do compacto "Sub" e saiu antes de entrar em estúdio para gravar o "Crucificados". Foi substituído por Jão, que era o vocalista, sendo substituído por João gordo.

Gravado em pouco tempo e de forma precária, "Crucificados pelo Sistema" certamente pecou pelo pioneirismo, mas, por isso mesmo, ainda hoje é referência em som agressivo e extremo. 

A tosqueira acentuou a agressividade e a violência sonora praticamente inaugurando o crossover hardcore/thrash metal, subgêneros que nasciam também naquele ano mágico de 1983 - ano em que o Metallica deu forma ao thrash com seu disco de estreia, "Kill'Em All".

Jão e João Gordo meio que desdenham de tal pioneirismo, refutando a ideia de que sabiam o que estavam fazendo. "Mal sabíamos tocar. Queríamos fazer algo diferente e violento, não tínhamos ideia se era revolucionário", diz o guitarrista, que foi baterista também da banda, além de vocalista por um curto período antes da entrada de João Gordo.

Eles também não sabiam que estavam cada vez mais "adernando" para o lado do heavy metal. Dá para perceber isso em quase todo o álbum de estreia, mas a coisa ficou mais séria mesmo depois que a banda quase acabou por conta de um longo hiato em 1984 - "Eu dei uma sumida mesmo, queria entender o que estava acontecendo", admite Jão.

O retorno selou a aproximação com os metaleiros e João Gordo afirma que esse era um movimento natural. "Já fazíamos o crossover e ficou mais evidente a partir de 1985. Todos nos estávamos mudando de turma, frequentando os eventos de metal. Eram mais organizados, não tinha briga e as mulheres eram mais bonitas. Claro que o som absorveria tudo isso."

No entanto, os dois músicos que ainda estão no Ratos de Porão 40 anos depois não hesitam em situar "Crucificados pelo Sistema": é um álbum punk, de uma banda punk.

A prova de que eles não tinham muita ideia de que estavam fazendo história é que o tal hiato, na verdade , quase representou o fim dos Ratos de Porão. 

"Quando o disco foi lançado, já não havia mais movimento punk. Acabou em briga, as bandas acabaram, outras ficaram mais pop. Até eu saí do Ratos", diz João Gordo.

Eles ainda não acreditavam na identidade que tinham conquistado no começo da carreira. A mistura de influências do punk americano e europeu e um pedal de distorção deram a sonoridade para músicas que já eram ensaiadas constantemente. 

Na hora de gravar, o produtor Fábio Sampaio avisa que os custos para um compacto ou LP seriam os mesmos. E foi assim que surgiu o primeiro álbum punk da América Latina.

Ouvidos mais sensíveis vão qualificar de "maçaroca" a coesão sonora e o conceito estético punk do álbum. faz parte, e ainda mais quando se analisa o contexto em que foi gravado - em 1983 - e lançado em 1984. 

É violência sonora em estado puro, um legítimo produto artístico destinado a chocar, a demolir e a incomodar. São 16 música em pouco mais de 30 minutos, tocado em altíssima velocidade, todas as canções emendadas, sendo que algumas eram meras vinhetas.

Com letras de protesto social e afronta á sociedade, o disco tem pérolas como "Morrer", "Poluição Atômica", "Guerra Desumana" e clássico maior "Agressão Repressão". Também tem "Pobreza", "Corrupção", "Periferia" e a faixa-título.

O primeiro disco de punk-hardcore de uma banda só da América Latina é importantíssimo, seja pelo ineditismo, seja pela questão artística. nada poderia ser, na época, tão violento e tão contestador quanto Ratos de Porão, banda fundamental da música brasileira.

https://www.youtube.com/watch?v=_ZolJDfu-eg&t=1321s

Álbum progressivo e demolidor celebra a nova era do Torture Squad

A cena foi flagrada em ua das edições do In-Edit Brasil, em São Paulo. A banda mineira de metal/hardcore Black Pantera tocava em um dos eventos presenciais e, de repente um dos organizadores foi procurado por um importante músico paulistano. "O baterista está com problemas, tô vendo daqui. Precisamos ajudá-lo."

E lá foram os dois socorrer o Rodrigo Pancho que viu sua bateria meio que deslizar para fora do praticável. E então, com muita agilidade e conhecimento, Amílcar Christófaro, baterista do Torture Squad, com a ajuda preciosa de Mauricio Gaia, do In-Edit e também deste Combate Rock, resolveram a questão.

"Se tem alguém qu curte, apoia e e faz presente na cena roqueira de São Paulo é o Amílcar. Não só é antenado, ele faz a coisa acontecer e ajuda no que for preciso", testemunha Gaia.

Portanto, não é surpreendente que o músico paulistano esteja saboreando aquele que pode ser descrito como segundo grande momento do Torture Squad, banda paulistana das grandes do metal extremo nacional.

Christófaro está empenhado em divulgar o novo disco de sua banda, o recém-lançado "Devilish", e a turnê do Matanza Ritual, a reencarnação do Matanza na ver versão do cantor Jimmy London.

"Depois do período complicado da pandemia de covid-19 vejo que as perspectivas artísticas são muito boas, estamos retomando o nosso caminho", diz o músico. "O mundo teve a oportunidade de repensar muita coisa em relação à nossa existência, apesar de que a constatação ´de que os desafios só aumentam Temos de seguir em frente."

Poderoso e diversificado, "Devilish" foi apresentado oficialmente em um evento ara a prensa no Metal Bar, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Para muitos fãs e críticos, é o melhor dico dos 30 anos de existência do grupo.

"A formação que o gravou caminha ara ser a mais longeva de nossa história, oito anos. Isso se refletiu neste segundo trabalho desse quarteto que está junto desde 2016", comenta o baterista. "São canções compostas antes da pandemia e que tinham começado a ser trabalhadas em estúdio quando veio a pandemia. Elas não perderam a contundência com a parada forçada e entendemos que elas fazem todo o sentido hoje."

O death metal trabalhado do Torture Squad ficou mais versátil e diversificado com as chegadas do guitarrista René Simionato e da vocalista Mayara Puertas, que abraçaram as influências progressivas cada vez mais evidentes nos trabalhos da banda, coo no caso de canção "Find My Way", do novo disco.

Christófaro e o parceiro de sempre Castor, o baixista, respiraram aliviados com a variedade de timbres e de riffs que explodem das guitarras de Simionato, encaixando-se completamente no conceito de expandir os limites da música pesada. 

Mayara, referência no vocal extremo mundial e professora de canto, encontrou todo o espaço de que precisava para experimentar e acrescentar novos arranjos, como os vocais limpos e ótimos em pelo menos três das novas canções.

"Cada álbum tem sua história e sua qualidade, mas fico feliz que a recepção esteja sendo muito boa. Casa bem com aquela frase 'o melhor ainda está por vir'. É revigorante", celebra Christófaro.

O período prolífico da banda pós-pandemia começou em meados de 2022, quando a banda fez um show destruidor na casa paulistana La Iglesia Borratxeria, O áudio se tornou o terveiro disco ao vivo do Torture Squad, lançado ainda naquele ano. 

A outra boa notícia antes da chegada de "Devilish" foi a aquisição dos direitos de lançamento dos áudios e parte dos vídeos dos três shows que a banda fez no festival alemão Wacken Open Air entre 206 e 2008, quando a banda estava em m dos seus pontos mais altos. O quarteto ainda estuda de que forma pretende lançar comercialmente o material. 

"Devilish" é um trabalho muito importante dentro da discografia do grupo porque dá início a nova parceria da banda com a gravadora italiana Time To Kill - a distribuição nacional é da Sound City Records e Valhall Music. A parceria surgiu por indicação de Mayara, que trabalhou com a empresa em um álbum tributo ao hard rock.
 
Em seu segundo álbum com a nova formação, Mayara Puertas (Voz), Rene Simionato (Guitarra), Castor (Baixo) e Amilcar Christófaro (Bateria) transcendem com maturidade a sonoridade do metal extremo, incorporando o metal progressivo, influências da música brasileira e sinfônica elementos. "Devilish" promete agitar a cena do metal brasileiro e dar uma nova visibilidade internacional.

O mais recente videoclipe, do segundo single intitulado "Hell is Coming", ganhou grande notoriedade, conquistando o público de esferas fora do metal extremo. O videoclipe foi dirigido e gravado por Eric Luchini. A faixa é uma peça de progressive death metal inspirada no jogo online Diablo IV.

O álbum também homenageia os heróis brasileiros com a participação de Andreas Kisser (Sepultura) na faixa "Buried Alive", e uma homenagem a Rickson Gracie o resiliente lutador de Jiu Jitsu considerado uma das maiores lendas do esporte, tema da faixa "Warrior". ]

A banda ainda mobilizou diversos músicos ligados às causas indígenas para colaborar na música "Uatumã" - Suzane Hecate (Miasthenia), Victor Rodrigues (Tribal Scream) e João Luiz (Golpe de Estado) -, fazendo um apelo pela preservação da Amazônia em uma canção que flui de forma potente com as falas do líder indígena Raoni Metuktire e ritmos tribais.

 



segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Armênia e Azerbaijão: vizinhos e inimigos mortais há mais de 150 anos

 Armênia e Azerbaijão são duas repúblicas localizadas no sul do Cáucaso, a cadeia montanhosa que praticamente divide a Europa e a Ásia.

 Geopoliticamente, no entanto, estão no conflagrado Oriente Médio ou, mais especificamente, na Ásia Menor. Ao norte dos dois países estão a Rússia e a Geórgia; ao sul, Irã e Turquia, todos com interesses locais - região rica em petróleo. 

A Armênia é um enclave cristão m meio a nações e povos muçulmano - está entre curdos, persas, árabes, turcomenos e turcos de origem seldjúcidas. Foi o primeiro Estado a assumir oficialmente a religião cristã/católica como parte integrante do Estado.

 Ilhados em uma mar muçulmano, os cristãos armênios, espalhados há quase 2 mil anos por uma área que engloba as atuais Turquia, Síria, Iraque e Irã, foram alvo de ataques e saques, para não falar uma série de genocídios. 

Os mais recentes ocorreram entre 1870 e 1923, enquanto a pequena Armênia gozou de alguns períodos de autonomia até ser absorvida pela União Soviética. 

Com a I Guerra Mundial, o Império Otomano, que dominava enorme região no Oriente Médio, norte da África e Turquia, alinhou-se ao lado da Alemanha e Império Austro-Húngaro contra a Rússia. 

Aproveitando o conflito com os russos, os turcos, que dominavam o Império Otomnano,  empreenderam uma política de limpeza étnica contra os armênios cristãos a partir de 1915, com seguidos massacres e deslocamentos forçados de populações inteiras. 

Estima-se que os turcos tenham provocado a morte de ao menos 1,5 milhão de armênios entre 1915 e 1923. Muçulmanos persas, árabes e curdos, em diversos momentos, apoiaram os turcos. 

Armênia e Azerbaijão, vizinhos no fim da área sul da cordilheira do Cáucaso, tiveram um período de independência entre 1918 e 1920, quando acabou a I Guerra Mundial e a Revolução Russa triunfou, varrendo a monarquia czarista e implantando o regime socialista-comunista.

A partir de 1920, foram incorporadas à União Soviética, que conseguiu controlar as tensões entre os dois povos. Mas os russos, de longe, lá de Moscou, cometeram um erro: colocaram uma região disputada entre Armênia e Azerbaijão sobre controle deste segundo. É o enclave de Nagorno-Karabakh, de população de esmagadora maioria armênia. 

A União Soviética começou a desmoronar politicamente em 1988, com agravamento da crise econômica, que piorou em 1990. O desmembramento era inevitável e o fim veio em 1991.

Mas já em 1988, prevendo o fim da união das repúblicas soviéticas, armênios e azeris (ou azerbaijanos) iniciaram uma série de combates que evoluiu para uma guerra quando os dois países declararam suas independências, em 1992. 

Independência e guerra

Alegando que os armênios estavam sendo massacrados em Nagorno-Karabakh, a nova república armênia ofereceu ajuda militar aos conterrâneos atacados na região administrada pelo vizinho belicoso.

Um acordo de paz sem vencedores ocorreu em 1994, ano em que a região, renomeada Artsakh, declarou independência, não reconhecida por nenhum país do mundo - nem mesmo pela Armênia, que não quis acirrar os ânimos e provocar nova guerra. 

Desde então, há 29 anos, Armênia e Azerbaijão vivem em estado de tensão total, sem relações diplomáticas. Em julho de 2020, grupos terroristas armados pelo governo do Azerbaijão fizeram incursões contra Artsakh e o norte da Armênia. O objetivo era criar instabilidade e neutralizar postos militares avançados nos dois locais.

 "Em 27 de setembro, as forças combinadas do Azerbaijão e da Turquia (ao lado de terroristas do ISIS da Síria) atacaram a República de Nagorno-Karabakh, que nós como armênios chamamos de Artsakh", escreveram os integrantes do System of a Down. 

"Ao longo do último mês, civis jovens e velhos foram acordados dia e noite por visões assustadores e sons de ataques de foguetes, bombas caindo, mísseis, drones e ataques terroristas. Eles tiveram de transformar abrigos temporários em santuários, tentando evitar a queda de bombas fora da lei chovendo em suas ruas e casas, hospitais e lugares de adoração. E por quê? Porque mais de 30 anos atrás, em 1988, os armênios de Nagorno-Karabakh (que na época era uma Oblast Autônoma dentro da União Soviética), estavam cansados de serem tratados como cidadãos de segunda classe e decidiram declarar sua merecida independência da República Soviética Socialista do Azerbaijão, cujas bordas engoliam as suas. Isso eventualmente levou a uma guerra de auto-determinação pelos armênios em Karabakh contra o Azerbaijão que terminou com um cessar-fogo em 1994, com armênios retendo controle de suas terras natais ancestrais e mantendo a sua independência até o presente. Nosso povo vive ali por milênios, e para a maioria das famílias ali, é a única casa que eles e seus antecessores jamais conheceram. Eles só querem viver em paz como têm feito há séculos." 

Engajamento

 O System of a Down é um exemplo de banda de rock engajada, como o Rage Against the Machine. Os quatro integrantes são descendentes de armênios, embora cidadãos norte-americanos. Sempre se manifestaram a favor de causas do s direitos humanos e em defesa da Armênia, a terra dos ancestrais, o principal motivo da reunião agora.

 Entre eles, as coisas nunca foram muito pacíficas, tanto que muitos críticos davam a banda por acabada diante de tão longo hiato. Além de divergências musicais e problemas administrativos, há desavenças internas em relação à política. 

Serj Tankian, o vocalista, é conhecido por seu ativismo pelos direitos humanos e antifascismo. O baterista John Dolmayan, no entanto, é mais identificado com o modo de vida norte-americano e é um ferrenho defensor do Partido Republicano e do ex-presidente Donald Trump. Os dois são cunhados.

O baterista foi criticado duramente em público recentemente por Tankian por sua defesa dos republicanos, mas relevou essa questão, em plena eleição presidencial, para se juntar aos companheiros em prol da denúncia de agressão da terra dos ancestrais pelos vizinhos muçulmanos do Azerbaijão. 

"Imaginamos que para muitos de vocês, há maneiras mais convenientes que vocês preferem para ouvir música, então considerem a oportunidade de fazer o download dessas músicas como um ato de caridade acima de tudo."

Serj Tankian, do System of a Down, volta a se engajar contra os ataques à Arênia

 O sofrimento dos ucranianos está tendo um efeito colateral grave na geopolítica mundial e colocando em segundo plano outro genocídio internacional as que não comove o mundo. 

Depois de quase três anos, as tropas militares genocidas do Azerbaijão voltam a massacrar a população armênia que vive em seu território. 

Celebridades internacionais de ascendência armênia denunciam os crimes de guerra cometidos mais uma vez pelas tropas fascistas azeris, mas o mundo mais uma vez ignora - um mundo que paree se cansar dos massacres na Ucrânia e aceitar os crimes russos cometidos em uma guerra nojenta.

O cantores Cher e Serj Tankian (vocalita do System of a Down) e a socialite Kim Kardashian, todos norte-americanos mas descendentes de armênios, publicaram em jornais recentemente artigos em que denunciam o genocídio armênio - mais um.

Serj Tankian pediu publicamente aos integrantes do Imagine Dragons que cancelem o show que têm marcado em 2 de setembro em Baku, no Azerbaijão.

Nas redes sociais, o vocalista do System of a Down posicionou-se ao lado da população da região de Nagorno-Karabakh, que diz passar fome por causa “do regime petro-oligárquico” do Azerbaijão.

Ele revelou na postagem que tentou enviar uma carta privada à banda, sem sucesso. Depois disso, postou publicamente seu apelo no Facebook, incluindo um link para uma petição.

Os conflitos entre Armênia e Azerbaijão têm origem, em sua versão moderna, há quase 150 anos, quando os dois países não existiam e seus territórios pertenciam aos Impérios Russo e Otomano.

 Localizados na região do Cáucaso, os dois territórios estratégicos e seus povos tiveram de lidar com as ambições territoriais dos vizinhos poderosos russos, turcos e persas (hoje iranianos).

Os azeris sempre foram aliados dos turcos, inimigos mortais dos armênios. Apoiaram os massacres contra o povo armênio (e também contra os curdos) no começo do século XX.

Com o fim da primeira guerra mundial, o dois países foram engolidos pela União Soviética. Com mão de ferro, a paz foi imposta até depois da Segunda Guerra Mundial. 

Nos anos 60, a rivalidade "regional" foi reestimulada por lideranças soviéticas de segundo escalão. Abafados, conflitos militares mataram muita gente e a balança pesou a favor do Azerbaijão.

Com o fim da União Soviética, em 1991, os dois países, independentes, logo entraram em conflito, já que muitos territórios armênios foram artificialmente arrancados e "anexados" ao Azerbaijão na época soviética. 

São dois países minúsculos, encravados no fim do Cáucaso, entre os mares Negro e Aral, sendo que as terras anexadas pelos azeris incluem trechos habitados por maioria armênia, como Nagorno-Karabakh, a fonte do conflito atual.

Na guerra de 1994, os Armênios recuperaram parte dos territórios repassados arbitrariamente ao Azerbaijão. Vários pequenos conflitos ao longo dos último 29 anos, mediados pela Rússia, aos poucos foram restituindo áreas para o Azerbaijão, que não ficou satisfeito.

No fim de 2020, tropas azeris invadiram territórios fronteiriços da Armênia e isolou Nagorno, que fica inteiramente em seu território, ams tem uma administração internacional. Tudo isso sempre com o apoio turco. Abandonados, os armênios viram vários de seus territórios mudar de administração depois de um mês de guerra.

No ataques atuais, o azeris mataram mais de 200 pessoas em uma semana de conflitos, segundo informações da Cruz Vermelha e de conservadores internacionais. 

Os russos, em guerra com a Ucrãnia, se reaproximaram do Azerbaijão por causa do fornecimento de petróleo e estão abandonando os armênios, deixando-os à mercê do estado terrorista Azerbaijão.

Crise humanitária

Acossada novamente quase três anos depois, Nagorno-Karabakh vive um êxodo populacional para a Armênia, Geórgia, Rússia e Irã. Seis mil refugiados abandonaram o território que já teve 120 mil habitantes de origem armênia até a guerra de um mês em 2020. 

Alguns tentaram voltar e reconstruir o local a partir da ajuda que chegava por corredores humanitários monitorados por autoridades da ONU (Organização das Nações Unidas) sob comando dos russos. 

Só que os armênios perderam o apoio dos russos: condenados internacionalmente pela invasão da Ucrânia, estes se reaproximaram dos azeris e abandonaram praticamente o monitoramento da paz na região. Foi a deixa para que o Azerbaijão retomasse as hostilidades. 

Todo esse movimento geopolítico complicado e ignorado pelo mundo está sendo denunciado em uma série de vídeos e entrevistas de Serj Tankian, nascido no Líbano de ais armênios mas radicado nos Estados Unidos desde que era criança - os outros três membros do System of a Down também são americanos descendentes de armênios estão engajados pela causa pela causa da nação dos país e avós.

Parece não haver dúvidas de que os armênios são novamente as vitimas, e Tankian lamenta que a guerra da Ucrânia - maior, mais grave e mais mortal - obscureça a tragédia humanitária dos armênios. Já são mais de 10 milhões de refugiados na Ucrânia, com a estimativa de 10 mil civis mortos e 150 mil militares mortos ou feridos dos dois lados.

O curioso é que foi necessária uma guerra para reunir uma banda importante e lançar novas músicas depois de 15 anos para causas beneficentes - mesmo que o vocalista progressista tenha de aturar o seu baterista que apoia políticos e políticas de cunho fascista.

A guerra entre Armênia e Azerbaijão, nos confins da Ásia, em 2020, fez com que os quatro integrantes do System of a Down se juntassem para compor e gravar duas canções em que denunciavam as violações e as violências das forças invasoras, no caso as tropas do Azerbaijão, país aliado da Turquia e de maioria muçulmana - a Armênia é a nação cristã mais antiga do mundo. 

Em um comunicado publicado em suas páginas oficiais na época, a banda anunciou o lançamento das faixas "Protect the Land" e "Genocidal Humanoidz" – "ambas falam de uma terrível e séria guerra sendo perpetrada na nossa pátria cultural de Artsakh e da Armênia".

Os rendimentos obtidos fora doados para um fundo humanitário de ajuda aos refugiadas e vítimas armênias da guerra. Temporariamente, os quatro integrantes deixaram as divergências de lado e se uniram em apoio à luta dos soldados da terra de seus ancestrais.

O comunicado publicado em 2020 pla banda informava o seguinte: "Nós, enquanto System Of A Down, acabamos de lançar novas músicas pela primeira vez em 15 anos. A hora de fazer isso é agora, já que juntos, nós quatro temos algo extremamente importante a dizer como uma voz unificada. Essas duas músicas, 'Protect the Land' e 'Genocidal Humanoidz', falam de uma terrível e séria guerra sendo perpetrada na nossa pátria cultural de Artsakh e da Armênia". 

Vozes clássicos, álbuns excelentes: os novos trabalhos de Alice Cooper, Steve Lukather e Paul Rodgers

 Os mais ambiciosos músicos de rock nunca deixaram de perseguir a nota perfeita, ou a batida perfeita. Lou Reed (1942-2013) era um desses perfeccionistas que imaginavam sempre estar á caça da canção mais sublime dentro do mundo pop, e quase chegou lá algumas vezes, como em "Perfect Day" e "Walk on the Walk Side". 

Paul McCartney e Elton John se encaixam nesta categoria, e chegaram lá várias vezes. A lista não é muito longa, mas é bem estrelada. 

Há também aqueles que estão mais relaxados e que não fazem da busca da batida perfeita uma obsessão. Veteranos, preferem deixar a vida seguir e se divertir depois de anos de serviços relevantes prestados. Batida perfeita? Canção pop perfeita? Será sempre aquela do momento, a recém-lançada. Quem pode dizer o contrário?

De modos diferentes, três cantores septuagenários  e compositores extraordinários lançam seus novos trabalhos e atingem um patamar elevadíssimo de qualidade, ainda que de modo descontraído e sem muitas pretensões. Deixaram a vida seguir e obtiveram resultados ótimos: Alice Cooper, Paul Rodgers e Steve Lukather.

O mais subestimado deles é o que lançou um dos melhores trabalhos de 2023. Integrante da banda Toto - excelência em música p dançanop - o norte americano Steve Lukather é um extraordinário compositor. Sua carreira solo é cheia de trabalhos de muita qualidade, sempre calcando canções pop ganchudas no blues e no rock mais palatável.

"Bridges" é tão bom que parece uma coletânea. Lukather é um guitarrista inspirado. Usa o instrumento para compor e obtém diretamente o som que deseja imprimir em suas canções repletas de melodias bonitas e bem construídas .

"When I See You Again" é um melhor exemplo: é uma canção pop na melhor acepção da palavra e é possível qualificá-la como uma música pop perfeita no ano de 2023: sua melodia é cativante, o riff simples é dançante e projeta um refrão que é ótimo para emissora de rádio - se é que elas existem ainda pata o rock,

"Burning Bridges" é poderosa , com acento blues e uma levada de guitarra que encanta desde a primeira nota. Transpira alma e ainda escancara como ele é bom letrista. Bem simples, bem certeira, é uma bela canção de estrada.

Mas ainda há uma gema pop melhor do que "When I See You Again", o primeiro single. "All Forevers End" é uma aula de como compor e interpretar uma balada blues. 

Melancolia e reflexão se equilibram sobre uma letra triste, mas que transmite uma certa esperança de redenção. E o pequeno solo do meio é primoroso, com a guitarra chorando sem estridência.

O blues mais puro comparece em "Take My Love", reunindo todo os elementos que fazem outro guitarrista americano, Joe Bonamassa, ser o mais incensado artista de blues da atualidade: bom riff, refrão clássico, arranjos vocais de apoio belíssimos e solos incandescentes de guitarra, que penetram na alma.

E ainda tem o rockão "Far From Over", que resgata uma sonoridade AOR (álbum orientado para o rock) dos anos 70, que cai bem nas pitas de dança; "Not My Kind of People", com um suingue à la Aerosmith, também transpirando anos 70; e "Someone", que lembra os melhores momentos e The Police, com uma pegada pop de excelência. É um álbum em que não há nada de errado e tem a duração ideal para os dias de hoje, com oito músicas ótimas.

O inglês Paul Rodgers, aquele que já foi considerado o melhor cantor de todos por Rod Stewart e Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath), dedicou-se por muitos anos a álbuns tributo e a uma parceria com o Queen anos depois da morte do vocalista Freddie Mercury. Visitou a música negra americana, principalmente p rhythm & blues e o catálogo de Muddy Waters.

"Midnight Rose" é o seu primeiro álbum de inéditas em muitos anos e preferiu não inventar. São oito canções que lembram demais o Bad Company, sua banda entre 1974 e 1983, com algumas reuniões posteriores.

O bom gosto, que é uma de suas características, predomina em oito canções pop de várias inspirações. "Highway Robber", lembra bastante "Seagull", do Bad Company, com um violão delicado e uma interpretação com acento folk, algo em falta atualmente na música pop britânica. Na mesma linha, mas sem o mesmo impacto, vai a faixa-título.

"Take Love", o primeiro single, é um pop básico movido a guitarras meio preguiçosas que escondem uma melodia interessante e um vocal descontraído, mas apaixonado. 

É uma típica canção radiofônica para as rádios inglesas. O arranjo inicial de violão é claramente inspirado no Led Zeppelin, do amigo Jimmy Page (com quem tocou na banda The Firm entre 1984 e 1986).

"Melting" é um grande blues movido a violões encharcados de uísque e arranjos de guitarra extraordinários. Aqui temos a inspiração vinda lá de trás, do início da carreira de Rodgers com o Free, ainda os anos 60. Não é coincidência que algumas linhas de guitarra remetam diretamente a Paul Kossoff, o atormentado guitarrista do Free morto em 1976.

Tem rock de arena também com a irresistível "Coming Home", que quase esbarra no hard rock com sua guitarra frenética e faiscante. Poderia estar em qualquer disco do Bad Company. Dá para dizer o mesmo de "Photo Shooter", outro rock setentista com uma guitarra interessante, mas é uma canção não tão inspirada. "Livin' Up" é mais interessante, com riffs zeppellinianos dos seus tempos de The Firm - aqui a produção do ótimo Bob Rock fica evidente.

Há também "Dance in the Sun", mais simples e sem tantos adornos, ams que cumpre bem a sua função de resgatar, uma aura mais hard dos nos anos 80.

Revisitando várias passagens de sua extraordinária carreira, Rodgers comete um disco muito bom, mostrando que demorou demais para voltar a compor canções próprias.

Alice Cooper, um dos nomes fundamentais do rock pesado dos Estados Unidos, entrou no modo satisfação total, aquele modo em que não precisa - e nem quer - provar nada para ninguém. E resolveu homenagear a si mesmo em "Road", seu mais recente trabalho de inéditas.

Se não é um álbum tão inspirado quando os dois últimos, é aquele que mais transparece o quão feliz ele está depois de completar 75 anos no começo do ano.

A ideia era festejar o rock e a música mais acessível, uma coleção de canções mais simples, retas e diretas, feitas especialmente para ouvir dirigindo por uma longa estrada, com direito a uma versão fantástica de "Magic Bus", de The Who, um lues pesado e marrento de 1968. Cooper é um admirador da dupla Roger Daltrey (vocal) e Pete Townshend (guitarra), do Who, de que ficou muito próximo.

Na versão do americano, a canção ficou mais pesada e com um arranjo um pouco diferente nas guitarras, mas a interpretação ficou muito boa.

O cantor se cercou de velhos amigos e parceiros para celebrar a vida, e assinou 12 das 13 canções, todas com vários coautores. "Baby Please Don't Go" é a sua melhor baalada em anos, cantada sem afetação e com uma veia mais blues.

Há algumas surpresas, como a experimental e pesada "White Line Frankenstein", a que mais destoa do clima festivo estradeiro, escrita em parceria com o produtor Bob Ezrin e com o guitarrista Tom Morello (Rage Against the Machine), que também toca na canção e dá um colorido muito diferente.

"Rules of the Road" tem a guitarra de Wayne Krantz, conterrâneo de Detroit e cérebro do fenomenal MC5, grupo de rock que foi um dos precursores do punk rock e do rock pesado de garagem. Ele assina a canção ao lado de Ezrin e Cooper, colocando sua versão de um rock mais sujo e barulhento.

Do passado ele resgatou um antigo colaborador, o guitarrista Kane Roberts, com quem trabalhou no final dos anos 80. O instrumentista também é coautor da canção "Dead Don't Dance", um rock mais cru e direto, mas com um trabalho interessante de guitarras.

Nita Strauss, a guitarrista da banda do cantor que voltou no ao passado, foi "recompensada" com os créditos em quatro canções, ao lado de outros colaboradores. 

A mais interessante é "Welcome to the Show", possivelmente a melhor do álbum, em que faz um trabalho estupendo de guitarras, com solos muito criativos. É uma faixa que equilibra bem o passado glorioso da Alice Cooper Band e o som mais moderno que Alice imprimiu neste século.

Se Alice Cooper é um artista que não precisa dar mais satisfações sobre sua carreira e não te de provar mais nada, mas deve aos fãs um disco agradável - e é exatamente essa sensação que "Road" passa: originalidade e genialidade não estão entre os adjetivos pra esse trabalho, mas é bem legal ouvi-lo de forma despretensiosa.

Ghost encanta com seu metal moderno e 'enigmático'

 Flavio Leonel - do site Roque Reverso

O Ghost passou por São Paulo e trouxe na quinta-feira, 21 de setembro, show de qualidade e candidato para entrar na lista dos melhores de 2023. Para uma plateia empolgada e vibrante que lotou o Espaço Unimed, a banda sueca liderada pelo vocalista Tobias Forge mostrou que continua sua escalada nítida para a ampliação de seu sucesso, mais abrangente e capaz de conquistar públicos diversos.

Com cenários impecáveis e bem trabalhados, além da qualidade dos músicos, o grupo saciou uma multidão barulhenta e conhecedora, em sua maioria, de cada detalhe do repertório apresentado na casa de shows da zona oeste paulistana.

As músicas escolhidas contemplaram os cinco álbuns da carreira do Ghost e boa parte dos EPs da banda, que veio ao Brasil para tocar apenas em São Paulo pela turnê de divulgação do seu disco mais recente. “Impera” chegou aos fãs em março de 2022 e sucedeu o álbum “Prequelle”, de 2018.

O show do dia 21 de setembro trouxe repertório quase idêntico ao executado um dia antes, na quarta-feira, 20, na apresentação extra realizada no mesmo local, também com lotação máxima do Espaço Unimed.

Ironicamente, o show extra aconteceu antes da apresentação original, cujos ingressos se esgotaram rapidamente. Foram 8 mil pessoas em cada um dos dias para ver a banda sueca, o que mostrou a força atual dos liderados por Tobias Forge.

Abertura do Crypta

De maneira diferente da planejada, só houve banda de abertura na quinta-feira, com as já consolidadas meninas do Crypta. Na quarta-feira, apesar da expectativa pela apresentação do grupo nacional de death metal, o show foi cancelado por problemas de logística relacionado à montagem do palco do conjunto musical sueco.

O cancelamento decepcionou o público da quarta-feira, interessado em contemplar uma das bandas brasileiras de maior repercussão no cenário mundial do heavy metal atualmente.

Na quinta-feira, mantendo as performances recentes de apresentação elogiada por crítica e público no Brasil e no mundo, o Crypta causou boa impressão entre os fãs de uma banda com sonoridade diferente e era assunto nas rodas de conversa antes da subida ao palco dos comandados por Tobias Forge,

O público do Ghost

Chamou bastante a atenção da reportagem a parcela de jovens do público do Ghost. De maneira diferente da que costuma ser observada na cena atual do hard rock e das várias vertentes do heavy metal, havia uma participação maior de pessoas com menos de 25 anos do que a comumente vista em shows de grandes dinossauros do rock pesado.

A devoção destes mesmos fãs também não deixou de ser percebida. Desde as filas gigantes que se formaram já no período da tarde, tanto da quarta-feira como da quinta-feira, em volta do quarteirão do Espaço Unimed, até as vestimentas e maquiagens caprichadas para ficar em sintonia com o Ghost, foi bastante animador presenciar que uma banda de rock pesado formada na primeira década deste Século XXI conta com um público capaz de dar o suporte necessário para uma carreira que tem tudo para continuar seguindo dentro do sucesso.

Em tempos nos quais o rock vem perdendo adeptos da juventude para estilos mais comerciais e de qualidade discutível, é importante que exista um nicho considerável de pessoas para acompanhar uma banda que não pertence ao conjunto de grupos formados nas décadas de 70, 80 e 90 do século passado.

Por mais que o veterano Metallica ainda consiga trazer novos fãs à sua base sólida e seja ainda o grande símbolo de maior sucesso comercial no rock pesado, é importante ter novos grupos com um público tão fanático e envolvido com a obra da banda preferida.

Na quinta-feira, no Espaço Unimed, era possível encontrar garotas vestidas de freiras, além de garotos com vestimentas de padre, papa e até de frade. Tudo sempre acrescentado de maquiagens ao estilo iconoclasta e conceitual do Ghost.

A sensação é a de que a banda sueca consegue despertar entre os seus seguidores comportamentos e devoção semelhantes aos que o lendário KISS gerou no cenário do rock nos Anos 70 e 80 do século passado.

O show

A apresentação do Ghost começou com “Kaisarion”, do álbum “Impera”. Assim que a banda surgiu no palco, a reação ensurdecedora da plateia fez o Espaço Unimed tremer.

O calor gigantesco, gerado pela soma do local lotado com a ineficiência já clássica do ar-condicionado do Espaço Unimed, ficou em segundo plano. E todas as atenções ficaram voltadas para Tobias Forge & Cia.

Mas foi com o hit “Rats”, do disco “Prequelle”, de 2018, que a festa do Ghost tomou proporções maiores, levando o público aos primeiros sinais de êxtase da noite – e eles se repetiriam várias vezes a partir dali.

“From The Pinnacle To The Pit”, do álbum “Meliora”, foi a faixa que fez o set list da quinta-feira ter sido diferente do observado na noite anterior, quando “Faith”, do “Prequelle”, havia sido tocada.

Após o Ghost executar “Spillways”, também do “Impera”, foi a vez de trazer algo mais pesado e denso para o Espaço Unimed.

Os fãs mais ligados ao heavy metal tradicional foram então contemplados com a ótima “Cirice”, que tanto sucesso fez com o caprichado clipe de divulgação. Com riffs matadores executados por uma banda bem entrosada, a faixa foi um dos pontos altos de todo o show no quesito qualidade.

Se, no Rock in Rio de 2013, o Ghost foi alvo de críticas pelo “excesso teatral” e pela “falta de pegada” numa noite repleta de bandas pesadas e que teve como headliner nada menos que o Metallica, o ano de 2023 traz o grupo num momento que sabe dialogar com o rock mais pop, sem deixar o peso de lado.

Depois de manter os riffs em “Absolution”, do “Meliora”, a banda tocou nada menos que o clássico “Ritual” e foi impossível segurar o pescoço na parte mais pesada e empolgante da canção, que também trouxe momentos com o público pulando em sintonia, como mandam as cartilhas dos bons shows de rock.

Com três músicas seguidas que agitaram o público fortemente, foi a vez de o Ghost diminuir o ritmo, sem perder a qualidade. Na mais lenta “Call Me Little Sunshine”, do álbum novo, o público cantou junto com Tobias, que veio trajado de Papa Emeritus, no visual clássico que marcou a mente dos amantes do rock and roll quando o grupo surgiu, impactando o estilo musical. Mais um grande momento do show!

A plateia já estava ganha antes mesmo de o grupo subir ao palco, mas a qualidade do show, incluindo aí os cenários, valia cada centavo gasto para ver o Ghost. Chamou a atenção, por exemplo, o capricho dos vitrais de igreja, lembrando o cenário do Iron Maiden quando a banda costuma tocar “Revelations”.

Com tudo a seu favor, o Ghost encontrou espaço para trazer músicas dos primeiros álbuns. “Con Clavi Con Dio”, do disco de estreia “Opus Eponymous”, veio primeiro.

“Year Zero”, do segundo álbum, “Infestissumam”, veio logo após “Watcher in the Sky”, do disco novo. E chamou a atenção pela sonoridade pesada e pela letra lembrando o ser das profundezas.

No início da parte final do show, o Ghost trouxe, numa tacada, só as faixas “He is”, “Miasma” e “Mary on a Cross”, em três momentos distintos. Todos foram capazes de empolgar a plateia, tanto pelo vocais mais pop, mas com elevada qualidade, de “He is” e “Mary on a Cross”, como pela performance teatral diferente que trouxe a simulação de uma reanimação por defibrilador de um papa que acorda tocando saxofone.

“Mummy Dust”, do “Meliora” e “Respite on the Spitalfields”, do álbum novo, encerraram a primeira parte do show, sendo que esta última, talvez, tenha sido a única da apresentação que deixou a plateia um pouco menos participativa.

Na volta para o bis, o Ghost trouxe três hits que bombaram com clipes muito bem feitos: “Kiss the Go-Goat”, “Dance Macabre” e “Square Hammer”.

Com essa trinca, o Espaço Unimed, elevou o nível de empolgação à faixa máxima e a felicidade dos fãs presentes já era palpável.

Durante toda a apresentação, foi possível constatar o mesmo tipo de felicidade por parte da banda, numa apresentação no qual a sintonia com o público foi fundamental para a entrega de um show de alta qualidade.

O saldo final da apresentação do Ghost foi visto nas filas gigantescas para a compra das camisetas oficiais do grupo e de copos comemorativos do show. Todos pareciam querer levar para casa alguma lembrança daquela noite memorável em São Paulo.

As duas apresentações concorridíssimas na capital paulista reforçaram a condição da banda de grande expoente do rock pesado, capaz de conquistar públicos com hits.

Se Tobias Forge e seu grupo mantiverem a receita, o caminho natural do Ghost numa futura apresentação no Brasil, mais precisamente em São Paulo, será uma arena no estilo Allianz Parque. Depois do que foi visto no Espaço Unimed, seria este o caminho mais natural e adequado para shows futuros da banda por aqui. Essa é a torcida de quem gosta do bom e velho rock and roll e de grandes shows do estilo.

Tarja Turunen esbanja eficiência e categoria com seu metal sinfônico em SP

Nelson de Souza Lima - especial para o Combate Rock

Na semana mais quente da história em São Paulo, com termômetros marcando 38ªC, a cidade recebeu a diva do metal, Tarja Turunen, emocionando os fãs que lotaram o Tokio Marine Hall. 

Como não podia ser diferente, a apresentação da finlandesa foi irretocável, pois em nosso país ela se sente muito à vontade, especialmente no palco da zona sul da capital que sempre recebe os shows da vocalista quando vem pra estas bandas de cá do Equador.

A "Living The Dream Tour 2023", organizada pela Top Link Music foi curta com apenas cinco shows na América do Sul: três no Brasil, um no Peru e o último na Colômbia. 

No Brasil, a ex-vocalista do Nightwish se apresentou no Bar Opinião, em Porto Alegre, na sexta-feira (22), no TMH em São Paulo, no sábado (23) e em Limeira, interior de São Paulo no Mirage Eventos, no domingo (24).

Ladeando Tarja para essa tour pela América Latina, os instrumentistas Alex Scholpp (guitarra), Pit Barret (baixo), Julian Barret (guitarra),Guillermo De Medio (teclados) e o brasileiro Alex Menechini (bateria) esbanjaram técnica e talento. 

A abertura ficou por conta dos cariocas da Lumnia, que apesar de ter apenas três anos de carreira mostrou competência mesclando metal moderno, sinfônico e doom, criando atmosferas sombrias aliadas ao instrumental pesado e vocais líricos.

Antes de Tarja os paraenses do Santo Graal também deixaram claro que nós estamos bem servidos no quesito metal sinfônico. Radicados na capital paulista desde 2007 o Santo Graal, também abriu o show da filandesa em 2022, e em mais de duas décadas de trajetória fizeram uma competente apresentação.

Como se sabe Tarja Turunen foi uma das fundadoras do Nightwish no começo dos anos 90. Com a banda lançou trabalhos e músicas emblemáticas até ser chutada pra fora em 2005. Mas a vocalista não se abalou e em mais de quinze anos de voo solo sedimentou sua carreira dentre os grandes nomes do metal sinfônico.

Até agora a filandesa lançou nove discos e a "Living The Dream Tour 2023" priorizou os trabalhos mais pesados nos quais o vocal lírico de Tarja se acomodaram ao metal em arranjos grandiosos e envolventes.

E isso se refletiu na euforia do público que praticamente lotou a casa cantando cada música a plenos pulmões. Por volta das 22h40 as luzes se apagaram, gritos descontrolados.

Quando a banda entrou detonando "Eye of The Storm", do "Best Of: Living The Dream", de 2022, os fãs foram à loucura. Se houvesse o Prêmio Nobel de Carisma e Simpatia a finlandesa seria premiada todos os anos, pois é sorridente, manda corações pra galera e sorri o tempo todo. Agradecia a todo momento os fãs, disse que adora tocar no Brasil e pergunta se querem que ela volte todos os anos.

O setlist contemplou músicas emblemáticas de Tarja como "Demons in You", do álbum "The Shadow Self", de 2016, "Falling Awake", do "What Lies Beneath", de 2010, "Oasis", de "My Winter Storm", de 2007 e "You and I" e "Shadow Play", do disco "I The Raw", de 2019.

Marcaram presença o tenor Thiago Arancam num dueto esplêndido com Tarja em "The Phantom of The Opera", na clássica composição de Andrew Lloyd Webber. O guitarrista do Angra, Rafael Bittencourt marcou presença em "Over The Hills and Far Away", do irlândes Gary Moore, que fechou o show pontualmente à meia-noite e trinta.

Terminada a apresentação a tradicional foto com os fãs e os guitarristas distribuindo palhetas e Tarja dando adeus e muitos sorrisos para os fãs. Para alegria de todos a Top Link Music já programou a volta de Tarja para março de 2024.

Tarja Turunen - Living The Dream Tour 2023

Tokio Marine Hall - 23 de setembro

SETLIST

Eye of the Storm
Demons in You
Falling Awake
Diva
Naiad
Oasis
You and I
Shadow Play
Enough
I Feel Immortal
The Phantom of the Opera
(Andrew Lloyd Webber cover) (with Thiago Arancam as guest vocalist)
I Walk Alone
Victim of Ritual
Encore:
Innocence
Die Alive
Dead Promises
Until My Last Breath
Over the Hills and Far Away - (Gary Moore cover) (with Rafael Bittencourt

Helmet libera clipe da música ‘Gun Fluf’


Do site Roque Reverso

O Helmet liberou clipe da música “Gun Fluf”. É mais uma faixa que fará parte do disco novo que o grupo norte-americano comandando pelo vocalista e guitarrista, Page Hamilton, trará aos fãs no último bimestre de 2023.

O álbum “Left” será lançado oficialmente no dia 10 de novembro. A primeira música apresentada do disco havia sido “Holiday”, que chegou aos fãs no dia 23 de agosto.

Na ocasião, o Helmet também trouxe outros detalhes do seu futuro trabalho, como a capa e a lista de faixas. 
“Left” será o nono álbum de estúdio do Helmet e sucederá o disco “Dead To The World”, de 2016. 
Com isso, o grupo romperá um hiato de 7 anos sem um álbum de inéditas. “Left” terá 11 faixas, sendo que “Gun Fluf” é a segunda da lista do disco.

https://youtu.be/Ws0FLOvJgNE

domingo, 24 de setembro de 2023

O álbum que mudou radicalmente a história do Thin Lizzy faz 50 anos



Uma banda pesada que era punk antes de existir o movimento e as bandas do subgênero do rock. Um trio da pesada, que fazia rock pesado a partir do blues e de composições altamente inspiradas por um baixista negro irlandês (apesar de nascido na Inglaterra). Como aquela pedante e arrogante, mas sem sorte, poderia dar certo?

Phil Lynott não sabia na época, mas o Thin Lizzy tinha de mudar radicalmente e 1973 para crescer, e admitiu isso em entrevistas anos depois: a época romântica da banda tinha de ser abandonada em prol de esquema mais profissional. O guitarrista Eric Bell tinha de partir.

"Vagabonds of the Western World" foi lançado em 1973. Era o terceiro álbum de estúdio de uma banda que pretendia carona no sucesso do conterrâneo Rory Gallagher, que despontara anos antes com o trio Taste. Na carreira solo, o guitarrista e cantor de blues virou suceso mundial com uma sequência de grandes discos.

O amigo Gary Moore já tinha largado na frente com o seu Skid Row e começava a fazer o seu nome no circuito Belfast-Londres. O esquema era o mesmo: um blues rock acelerado e uma postura de afronta, de chutar canelas e se fazer ouvir.

Moore quase tocou em definitivo com o Thin Lizzy, mas tinha muita ambição e não estava disposto a esperar naquela virada dos anos 60 para os 70.

Apesar de próximas, a Dublin de Lynott, capital da República da Irlanda, e a Belfast de Moore, capital da Irlanda do Norte, ficavam em países diferentes - em mundos diferentes, dilacerados pelo nacionalismo e pelas rixas religiosas e políticas entre católicos republicados e protestante unionistas (que defendiam a integração ao Reino Unido).

Nada disso separava os amigos, mas Moore era mais inquieto e caiu no mundo. Lynott, o baterista Brian Downey e o guitarrista Eric Bell preferiram a cautela: solidificaram a fama local e refinaram seu som a ponto de chegarem quase á perfeição, segundo a imprensa irlandesa da época. Pena que os ingleses não entenderam dessa forma, e muito menos os norte-americanos.

Lynott era uma espécie rara de músico que dominava completamente o senso rítmico e a condução das melodias. ora tocava o seu instrumento como uma guitarra, ao estilo Lemmy Kilmister (Motorhead), ora esbanjava categoria ao fazer base e ritmo ao mesmo tempo, como John Entwistle (The Who). Como compositor, tinha um talento nato para criar grande melodias.

A ´música foi sua companheira desde sempre. Nascido em Birmingham, na Inglaterra, em 1949, era filho de uma irlandesa com um músico negro, que logo sumiu pelo mundo quando a namorada ficou grávida - há dúvidas se era um negro brasileiro ou venezuelano.

Mãe solteira e sem sem emprego, Philomena Lynott voltou para a Irlanda quase adolescente e foi acolhida pela família, uma raridade na Irlanda ultraconservadora dos anos 50.

Filho da classe média, Phil sempre foi o diferente por ser negro irlandês em um país de louros e ruivos. Com inteligência acima da média, destacava-se ao escrever poesia e pequenos contos, mas a paixão mesmo era a música.

Por isso pe que sua frustração era enorme o ver bandas fazendo algum sucesso no Reino Unido e ele e seu Thin Lizzy patinando na Irlanda, O Lizzy era bom demais, mas Lynott, Bell e Downey continuavam pobres e sem dinheiro.

"Vagabonds of the Western World" é um álbum interessante, mas ainda refletia as dúvidas e incertezas que pairavam sobre o trio. Hard rock? Blues rock? Glam rock? Pop meloso?

O baixista ainda estava se aprimorando como compositor e vocalista. Estava se acostumando com a oz grave e melancólica e procurava o seu estilo de cantar. Mas, sobretudo, ainda não tinha chegado ao ponto de compor um hit, aquela música definitiva que carregaria a banda por anos.

"The Rocker" era essa canção, com potencial imenso e que realmente se tornaria um clássico do rock, mas algum tempo depois, quando o som da banda ficou mais pesado. é a canção mais importante do disco, tanto que figurou no repertório dos shows até o fim da banda, em 1983.

Lynott assina as oito composições do disco, sozinho ou em parceria com os companheiros. A abertura, com "Mama Nature Said", é um rock vigoroso com um vocal rouco que emulava, de certa forma, Rod Stewart, mas o vocal ainda soa hesitante, mas a guitarra bluesy de Bell salva.

"The Hero and the Madman" é o épico do álbum um blues rock psicodélico arrastado que se tornaria uma canção cult da banda. Soa com alguma ingenuidade, como se Lynott estivesse se aprimorando para escrever os clássicos do futuro. Parte da letra é declamada, como se fosse a trilha sonora de um filme.

"Slow Blues" é uma tentativa de emplacar algo que pudesse concorrer com o conterrâneo Rory Gallagher, mas não tinha a pegada necessária e vigorosa. mais tarde serviria de base para um sucesso da banda, "Don't believe a Word".

"The Rocker" é um rockão simples, eficiente e ótimo para escutar viajando ou dirigindo, Ao vivo soava mais pesada e mais perigosa, com vocais mais sarcásticos e sacanas. O trabalho de guitarra é ótimo.

A faixa-título traz algum experimentalismo e apresentaria ao mundo o Lynott cronista, com suas narrativa de redenção, submundo e pessoas transtornadas, mas sempre apaixonadas e com mil motivos para seguir m frente. É outra canção injustiçada.

Outra que merece destaque é a psicodélica "A Song For While I'm Away", com seu jeitão de canção dos Beatles cantada em voz dobrada e com nítido acento pop. A música é boa, mas datada, gravada no tempo errado, já que a música da época era dominada pelo hard rock e pelo glam rock. Totalmente fora de moda.

Sem repetir o sucesso da versão mais rock da tradicional canção irlandesa "Wiskey in the Jar", no ano anterior 0 n´mero 1 na Irlanda e rapidamente número 6 no Reino Unido por um tempo -, o desânimo tomou conta da banda. Não que "Vagabonds" fosse um fracasso total de vendas ou de crítica, mas o desempenho estava muito além do esperado.

Como o clima estava tenso entre Bell e Lynott, não demorou para que a primeira formação clássica se desmanchasse, Eric Bell era um guitarrista de blues e queria fazer um rock mais tradicional.

Lynott imaginava om som mais vigoroso e pesado, em uam tendência que ganhava corpo na Inglaterra com Queen, Humble Pie, Nazareth e Slade, entre outros. Ele queria som maior, grande, que expandisse as possibilidade e possibilitasse algum experimentação. Era tudo o que Bell não queria.

Gary Moore socorreu a banda por pouco tempo após a saída de Bell ainda em 1973 até que o Lizzy assinasse um contrato com uma nova gravadora. E então o sonho do baixista e vocalista se concretizou: dois guitarristas chegaram para encorpar o som - Scott Gorham e Brian Robertson, deixando a banda menos irlandesa e mais britânica.

"Nightlife", de 1974, já mostrava que as mudanças eram profundas, quase que outra banda: músicas mais agressivas, fortes e pesadas. "Fighting", de 1975, era a consolidação para o sucesso mundial, finalmente de "Jailbreak", de 1976 - "Live and Dangerous", álbum ao vivo de 1978, foi o auge do sucesso nesta segunda fase,

Pelos motivos invertidos, "Vagabonds" é o mais "importante" disco do Thin Lizzy, pois forçou a banda a mudar de forma radical para atingir o sucesso e ganhar o mundo - graças ao som mais pesado e às guitarras duplas e quase gêmeas.

Um pouco mais sobre "Vagabonds"

O jornalista Henrique Inglez de Souza, com passagens por várias publicações importantes de cultura e música nos últimos 25 anos, lembrou nas redes sociais do cinquentenário de "Vagabonds of the Western World" e relembrou uma entrevista que fez com o guitarrista Eric Bell em 2006.

O que ele escreveu sobre essa conversa é relevante para o tema que estamos tratando e merece ser registrado. Começa pela capa do disco, uma arte de Jim Fitzpatrick, que assinaria diversas capas para eles dali em diante.  

"Em 2006, entrevistei o guitarrista Eric Bell, o cara que saiu do Thin Lizzy logo após os primeiros shows da turnê desse disco", escreveu Souza. "Segundo Bell me disse, ele despirocou e se mandou. Um músico ímpar na abordagem, fruto da influência sessentista bluesy-psicodélica." 

Lynyrd Skynyrd faz show correto, mas sem emoção, em lamentável rodeio em SP

 O show internacional mais curioso do ano superou todas as expectativas, por mais que a plateia mostrasse pouco entusiasmo. 

Os norte-americanos do Lynyrd Skynyrd desfilaram seu southern rock para casa cheia no Jaguariúna Rodeo Festival, no interior de São Paulo, um evento péssimo coalhado de atrações sertanejos péssimos, com direito a um ou outro pagode mais do que péssimo.

Não dá para respeitar nenhum tipo de rodeio ou evento baseado no sofrimento  de animais - por isso é lamentável que uma banda importante de rock se apresente em um rodeio.

Foi a segunda vez que Lynyrd Skynyrd esteve em um rodeio no Brasil - também em el artístivo, anos atrás. Se antes a sua presença era totalmente descabida e totalmente deslocada, desta vez a banda recebeu um pouco mais de atenção e respeito, ainda que tenha sido escalada em um evento de tão baixo nível artístico.

Ainda assim, com pista cheia, Lynyrd Skynyrd não passou de uma curiosidade na maioria imensa do público apático e sem entender muito bem o que os roqueiros americanos estavam fazendo ali. Certamente eram mais baratos do que Taylor Swift, Alan Jackson ou Billy J. Cyrus...

Ao contrário do show da quinta-feira anterior, no Espaço Unimed de São Paulo, quando estava à vontade e parecia curtir o ambiente, o show do "rodeio" foi apenas correto e sem grandes emoções.

 Foram 75 minutos de vários hits destilados de forma mecânica e sem muito entusiasmo, mas com um profissionalismo exemplar. É uma banda sensacional, que fez a alegria de uns poucos fãs incondicionais que estavam na parte da frente e que cantavam todas as canções.

Os três guitarristas formaram uma cama sonora que causou estranheza aos sertanejos. O som estava pesado, embora não muito, mas o suficiente para o Lynyrd mostrar a que veio, com música de verdade e rock dos bons. 

"What's Our Name" parecia que ia levantar a plateia, mas foi um alarme falso. O público pouco se interessou, assim como não interagiu com um esforçado Johnny Van Zandt, o vocalista excelente em domar plateias.

Ele fez o que tinha de fazer, exaltando o festival e elogiando o Brasil. Sentindo que o público estava pouco à vontade, foi em frente e tocou o show. Será que ele tinha sido informado a respeito de onde estava e o que o rock (não) significava para a maioria do povo estava na apresentação?

Entre os guitarristas, a precisão de Rick Medlocke, o veterano que por muitos anos comandou o Blackfoot, jogou uma quantidade absurda de riffs maravilhosos e permitiu a Van Zandt desfilar sem preocupações sua classe e seu vocal poderoso.

Houve muitas homenagens ao mestre Gary Rossington, guitarrista que ajudou a criar a banda nos anos 70 e que morreu no começo deste ano - era um dos sobreviventes do aciedente aéreo que acabou com a banda em 1977.

A plateia mostrou algum interesse na balada country "Tuesday' s Gone", regravada pelo Metallica anos atrás, mas ficou quieta diante do hino "Simple Man" e do rockão "Gimme Back My Bullets"", clássico do rock de estrada.

"Saturday Night Special" passou batida, assim como  "Call Me the Breeze", este um dos maiores sucessos da banda. Agiação, mesmo, só na última canção do show, "Sweet Home Alabama", música constante em programações engessadas de rádio de rock clássico e em karaokês vagabundos,

Sem bis, a banda evirou o seu maior clássico depois da volta, em 1987: "Red, White and Blue", uma canção patriótica que exalta a nação americana, mas, de certa forma, um pouco do estloo conservador do sul dos Estados Unidos - o Lynyrd Skynyrd surgiu em Jacksnville, na Flórida, e é adorada em Estados onde ainda persiste um culto à "ideologia" que contribuiu para a Guerra Civil Americana (1861-1865). 

O conflito armado opôs o então norte moderno e industrializado ao sul escravista, agrícola e atrasado, om a derrota deste último.  O preconceito racial, com leis racistas, predominou em vários Estados, até os anos 70.

Foi um show correto, bem feito e muito profissional, mas quase sem emoção, ao contrário da apresentação paulistana, que teve um público adequado e que sabia exatamente o que estava acontecendo. 

Agora é esperar que a banda e outras atrações internacionais nunca mais caiam na roubada de de tocar em eventos lamentáveis como "rodeios".

sábado, 23 de setembro de 2023

Estreia do Van Halen, 45 anos atrás, salvou o heavy metal e mudou a música pop

Bandas ruins estavam fazendo muito sucesso e ganhando dinheiro, e aquele quarteto de Pasadena, na Califórnia, muito melhor do que todos elas, ainda tocava em festas em quintais de vizinhos. A idade ia passando, eles já tinham passado dos 20 anos de idade, e começavam a desanimar.


Só que decidiram pela enésima vez continuar por mais um tempo para ver as coisas acontecerem. "Não é possível que seremos recusados mais uma vez", disse o guitarrista astro amado por todos os músicos de Los Angeles.


E então encontraram um hippie doidão que entendia muito de música chamado Ted Templeman. Um ano depois lançavam aquele que seria, até então o disco de estreia mais importante e vendido do rock.

Há 45 anos, em 1978, "Van Halen" subia como um foguete nas paradas de sucesso e sumia das lojas contra todos os prognósticos, inclusive os da gravadora da banda, a Warner.


O mundo descobria um guitarrista genial holandês chamado Edward Van Halen, que viria a ser considerado o guitarrista mais influente do rock depois de Jimi Hendrix.


"Van Halen", que entre os fãs virou "Van Halen 1", trazia os elementos que fizeram do quarteto os reis do underground pesado da Califórnia: músicas atraentes, alegres e pesadas, como inovação nas guitarras e letras engraçadas, zombeteiras e ensolaradas.

E a banda dos quintais e dos clubes fedorentos recusada por todas as gravadoras se tornou a "salvação" do heavy metal, como bem definiu o professor e escritor Greg Renoff no livro "A Ascensão do Van Halen", lançado em 2016 e que ganhou uma versão brasileira da Editora Madras.


Para quem gosta do Van Halen, de história do rock ou mesmo de um bom livro sobre músicos, a obra de Renoff é altamente recomendável.


O autor, que é muito fã da banda (o que, às vezes, se torna um defeito ao longo da narrativa), faz uma "biografia" do grupo desde o começo até o fim de 1978, quando fica gigante na turnê mundial do álbum de estreia.

Bastante didático e muito rico em fontes entrevistadas, o livro traça um detalhado panorama de como o Van Halen caminhou a duras penas para conseguir o estrelato – de como, sem muitas firulas, se consolidou a determinação dos músicos, que desanimavam às vezes, mas que tinham convicção de que seriam grandes.


E o mais legal é que dá pistas de como surgiram os problemas futuros, anos depois, que culminaram na saída do vocalista David Lee Roth em 1984, após seis álbuns de estúdio, vendas gigantescas e turnês monstruosas (com direito a uma passagem pelo Brasil em 1983).

"Van Halen" é um assombro pela proposta ousada de buscar timbres inusitados e, por que não, inéditos de guitarra. Também é destaque o baixo propulsor que ressaltava ritmo e melodia quase que ao mesmo tempo, algo que só gente graúda do instrumento fazia, como John Entwistle (The Who) e Jack Bruce (Cream), por exemplo. Michael Anthony sepre foi referência no baixo.


A produção de Templeman valorizava o conjunto e o peso característico da banda, de forma lapidada, mas não o suficiente para que soasse pomposo ou artificial.


No livro, Renoff conta alguns dos então segredos, à época, dos timbres maravilhosos de guitarra de Eddie, como a bomba propulsora e o "cabeçote" inventado por ele para conseguir mais potência e força no som sem ter de aumentar o volume do amplificador.


E aí temos pérolas roqueiras como "Runnin' With the Devil", que abre o álbum com hard rock intenso e delicioso iniciado por um buzinaço.


E o quer dizer da fantástica "Ain't Talkin' "Bout Love", um rock veloz e furioso, mas com um groove inexplicável.


Estão lá "Eruption", a peça instrumental que se tornou a obsessão de todos os guitarristas roqueiros do mundo, a pesada "Ice Cream Man" e a sarcástica e sacana "Jamie's Cryin"'.


Tem também os hits certeiros como "Little Dreamer" e "I'm the One", e a peça que catapultou a banda para o sucesso imediato, a versão incendiária e deslumbrante de um megassucesso mundial, "You Really Got Me", clássico dos Kinks.

É nessa faixa que a bateria demolidora de Alex Van Halen e o baixo propulsor de Michael Anthony praticamente definem o ritmo da banda, construindo uma bela parede sonora para as aventuras orbitais de Eddie.


O disco de estreia do quarteto não apenas salvou o heavy metal, como diz Renoff, como também elevou muito os padrões de produção e os patamares instrumentais da guitarra. Demorou, mas a banda de quintais californiana mudou o mundo da música.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Bruce Dickinson anuncia álbum solo e turnê brasileira em 2024

O cantor inglês Bruce Dickinson viu o mundo cair quando decidiu partir para a carreira solo em 1993. Como assim largar a segurança do monstro Iron Maiden? "Tattoed Millionaire", o álbum solo de 1990, já tinha dado a letra: o vocalista esta preparando terreno para sozinho.

Ele se deu melhor fora da banda em termos artísticos em relação aos ex-companheiros, mas não em termos de vendas, tanto que ele voltou ao Iron Maiden em 1999. Ele realmente precisava de uma carreira solo?

O assunto gera muito debate até hoje, mas os fãs não têm dúvidas: todo mundo ganhou com a robusta e elogiada série de CDs lançados a partir de 1994. A reunião não afetou os projetos paralelos de Dickinson, mas a realidade foi dura: "Tyranny of Souls", de 2005, foi o último álbum solo e o Iron Maiden tomou toda a sua vida desde então.

O que esperar, então, dos shows solo que o cantor anunciou nesta semana para 2024? Foi uma surpresa, já que o disco solo que está produzindo, com calma, acabou meio que antecipado e deve ser lançado em breve, antes de o Iron voltar às turnês no ano que vem.

Antes do álbum solo novo, no entanto, vem uma miniturnê mundial que começará por Brasil e México, com chances grandes de a banda de apoio ter Adrian Smith, guitarrista companheiro de Iron Maiden, e o baterista Bruno Valverde, brasileiro que toca no Angra e com Smith no projeto Smith-Kotzen (com o guitarrista americano Ritchie Kotzen).
 
Bruce Dickinson anunciou o lançamento de seu novo álbum solo no começo de 2024 pela BMG Records. Intitulado "The Mandrake Project", o novo trabalho reúne Dickinson com o colaborador musical e produtor de longa data, Roy Z.

"The Mandrake Project" será o sétimo álbum solo de Bruce Dickinson e o primeiro em 19 anos - o último disco solo lançado por Dickinson foi "Tyranny Of Souls" em 2005. Segundo Bruce, o novo trabalho é uma jornada muito pessoal cujo resultado o deixou extremamente orgulhoso:

"Roy Z e eu planejamos, escrevemos e gravamos há anos, e estou muito animado para que as pessoas finalmente ouçam. Estou ainda mais animado com a perspectiva de cair na estrada com essa banda incrível que montamos, para poder dar vida a este projeto. Estamos planejando fazer o máximo de shows que pudermos, em tantos lugares quanto possível, para o máximo de pessoas que conseguirmos atingir! The Mandrake Project realmente é.... Bem, tudo será revelado em breve!"

Enquanto cresce a expectativa da imensa legião de fãs do artista, os brasileiros já podem festejar. Bruce divulgou as primeiras datas dessa longa turnê que pretende fazer, e o Brasil receberá o artista em nada menos que sete cidades, logo após os dois primeiros shows que acontecerão no México - dia 18 de abril, em Guadalajara e dia 20 de abril na Cidade do México.

No Brasil, a The Mandrake Project World Tour é mais uma realização da MCA Concerts e será vista no dia 24 de abril em Curitiba, na Live Curitiba; dia 25 de abril no Pepsi On Stage, em Porto Alegre; dia 27 na Opera Hall, em Brasília; dia 28 de abril na Arena Hall, em Belo Horizonte; dia 30 de abril no Rio de Janeiro, no Qualistage; dia 02 de maio na Quinta Linda, em Ribeirão Preto; e no dia 04 de maio em São Paulo, na VIBRA São Paulo.

Ingressos para os shows começam a ser vendidos a partir de 11h do dia 25 de setembro, segunda-feira. Haverá uma pré-venda para membros do Iron Maiden Fan Club no domingo, dia 24 de setembro, entre 11h e 23h59.

Em São Paulo e Curitiba as vendas serão através da plataforma uhuu.com. Rio de Janeiro, Porto Alegre, Ribeirão Preto, Brasília e Belo Horizonte em bilheteriadigital.com.  


SERVIÇO "The Mandrake Project Tour"


CURITIBA

Data: Quarta-feira, 24/04/2024

Local: LIVE CURITIBA - Rua Itajubá, 143 - Novo Mundo

Horário de abertura das portas: 18h00

Horário de início do show: 21h00

Classificação indicativa: 18 anos, menores de 18 anos somente acompanhados dos pais ou do responsável legal.

Acessibilidade para PCD

Vendas de ingressos: www.uhuu.com

Pré-Venda "Iron Maiden Fan Club": Dia 24/09/2023 das 11h00 às 23h59

Início da Venda Geral: Dia 25/09/2023 a partir das 11h00

Preços dos ingressos:



SETOR INTEIRA MEIA SOLIDÁRIO

PISTA R$800,00 R$400,00 R$480,00

MEZANINO R$600,00 R$300,00 R$360,00



Meia entrada: A meia entrada é destinada para estudantes, jovens de baixa renda, pessoas acima de 60 anos, professores, doadores de sangue, portadores de câncer e PCD.



Descontos Promocionais:

- Clube OPUS tem desconto de 50% sobre o valor de inteira, até 2 ingressos.

- Bloom VIP tem desconto de 50% sobre o valor de inteira, até 2 ingressos.

- Ingresso Solidário com 40% de desconto mediante doação de 1Kg de alimento não perecível, menos sal, entregue na entrada do show.



Bilheteria física: Quiosque UHUU Shopping Crystal Piso L2, Rua Comendador Araújo, 731 Batel, horário das 14h às 17h e das 17h15 às 20h.



Assessoria de Imprensa Curitiba

Contato: Augusto Tortato

Celular: (41) 9 9202 7621

E-mail: augustotortato@gmail.com



PORTO ALEGRE

Data: Quinta-feira, 25/04/2024

Local: PEPSI ON STAGE - Avenida Severo Dullius, 1995 - Anchieta

Horário de abertura das portas: 19h00

Horário de início do show: 22h00

Classificação indicativa: 16 anos, menores de 16 anos somente acompanhados dos pais ou responsável legal.

Acessibilidade para PCD

Vendas de Ingressos: www.bilheteriadigital.com

Pré-Venda "Iron Maiden Fan Club": Dia 24/09/2023 das 11h00 às 23h59

Início da Venda Geral: Dia 25/09/2023 a partir das 11h00

Preços dos ingressos:

SETOR INTEIRA MEIA SOLIDÁRIO

MEZANINO R$800,00 R$400,00 R$480,00

PISTA PREMIUM R$800,00 R$400,00 R$480,00

PISTA R$600,00 R$300,00 R$360,00

Meia entrada: A meia entrada é destinada para estudantes, jovens de baixa renda, doadores de sangue, pessoas acima de 60 anos e PCD.

Descontos Promocionais: Ingresso Solidário com 40% de desconto mediante doação de 1Kg de alimento não perecível, menos sal, entregue na entrada do show.

Bilheteria física: LA MAFIA - Rua Quintino Bocaiuva, 1576 - Rio Branco.



Assessoria de Imprensa Porto Alegre

Nome: Paulo Finatto

Celular: (51) 9 8404 4171

E-mail: finatto@opiniao.com.br



BRASÍLIA

Data: SÁBADO, 27/04/2024

Local: OPERA HALL - SHTN Trecho 2 - Asa Norte

Horário de abertura das portas: 19h00

Horário de início do show: 22h00

Classificação indicativa: 16 anos, menores de 16 anos somente acompanhados dos pais ou responsável legal.

Acessibilidade para PCD

Vendas de ingressos: www.bilheteriadigital.com

Pré-Venda "Iron Maiden Fan Club": Dia 24/09/2023 das 11h00 às 23h59

Início da Venda Geral: Dia 25/09/2023 a partir das 11h00

Preços dos ingressos:

SETOR INTEIRA MEIA SOLIDÁRIO

PISTA PREMIUM R$800,00 R$400,00 R$480,00

PISTA R$600,00 R$300,00 R$360,00

Meia entrada: A meia entrada é destinada para estudantes, jovens de baixa renda, professores, pessoas acima de 60 anos e PCD.

Descontos Promocionais: Ingresso Solidário com 40% de desconto mediante doação de 1Kg de alimento não perecível, menos sal, entregue na entrada do show.

Bilheteria física: Free Corner - Terraço Shopping Loja 220/221- SHC AOS EA 02/08, nº 5 - Octogonal Sul



Assessoria de Imprensa Brasília

Contato: Nina Rocha

Celular: (61) 9 9902 2418

E-mail: eliane.rocha@umaassessoria.com.br



BELO HORIZONTE

Data: Domingo, 28/04/2024

Local: ARENA HALL - Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 -

Horário de abertura das portas: 18h00

Horário de início do show: 20h00

Classificação indicativa: 18 anos, menores de 18 anos somente acompanhados dos pais ou responsável legal.

Acessibilidade para PCD

Vendas de ingressos: www.bilheteriadigital.com

Pré-Venda "Iron Maiden Fan Club": Dia 24/09/2023 das 11h00 às 23h59

Início da Venda Geral: Dia 25/09/2023 a partir das 11h00

Preços dos ingressos:

SETOR INTEIRA MEIA SOLIDÁRIO

PISTA R$800,00 R$400,00 R$480,00

ARQUIBANCADA R$600,00 R$300,00 R$360,00

Meia entrada: A meia entrada é destinada para estudantes, jovens de baixa renda, pessoas acima de 60 anos e PCD.

Descontos Promocionais: Ingresso Solidário com 40% de desconto mediante doação de 1Kg de alimento não perecível, menos sal, entregue na entrada do show.

Bilheteria física: Não tem



RIO DE JANEIRO

Data: Terça-feira, 30/04/2024

Local: QUALISTAGE - Avenida Ayrton Senna, 3000 - Barra da Tijuca

Horário de abertura das portas: 19h00

Horário de início do show: 22h00

Classificação indicativa: 18 anos, menores de 18 anos somente acompanhados dos pais ou responsável legal.

Acessibilidade para PCD

Vendas de ingressos: www.bilheteriadigital.com

Pré-Venda "Iron Maiden Fan Club": Dia 24/09/2023 das 11h00 às 23h59

Início da Venda Geral: Dia 25/09/2023 a partir das 11h00

Preços dos ingressos:

SETOR INTEIRA MEIA SOLIDÁRIO

CAMAROTE R$900,00 R$450,00 R$540,00

PISTA PREMIUM R$800,00 R$400,00 R$480,00

PISTA R$600,00 R$300,00 R$360,00

POLTRONA R$500,00 R$250,00 R$300,00

Meia entrada: A meia entrada é destinada para estudantes, jovens até 21 anos, jovens de baixa renda, professores, pessoas acima de 60 anos e PCD.

Descontos Promocionais:

- Cliente QualiCorp tem desconto de 50% sobre o valor de Inteira, até 2 ingressos.

- Ingresso Solidário com 40% de desconto mediante doação de 1Kg de alimento não perecível, menos sal, entregue na entrada do show.

Bilheteria física: Bilheteria do QualiStage



Assessoria de Imprensa Rio de Janeiro

Nome: Ana Paula Romeiro

Celular: (21) 99601-3908

E-mail: apaula.romeiro@gmail.com



RIBEIRÃO PRETO

Data: Quinta-feira, 02/05/2024

Local: QUINTA LINDA - Rodovia SP 330, KM303

Horário de abertura das portas: 18h00

Horário de início do show: 21h00

Classificação indicativa: 18 anos, menores de 18 anos somente acompanhados dos pais ou responsável legal.

Acessibilidade para PCD.

Vendas de ingressos: www.bilheteriadigital.com

Pré-Venda "Iron Maiden Fan Club": Dia 24/09/2023 das 11h00 às 23h59

Início da Venda Geral: Dia 25/09/2023 a partir das 11h00

Preços dos ingressos:

SETOR INTEIRA MEIA

PISTA PREMIUM R$800,00 R$400,00

PISTA R$600,00 R$300,00

Meia entrada: A meia entrada é destinada para estudantes, jovens de baixa renda, professores, pessoas acima de 60 anos e PCD.

Bilheteria física: Studio Arena Barbearia - Boulevard Arena EUROBIKE - Avenida Constabile Romano, s/n



Assessoria de Imprensa Ribeirão Preto

Contato: Fabiana Albuquerque

Celular: (16) 9 8176 4969

E-mail: novarp@uol.com.br



SÃO PAULO

Data: Sábado, 04/05/2024

Local: VIBRA SÃO PAULO - Avenida Nações Unidas, 17.955 - Vila Almeida

Horário de abertura das portas: 19h00

Horário de início do show: 22h00

Classificação indicativa: 18 anos, menores de 18 anos somente acompanhados dos pais ou do responsável legal.

Acessibilidade para PCD.

Vendas de ingressos: www.uhuu.com

Pré-Venda "Iron Maiden Fan Club": Dia 24/09/2023 das 11h00 às 23h59

Início da Venda Geral: Dia 25/09/2023 a partir das 11h00

Preços dos ingressos:

SETOR INTEIRA MEIA

CAMAROTE R$1.200,00 R$600,00

PISTA R$800,00 R$400,00

PLATEIA SUPERIOR R$600,00 R$300,00

VISÃO PARCIAL R$400,00 R$200,00

Meia Entrada: A meia entrada é destinada para estudantes, jovens de baixa renda, professores, pessoas acima de 60 anos e PCD.

Descontos Promocionais: Clube OPUS tem desconto de 50% sobre o valor de inteira, até 2 ingressos por associado.

Bilheteria física: Bilheteria da Vibra São Paulo

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Nova biografia de Jimi Hendrix chega ao mercado brasileiro



Depois de 53 anos de sua morte, ainda há alguma novidade sobre a carreira do guitarrista norte-americano Jimi Hendrix? Alguns escritores e jornalistas acreditam que sim, tanto que continuam lançando livros sobre o maior de todos os guitarristas. Novidades mesmo, não existem mais.

“Jimi Hendrix: Uma Sala cheia de Espelhos” (Editora Seoman), do jornalista Charles R. Cross (mesmo autor da biografia de Kurt Cobain), esta sendo lançado no Brasil e promete (mais uma) ser a biografia definitiva. Cross afirma que preencheu lacunas com seu mais recente livro, especialmente a respeito de sua morte.

Vamos tomar bastante cuidado om os slogans de propaganda sobre este livro. Por enquanto, afirmamos que é mais uma biografia do mestre guitarra - quanto mais, melhor, sem dúvida alguma. Algumas publicações estrangeiras elogiaram a obra, mas sem os excessos e sem citar grandes descobertas.

O que se sabe mesmo é que é um livro recheado de informações e que detalha bastante a vida de Hendrix, que morreu em 18 de setembro de 1970, em Londres, de overdose de drogas. A vida dele antes da fama, até 1965, é bem descrita e detalhada.

A obra traz informações interessantes sobre uma carreira recheada de polêmicas. Charles R. Cross pinta um profundo retrato desse gênio da música e mostra de forma crua a imagem quase sobrenatural de um homem que estava destinado a ser um astro.

O nome do livro é uma referência à música “Room Full of Mirrors”, composta em 1968, o título do livro já é uma provocação ao que será desvendado pelo autor e mostra a múltipla personalidade do artista.

A canção, que nunca foi lançada oficialmente durante a vida de Hendrix, conta a história de um homem aprisionado em um mundo de reflexos de si mesmo, tão poderoso que o persegue até nos sonhos. Ele se solta ao estilhaçar os espelhos e, ferido pelos cacos de vidro, busca um “anjo” que possa libertá-lo.

Em visita ao pai de Jimi Hendrix, Al, nos anos 2000, o biógrafo de Hendrix viu uma peça de arte, criada pelo músico em 1969, que consistia em uma moldura com cinquenta pedaços de um espelho estilhaçado, engastados em argila, na exata posição que teriam ocupado quando o espelho foi partido.

Al Hendrix apontou que “essa era a Sala Cheia de Espelhos de Jimi”. “Tendo em mãos a manifestação física desse conceito, é impossível não pensar na profunda complexidade do homem que criou essa música”, conta Ross na apresentação da biografia.


Um ponto, no entanto, merece destaque: “Jimi Hendrix: Uma Sala cheia de Espelhos” traz informações de um ponto de vista até então inédito: uma versão diferente sua saída do serviço militar - ele foi paraquedista do exército.

Serviço:

Livro: Jimi Hendrix: Uma Sala cheia de Espelhos

Autora: Charles R. Cross (@charlesrcross)

Editora: Cultrix

Páginas: 464

Preço: R$ 72,90

Adquira o livro em: https://www.grupopensamento.com.br/produto/jimi-hendrix-uma-sala-cheia-de-espelhos-8989

Com reality show ao vivo no palco, Velhas Virgens se reinventam mais uma vez

 A banda de rock que adora celebrar o prazer quer fazer história em São Paulo. São mais de três décadas nos palcos e as Velhas Virgens, de São Paulo, superou a pandemia de concid-19 e problemas internos para driblar o fim das atividades para criar o seu próprio reality show musical.

Ao vivo, durante uma apresentação no Carioca Club, na zona oeste de São Paulo, a banda vai escolher a sua nova vocalista na sexta-feira, 22 de setembro. A diferença é que o público até poderá opinar, mas que decidirá será a banda, antes do bis.

Tem sido assim a trajetória inusitada da inusitada banda de rock paulistana liderada pelo versátil e indestrutível vocalista Paulão de Carvalho, que ataca também de radialista, escritor e muitas outras coisas - quase foi repórter do finado programa CQC, da TV Bandeirantes. 

"O momento de querer parar a banda já passou. Foi um período antes da covid-19, as coisas mudaram e a formação da banda mudou. Ficou mais forte. A alegria de fazer rock voltou", disse o cantor em entrevista exclusiva ao Combate Rock "O rock está no underground, mas está forte."

A vocalista Juliana Kosso anunciou há algum tempo que pretendia parar com os shows por conta de atividades paralelas que tomaram proporções maiores principalmente durante a pandemia, atividades ligadas á psicologia e terapias comportamentais. Depois de 15 anos, a banda se viu diante um desafio.

"A Juliana tem o espírito roqueiro e o da banda. Ela entende a mensagem e curte o que fazemos, por mais que tenhamos algumas músicas com temática mais escrachada", diz Paulão. "Queremos ver se encontramos alguém siga essa tradição."

A escolha da nova vocalista ao vivo, diante da plateia, é tão inusitada que pode, inclusive, não acontecer. "Recebemos 'candidaturas' do Brasil inteiro e selecionamos três para a final. Na última parte do show, cada uma delas vai cantar três canções nossas. No intervalo para o bis, iremos escolher a melhor delas. Ou então decidir que nenhuma delas se encaixa e deixar a decisão para depois."

Por mais arriscada que essa fórmula seja, é bem a cara da banda Velhas Virgens, aquela que ousou glorificar o bar como um dos locais de convivência mais importantes da humanidade - "O Bar Me Chama", o mais recente CD, foi indicado como finalista do Grammy Latino na categoria rock cantando em português anos atrás.

Também é uma banda corajosa ao enfrentar o moralismo de todo o tipo que predomina no Brasil desde sempre, inclusive no deboche ao politicamente correto. Uma das músicas escolhidas para a definição da nova vocalista é "Abre Essas Pernas" (mais explícito do que isso...), que será tocada três vezes no "concurso".

E também há a impagável "Só Quero Te Comer" (mais explícito do que isso...), que é uma canção escrachada, mas menos ofensiva do que muita gente acha - claro que quem fala isso nunc a ouviu ou prestou a atenção nela. Quer coisa mais rock and roll do que isso?

"Mesmo no underground o rock tem esse poder de movimentar e e chacoalhar. Tem de recuperar essa verve de afrontar, de ter atitude e de se contrapor a certas coisas. E tenho orgulho de dizer que minha banda, de certa forma, conseguiu fazer isso várias vezes", explica Paulão.

Esse é um dos motes, aliás, que ele defende para atrair o público jovem atual, que anda meio distante do gênero musical e se ligando em outras manifestações artísticas. E joga nas costas dos "veteranos" a responsabilidade de renovar o interesse pelo rock.

"Cabe a nós, mais velhos [ele tem 58 anos] apresentar o rock e as coisas boas aos moleques de hoje", prega o vocalista. "Aliás, não só rock, mas tudo o que tem qualidade nas artes, na literatura. Acho que rock clássico é um termo complicado, prefiro 'rock bom'. A partir daí as coisas caminham com naturalidade."

Ele comemora a constatação de que a procura de crianças e adolescentes por escolas de música estritamente destinadas ao rock esteja aumentando - as franquias School of Rock e Academia do Rock estão em franca expansão pelo Brasil. "A notícia é boa. Que a molecada aprenda a tocar e também a mergulhar no espírito do gênero musical."

Sobre a longevidade de uma banda underground em um país dominado por sertanejos e pagodes de qualidade duvidosa, Paulão de Carvalho reconhece que s Velhas Virgens tem um diferencial de palco e de canções que a destaca da concorrência.

Sempre houve bandas "engraçadinhas", com maior ou menor grau de escracho e humor nas letras, mas as músicas da banda de Paulão apostava e apostam em um texto diferente, com altas doses de irreverência e crítica para todo mundo. Não se resumem apenas a piadas fáceis - aliás, é o que menos há na discografia da banda: piadas fáceis.

"Fico feliz quando o público reconhece essas características em nosso trabalho. É sinal de que estamos fazendo algo com alguma relevância, E certamente é um dos pilares de nossa existência e de mais de 30 anos de carreira", sintetiza o músico.

Para reforçar a aura de banda diferente e ousada, ouça as versões que a banda fez para alguns clássicos da música brasileira considerada mais brega, como "Deslizes", de Sullivan e Massadas, "Retalhos de Cetim", de Benito de Paula (com a participação do próprio na gravação da banda), "tropicália", de Caetano Veloso em uma versão pesadona à la Black Sabbath, e "Mestre Jonas", de Sá,rodrix e Guarabyra  com toques de Lynyrd Skynyrd.

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Lançamentos selecionados: Torture Squad, Attractha e Warshipper

Heavy metal de qualidade foi o que pandemia de covid-19 produziu enquanto os músicos brasileiros estiveram confinados por conta do isolamento social. em meio a lives e jornadas exaustivas no estúdio, muita coisa boa foi composta e gravada, e fomos agraciados com algumas das peças mais interessantes de metal extremo em 2023 neste semestre.

O quarteto paulistano Torture Squad prometeu e cumpriu: "Devilish" é o melhor álbum de sua carreira de de mais de 30 anos; "Lex Talionis", dos também paulistanos do Attractha, aposta na inovação em em um conceito diferente de oferecer e consumir música; do interior paulista vem o Warshipper, que investiu em um metal extremo competente e interessante.

- Foram tempos sombrios e de muita paciência, mas também de reenergização e ressurgimento. O Torture Squad tinha muitos planos, como todo mundo, e também alguns sonhos. Uma pandemia de covid-19 congelou o mundo, e transformou as nossas vidas. Muitos se perderam, e outros se concentraram.

"Desconfio que fizemos o nosso melhor disco", comentou o baterista Amílcar Christófaro em conversa com o Combate Rock no ano passado. Ele anunciava uma enxurrada de novidades pós-pandemia, que envolviam álbum novo, disco ao vivo, caixa com raridades e vídeos e direitos de áudios dos shows do festival Wacken de 2007, 2008 e 2009 adquiridos.

"Devilish", o disco de inéditas, o segundo com a formação que está junta desde 2015, chega aos streamings e lojas virtuais com o poder de um grande trabalho, e com as desconfianças do baterista se tornando realidade: é o melhor álbum da banda, o que e perfeito para comemorar as mais de três décadas do Torture Squad.

O primeiro single, que na verdade era uma música inédita de estúdio que foi incluída no álbum ao vivo "Tortura En La Iglesia - En Vivo", indicava o caminho. "The Fallen Ones" adicionava novos elementos musicais ao death metal violento e soturno, mergulhando em temas de horror. A canção é forte e muito pesada, mas agregando toques de metal progressivo, com passagens intrincadas e complexas.

"Mabus", a canção seguinte, realmente a primeira de "Devilish", levou adiante as premissas de "the Fallen One" e mostrou novas possibilidades. A construção de riffs densos e os arranjos tétricos transformaram a canção em um pandemônio sonoro - e apavorante.

"Hell Is Coming" é a que mais se parece com o Torture Squad que estamos mais acostumados, um metal acelerado e muito pesado, sem dar refresco u pausa para respiro.

Com as cartas na mesa, "Devilish" desfila bom gosto e qualidade, evidenciando que a pandemia e a parada obrigatória deram à banda o tempo necessário para testar inúmeras possibilidades, com destaque à variação de timbres e tonalidades vocais de Mayara Puertas.

A cantora que é referência de vocal agressivo e extremo no Brasil passou por outras paragens e foi muito bem na agressiva Warrior", que é um pouco mais cadenciada, mas que traz um acento quase bluesy/hard rock com um vocal mais rasgado.

A canção mais surpreende e uma das melhores do disco - ao lado de "Warrior" - é aquela de que mais destoa do tradicional death metal violento que a banda sempre destilou. Climática e lenta, com a primeira parte da canção feita com voz limpa, "Find My Way" é aterrorizante, assentada em uma bel trilha sonora de filme de terror.

O peso toma conta da segunda parte, transformando a música por completo, deixando evidentes todas as influências de rock progressivo que Christófaro sempre fez questão de adicionar ao som do Torture Squad.

Outra surpresa é a enigmática "Uatumã", cantada em inglês, português e trechos de idiomas indígenas. Fugindo um pouco do tema horror, é um libelo em prol da preservação das florestas e dos povos originários, misturando a violência do metal extremo com arranjos tribais e sonoridades das culturas indígenas. Aqui há um discurso do líder indígena Raoni Metuktire.

"Buried Alive" (com a participação de Andres Kisser, guitarrita do Sepultura), "Thoth" e "Sanctuary" também são destaques, pois são extremas e assentadas em bases mais complexas, com variações de riffs e solos de guitarra ótimos, mas tudo muito veloz. Dificilmente deixará escapar o primeiro lugar nas listas de melhores do ano, em um 2023 que tem o excelente "Eldorado", de Edu Falaschi, como destaque. E olhe que o novo do Angra vem aí...

- A banda paulistana Attractha decidiu inovar e lançou uma revista que dá suporte a um álbum - ou será o contrário? É um trabalho conceitual que foi lançado em conjunto para que o ouvinte tenha uma experiência diferente dentro do heavy metal.

"Lex Talionis" é o nome do projeto recém-lançado. São dez músicas de um ótimo metal tradicional e com produção excelente de Adriano Daga (produtor renomado do Brasil e baterista da banda Malta). É uma história de terror tendo a vingança como pano de fundo, com suspense e um desfecho, de certa forma, surpreendente.

Comprando a revista em quadrinhos - que tem um formato de livreto -, é possível acessar o álbum por meio de um QR Code e escutar enquanto corre a leitura das 64 páginas de uma história de horror sobrenatural que não tem muita originalidade, mas é interessante por misturar a história de terror com o cotidiano da violência urbana brasileira.

Só é possível ouvir "Lex Talionis" pelo celular ou um computador que tem leitor óptico de QR code. Ainda não há previsão de uma produção substancial de CDs físicos ou de venda separada de forma digital.

O metal bem feito e poderoso do Attractha, tem musculatura e não depende da revista. Temas como "I See You" e "Today" são fortes e diretos, com letras simples e riffs de guitarra muito legais.

A captação do som de bateria é um dos destaques - Daga é um ótimo baterista e um produtor experiente - e acrescenta um colorido diferente em um país onde a bateria, muitas vezes fica abafada ou escondida. Tudo bem, o cérebro da coisa toda na banda é o baterista, mas isso é somente coincidência...

"Tomorrow Is Too Late" é uma balada com acento clássico e bons arranjos orquestrais e de piano, uma música um tanto surpreendente. É uma canção bem-feita, ajuda a dar um tom dramático e melancólico a "Lex Talionis" ( lei de Talião, aquela do "olho por olho, dente por dente", talvez o primeiro código legal da humanidade). Uma história de vingança, então, tem tudo a ver...

"The Past Is Gone" é o resumo musical do álbum, com um metal consistente, guitarras bem timbradas e pesadas e bons riffs, sem abuso nos solos.

Na mesma linha vai "The Time Has Come", que tem arranjos grandiosos e riffs bem construídos. O final, como álbum de metal tradicional, épico e poderoso, deixando aberta a porta para uma eventual continuação da história.

O projeto teve bastante gente envolvida. O baterista Humberto Zambrin fez o roteiro original, criando a história, além de coordenar o design do álbum e a da graphic novel. Mozart Couto cuidou da arte/ilustração e DeCastro fez o roteiro final.A colorização ficou a cargo de Guilherme de Martino. A revista foi editada pela editora Universo Fantástico.

O quarteto - Zambrin, Ricardo Oliveira (guitarra), Guilherme Momesso (baixo) e Cleber Krichinak (vocais) - arriscou bastante ao fazer uma ópera-metal lastreada em uma história também concebida pra ser um livro/história em quadrinhos.

- De Sorocaba (SP) vem a locomotiva Warshipper, que já tinha se destacado ao lançar o álbum "Barren..." em 2021. lança um álbum ainda melhor, "Essential Morphine", oito músicas que mostram um death metal refinado e técnico. É o quarto disco da banda em dez anos de carreira."Temos sido bem-sucedidos ao atingir uma sonoridade extrema de infinitas potencialidades, onde o brutal e a sensibilidade versam juntos", diz o vocalista e guitarrista Renan Roveran, que confirma que a busca de uma sofisticação nas composições chega a er uma obsessão da banda.

Além de Roveran formam o grupo Rodolfo Nekathor (baixo e vocal), Rafael Oliveira (guitarra) e Theo Queiroz (bateria). "Essential Morphine" foi gravado no Casanegra Studio em São Paulo, com mixagem e masterização de Rafael Augusto Lopes e produção do próprio Warshipper. O álbum foi lançado em CD Digipack especial com pôster encartado pela gravadora Heavy Metal Rock.

A lista de músicas tem "Religious Metastasis", "Migrating Through Personality Spectra", "Perfect Pattern Watcher", "Morphine", "The Night of the Unholy Archangel", "The Twin of Icon", "Magnificent Insignificance" e "Guilt Trip" (bônus).


É um conjunto bem equilibrado, em que se destacam a violência sonora de "Religious Metastasis", um exemplo de música extrema bem feita e bem produzida, e "The Night of the Unholy Archangel", que já é um clássico da música extrema brasileira.

"The Night Of The Unholy Archangel"e "The Twin Of Icon", esta última violentíssima, que também foram lançadas como single, são, respectivamente, regravações do Zoltar e Bywar, bandas anteriores de Rodolfo Nekathor e Renan Roveran.