quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Programa Combate Rock traz lançamentos de terrapeixe, Andre 3000, Tina Turner, Thin Lizzy e entrevista com Adriano Daga

 O Programa Combate Rock desta semana traz um pacotaço de lançamentos para todos os gostos e faz uma análise dos problemas de infraestrutura que afetam os megashows no Brasil por conta da morte de uma espectadora no show da cantora Taylor Swift, no Rio de Janeiro.

Sobre os lançamentos, o programa toca as novas canções de terrapeixe, Lê Almeida, André 3000 e a coletânea "O Pop é Punk vol 2 - anos 70".

Para quem gosta de rock clássico tem uma supercoletâna de Tina Turner, uma edição de luxo de "Vagabonds of Western World", do Thin Lizzy, com quatro CDs, e o CD triplo da cantora de country Dolly Parton, que mergulha no rock em parcerias bacanas e inusitadas.

A entrevista da semana é com o baterista Adriano Daga, da banda Malta, que também é produtor musical de vários artistas importantes.

Clique aqui e divirta-se.

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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Paul McCartney transforma Clube do Choro, em Brasília, no Cavern Club

Da Agência Brasil

Cerca de 500 pessoas tiveram o privilégio de viver uma situação inusitada em Brasília: assistir a um show intimista de Paul McCartney em um ambiente que muito lembrava a Cavern Club – onde foram feitas as primeiras apresentações dos Beatles, ainda nos anos 60, em Liverpool. Paul e alguns poucos integrantes que o acompanham na turnê “Got Back” pelo Brasil tocaram, na terça-feira, 28 de novembro, no também lendário Clube do Choro, em Brasília.

O show foi um presente surpresa dado à população do Distrito Federal. Um primeiro lote foi vendido a R$ 200 pela empresa promotora.

Outras poucas dezenas foram distribuídas gratuitamente a alguns sortudos que foram ao local apenas movidos pela esperança de ver aquele que, para muitos, foi o mais histórico de todos os shows já realizados na capital federal. “Histórico e inesperado”, complementa Ellen Pozzebom.

As sandálias havaianas que a servidora pública tinha nos pés serviam de prova do quão imprevisível foi o presente recebido. “Eu estava no salão quando soube dessa apresentação. Resolvi vir, em um rolê completamente aleatório, e acabei sendo presenteada com um show intimista do Paul. E de graça! Foi a maior sorte de toda a minha vida”, comemorava ela ao deixar o Clube do Choro.

Segundo a servidora pública, a apresentação foi um “megashow em formato suave”, com muita interação entre o músico e a plateia e com uma acústica bastante diferenciada das grandes apresentações.

Conexão

O músico Diogo Vanelli deixou o local com a certeza de que era um privilegiado por ter visto o ídolo em um ambiente tão brasiliense. “Vi uma conexão clara entre o Clube do Choro e o Cavern Club, onde ele e os Beatles iniciaram a carreira. Parecia que eu o estava recebendo em minha casa.”

Sensação parecida teve o profissional de eventos e compositor Adalberto Rabello. “Estava clara uma mistura de universos entre Cavern Club e Clube do Choro. E foi muito interessante ver ele sem a estrutura dos grandes shows”, disse à Agência Brasil.

E a escolha pelo local não foi ao acaso. Com um show já marcado para a próxima quinta-feira, 30 de novembro, na Arena BRB, um estádio digno de estrelas do rock – onde ele próprio já tocou, em 2014 – McCartney ficou sabendo da tradição do Clube do Choro. Ciente da importância do local na cena musical da cidade, decidiu coroar o espaço, transformando-o em um pub inglês por uma noite.

Para a profissional de iluminação de palco Mariana Brandão, a sensação foi a de estar em um show dos anos 70, em um ambiente “espaçoso e agradável”. “Nem em sonho eu imaginava isso. Cheguei em cima da hora e consegui me posicionar extremamente perto de um beatle. Aliás, todos ficaram perto e conectados a ele, que estava muito comunicativo. Fiquei muito emocionada por me sentir representando um grande número de pessoas amadas que amam os Beatles”, acrescentou.

A dois metros de distância

Uma das pessoas que ficaram mais próximas do músico foi a advogada Lorena Paiva, 32. “Estava a dois metros dele. Como meço apenas 1,47m, nunca vi um show tão de perto. E isso aconteceu logo no show de um mega-astro como o Paul. 

Como sou uma pessoa muito atenta ao visual, pude observar detalhes mínimos, como a barba bem feita dele; a cor clara dos olhos dos músicos e a linguagem corporal de uma pessoa amigável e amorosa, de muito carisma e simpatia”.

A sensação de proximidade e intimidade estava presente em todos que falaram à Agência Brasil na saída da apresentação. Até mesmo aqueles que chegaram quando o beatle já cantava a terceira música, como foi o caso de Lucas Nobre. “Não havia quem não estivesse bem posicionado para assistir a esse show”.

‘Show de bola’

A proximidade entre público e artista era mais do que física, segundo ele. “Houve muita interação com a plateia. Diria até intimidade, com ele dizendo em bom português ‘show de bola’ após a cantoria geral durante a música ‘Ob-La-Di, Ob-La-Da'”.

Mesmo com uma vértebra fraturada e aos 79 anos, Elza Coelho fez questão de ir ao show. Professora aposentada da Escola Americana de Brasília, ela foi a primeira pessoa a deixar o Clube do Choro. “Melhor evitar muito contato com a multidão na hora da saída”, justificou.

A experiência representou, para ela, reviver a juventude, quando conheceu os Beatles por meio dos programas de rádio. “Eles foram um choque de novidades para a minha geração. E ouvir ele tão de perto fazendo tantas declarações de amor em português foi algo muito especial. Foi delicioso ouvir, nesse contexto, a minha predileta: ‘Lady Madonna'”.

Área externa

Do lado de fora da casa de shows, cerca de uma centena de pessoas conseguiu escutar, ainda que de forma abafada, o som que ecoava do interior do Clube do Choro.

“A sensação de frustração por não estar lá dentro acabou sendo aliviada pelo fato de poder ouvir as músicas daqui do gramado, nesse lugar tão cheio de significados para Brasília e, particularmente, para mim, porque sempre venho no Clube do Choro”, disse o servidor público Luciano Maduro, 50.

Apesar de também não ter conseguido um dos ingressos extras distribuídos gratuitamente pela produção, o músico Jorge Brasil, do Duo Mandrágora, reconheceu tal iniciativa como uma das muitas que demonstram a simpatia de Paul McCartney. “O formato desse show é mais uma prova de que Paul é, de fato, uma pessoa espetacular. Deve ser a melhor coisa do mundo tê-lo como amigo”, concluiu.

Clube do Choro

O templo do choro em Brasília foi fundado em 1977 por músicos que se reuniam na casa da flautista francesa naturalizada brasileira Odete Ernest Dias.]

 Faziam parte do grupo fundador músicos como o citarista Avena de Castro, grande amigo de Jacob do Bandolim, Pernambuco do Pandeiro, que tocou com Carmen Miranda, o flautista Bide, primo de Pixinguinha, e o trombonista Tio João, da Orquestra da Rádio Nacional. Notáveis como cavaquinista Waldyr Azevedo e o violonista Raphael Rabello também incentivaram o movimento, realizando shows para arrecadação de fundos.

A primeira instalação do Clube do Choro foi o vestiário do recém-inaugurado Centro de Convenções. Depois de um início promissor, o clube viveu anos de abandono e passou a ser revitalizado a partir dos anos 90, sob a administração do jornalista e músico Reco do Bandolim.

Atualmente, em uma sede projetada por Oscar Niemeyer, também funciona a Escola de Choro Raphael Rabello, a primeira do gênero no país e onde mais de mil alunos aprendem a tocar cavaquinho, bandolim, pandeiro, violão, saxofone, flauta, acordeon, gaita, violino e viola caipira.

Morre Kevin ‘Geordie’ Walker, guitarrista e membro fundador do killing joke



Do site Roque Reverso

Kevin “Geordie” Walker, guitarrista e membro fundador do grupo britânico Killing Joke, morreu no domingo, 26 de novembro, aos 64 anos. Ele faleceu em Praga, na República Checa, onde morava, dois dias após sofrer um forte acidente vascular cerebral.

Martin Adkins, ex-companheiro de banda, anunciou inicialmente no domingo o falecimento de Walker nas redes sociais. Pouco tempo depois, o Killing Joke confirmou a morte de seu guitarrista.

“Estamos desolados. Descansa em paz, irmão”, escreveu o grupo, em comunicado reproduzido nas suas redes sociais.

Ao lado do vocalista e tecladista Jaz Coleman, Walker era o único membro fundador presente no Killing Joke na formação atual.

Respeitado por vários integrantes de peso do rock and roll, ele foi influência para músicos de várias gerações, como James Hetfield, do Metallica, Mike Patton, do Faith No More, Dave Grohl, do Foo Fighters, e Duff McKagan, do Guns N’ Roses.

Com uma carreira respeitada e com 15 álbuns de estúdio, o Killing Joke e seu pós-punk é uma das bandas que influenciaram grupos que vão de Metallica ao Nirvana, passando pelo Nine Inch Nails e o Soundgarden.

Em 2018, o Killing Joke veio ao Brasil e se apresentou em São Paulo, em show que fez parte da turnê mundial de celebração de 40 anos de carreira, batizada de “Laugh At Your Peril – Fortieth Anniversary World Tour 2018”. Clique em https://roquereverso.com/2018/09/26/agora-o-mundo-pode-acabar-killing-joke-e-sua-poesia-do-apocalipse-passaram-por-sao-paulo/ para ler a cobertura.

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Dinheiro da Lei Aldir Blanc começa a ser liberado


A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) anunciou investimento de R15 bilhões, até 2027, em ações e projetos culturais em todo o território nacional. O estado de São Paulo tem direito a R$ 19.510.450,41, e os municípios paulistanos R$ 302.182.112,99. 

Para receber os recursos, estados, municípios, Distrito Federal e consórcios públicos intermunicipais devem aderir à PNAB por meio do preenchimento do Plano de Ação na Plataforma Transferegov (https://portal.transferegov.sistema.gov.br/portal/home) até 11 de dezembro.

"A PNAB é resultado de nossa busca permanente pelo diálogo, e é uma política pública feita por uma pluralidade de vozes na construção de um pacto federativo para a cultura, que respeita a nossa diversidade, que celebra e valoriza a nossa criatividade, e que se torna, de verdade, uma revolução. É olhar nosso país e dizer: nós estamos vendo vocês", afirmou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Com os recursos da PNAB, os entes federativos vão poder implementar ações públicas por meio de editais e chamamentos de fomento direto, beneficiando diretamente os trabalhadores da cultura, entidades, pessoas físicas e jurídicas que atuam na produção, difusão, promoção, preservação e aquisição de bens, produtos ou serviços artísticos e culturais, incluindo o patrimônio cultural material e imaterial.

Um exemplo de aplicação desses recursos é a execução de ações voltadas para construção, manutenção e ampliação de espaços culturais, bem como aquisição de bens culturais. O ente pode direcionar esses recursos para aprimorar espaços como cinema, teatro, museu e biblioteca do município. 

Dessa forma, o ente terá a flexibilidade de utilizar os recursos para fomentar ações culturais nesses locais, ou até mesmo realizar diretamente obras, promover reformas e adquirir itens que contribuam para a melhoria e desenvolvimento desses locais culturais.

Municípios que recebem valores iguais ou superiores a R360 mil devem investir, no mínimo, 25% dos recursos na implementação da Política Nacional de Cultura Viva. 

Para aqueles com valores inferiores, não há percentuais vinculantes. Estados e o Distrito Federal devem destinar até 25% para a construção de CEUs da Cultura, que são centros culturais comunitários que promovem expressão corporal, educação cidadã, arte, educação, trabalho, renda e sustentabilidade ambiental. 

Além disso, é necessário investir no mínimo 10% na implementação da Política Nacional de Cultura Viva, uma iniciativa que busca reconhecer e apoiar atividades culturais já existentes, incentivando a participação social, a colaboração e a gestão compartilhada de políticas públicas culturais.

Planos de Ação - Os Planos de Ação que Estados, Municípios e o Distrito Federal devem inscrever precisam conter dados básicos e a lista de metas e ações relacionadas à execução dos recursos. 

O ente poderá indicar o CNPJ do Fundo de Cultura, mas caso ainda não tenha, poderá deixar o campo Fundo Vinculado em branco. No cadastro, deve-se optar pelas metas e ações pré-definidas no Transferegov, e os valores que serão aplicados em cada uma também precisam ser inseridos.

O plano de ação será avaliado e aprovado pelo Ministério da Cultura. A situação de cada um pode ser acompanhada em tempo real por meio do painel de dados da PNAB, que disponibiliza informações sobre o andamento das inscrições, validações e, futuramente, o progresso dos repasses dos recursos aos entes federados. 

Atendimento - O Ministério da Cultura disponibiliza canais de atendimento para tirar dúvidas ou solicitação de auxílio no envio do plano.

Também promove plantões tira-dúvidas três vezes por semana, cuja participação requer agendamento no site da PNAB, acessível pelo botão "Plantão Tira-Dúvidas". Interessados também dispõem de canais de WhatsApp, para divulgação diária sobre a política.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

A fluente e dolorosa viagem autobiográfica de Geddy Lee, do Rush

 O Rush era uma banda em busca de um cainho quando lançou o primeiro álbum, "Rush", em 1974,uma pérola bruta de hard rock na cola do Led Zeppelin. O som era vigoroso e a guitarra de Alex Lifeson era estrondosa, mas faltava alguma coisa, algo que diferenciasse o trio da concorrência.

Quando baterista John Rutsey, apenas correto, deixou claro que sua saúde frágil não aguentaria as pesadas turnês pelos Estados Unidos, tinha chegado a hora de ir atrás daquele rapaz bigodudo e quietão, esquisitão, mas que tinha uma bateria linda e que tocava bem.

Neil Peart precisou ser convencido, mas sua entrada na banda tinha uma condição: escrever letras que Rutsey tentava e não conseguia - assim coo o resto da banda. Desabrochava ali, naquele fim de 1974, um letrista fabuloso e um escritor admirado no país natal do Rush, o Canadá.

Dono de um texto um conciso, leve e bem-humorado, às vezes intrigante, Peart, que morreu em 2020, era o literato da turma, mas nunca escreveu, de fato, uma autobiografia de acordo com o gênero, e menos ainda uma história de Rush - muitos fatos estão espalhados nos vários livros que escreveu obre viagens e sobre suas perdas pessoais.

Coube a Geddy Lee, o vocalista, baixista e tecladista, esclarecer vários pontos da trahetória da banda e mesmo de sua própria vida, coisas que quase ninguém sabia - como a sua luta contra os episódios de racismo e preconceito que sofreu na infância no civilizado Canadá.

"Geddy Lee, A Autobiografia", ganhou uma edição em português pela editora gaúcha Belas Letras, responsável por colocar nas lojas brasileiras todos os livros de Neil Peart, alem de outras obras relativas a bandas e artistas de rock.

Sem rebuscamento ou arroubos literários, é um livro direto e reto, que preza pela exatidão da informação. Aos 70 anos, o músico passa a limpo a sua história e os principais fatos da trajetória do Rush - e com bastante detalhes, algo que nenhum jornalista ou biógrafo teve acesso.

Filho de família judia da Croácia que escapou dos horrores do holocausto perpetrado pelos nazistas na II Guerra Mundial, o pequeno Gershon soube logo cedo o que era ser alvo de racismo e preconceito, algo que ninguém imaginava que teria um impacto tão grande em sua vida.

A adaptação do nome para um mais anglicista Gary Lee causou um incômodo que moldou a sua vida: a avó, matriarca da família Weinrib, pouco falava de inglês e Gary (guéri) virou Geddy (guédi), apelido de família que ele levou para a vida profissional.

Se ele não tem um texto mais apurado como o de Neil Peart, Lee tem cadência e sabe contar histórias saborosas, mesmo aquelas que são mais complicadas ou não tão interessantes. 

Além dos detalhes desconhecidos, o autor dá uma visão sobre a trajetória de uma das maiores banda de todos os tempos que se notabilizou pelo apuo técnico, pelas canções maravilhosas e por restringir a vida pública dos três integrantes aos palcos e estúdios. Ele até brinca com o fato de que a falta de polêmicas pode ter sido uma "âncora" para um eventual megaestrelato - como se eles não tivessem sido gigantes.

O texto flui bem mesmo nos momentos dolorosos, em que conviveu com Peart, já doente por conta de um câncer no cérebro, e na difícil discussão sobre o fim da banda ao final da turnê de 2015, quando o baterista apresentava diversos outros problemas físicos para suportar longas turnês;

Com muita delicadeza, ele aborda a terrível época em que Peart perdeu a filha de 19 anos, Selena, em um acidente de carro, e meses depois a mulher, Jackie, consumida pela depressão e um câncer, tudo isso entre 1997 e 1998. 

Era um momento crucial para o Rush, em que ninguém sabia - muito menos ele - se o baterista um dia voltaria a tocar com o Rush. Peart narra esse período no ótimo livro "A Estrada da Cura" co edição brasileira ela Belas Letras. Ele voltaria a tocar, a se casar e a ter outra filha, que hoje e adolescente.

O livro não tem a força e o estilo de textos mais elaborados como os das autobiografias de Eric Clapton, Phil Collins e Ron Wood (Rolling Stones),  mas é importante por conta do conteúdo valioso que contém narrado de for sucinta e simples, o que garante uma prazerosa viagem ao mundo do Rush.

Rock com propósito e coragem: Mafra apresenta as suas 'armas'

O sorriso é jovial, inocente e quase permanente desde os 14 anos, quando chamou a atenção pela interpretação madura e convivente de alguns clássicos do rock no YouTube. A menina cresceu e impressionou ainda mais gente com as primeiras canções autorais - em inglês, em japonês e em português.

Ana Clara Mafra chefa aos 17 anos apadrinhada por uma galera de primeiro time do rock nacional. "Essa menina tem uma aura diferente. Curte realmente a arte e a música, e tem uma atitude positiva. Estamos precisando disso no rock nacional", disse um conhecido músico paulistano após a festa da estreia nos palcos do Finally Home, em São Paulo.

Ainda longe dos realities shows de música na TV, ao contrário de algumas de suas "concorrentes" na idade, Ana Clara prefere dar passos mais seguros e cautelosos em um mercado voraz e perigoso. Quem vê de primeira pode achar que tudo é calculado. Se for, é um primor de interpretação.

Alheia a especulações, a menina saboreia a boa repercussão de seus primeiros trabalhos derramados na internet. Chama a atenção a profundidade com que aborda temas pesados e o engajamento em causas que costumam estar presentes nas pautas de gente mais cascuda e experiente. O rock alivia, mas o blues vem da alma.

Em um clipe bem simples, mas com elevada carga emotiva, Ana Clara Mafra, cada vez mais à vontade assumindo o nome artístico Mafra, dá uma aula de suavidade e tolerância em "D(e)ad", onde alerta para u tema comum até demais em nossa sociedade: o abandono dos filhos por parte de homens imaturos ou incapazes de lidar com responsabilidades. 

Sem raiva ou ressentimento, aborda o assunto om serenidade, com a ajuda da menina tem participação de Nikki Vittorato nos vocais dde apoio e da pianista Virgínia Villanova.

Ela ainda não pode dirigir um automóvel, mas já pode votar e se engajar em campanhas contra o feminicídio, por exemplo. 

O rostinho de garota e o sorriso cativante apenas não entregam de cara: Mafra acredita em suas causas e de certa forma, no empoderamento feminino, mas de um jeito mais suave. E, sim  acredita no poder de sua voz limpa e delicada, mas contundente. Acredita no poder da mensagem.

O trabalho mais recente é uma participação no projeto do cantor e compositor paulista Gus Jack. Os dois lançaram o videoclipe para a música “Não Me Olhe Assim (Eu Não Pertenço a Você)”, que versa sobre um revoltante e comovente caso de feminicídio que aconteceu na família do cantor.

Gus Jack explica todo o contexto do caso: “'Não Me Olhe Assim' foi escrita em 2017, após um caso de feminicídio que ocorreu em minha família, com uma prima de 17 anos chamada Isabela. Todo o contexto foi muito forte para todos nós. Quando vemos os casos de violência contra as mulheres nos noticiários muitas vezes não temos a noção do que isso significa, principalmente a sensação de impotência e indignação que acomete as pessoas próximas".

Mafra nem pestanejou e mergulhou de cabeça no projeto. A canção é um hard pop denso, com guitarras pesadas que deu suporte a um dueto desesperado de sentimento - fúria, raiva e indignação, bem a cara da menina que cresceu rápido e amadureceu na música.
 
"Desde que a conheci percebi nela uma vivacidade e uma intensidade", comenta Gus. "Começamos a conversar e acompanhei mais o trabalho dela. Fiquei impressionado com sua potência, sua proposta, sua atitude rock’n’roll, mas também a forma subconsciente com que ela mesclava tudo isso com uma doçura incrível.”

“Não Me Olhe Assim” foi gravada no estúdio SoundUP, com mixagem e masterização de Ivan Mirkovic, do Black Widow Studio na Grécia. A música conta com Gus Jack e Mafra nas vozes, Robson Freires nas guitarras, Luis Lopes no baixo e Lucas Emídio na bateria. 

Avanço na carreira

Se o primeiro lançamento indicava uma moça que pendia para um pop rock mais acessível, como "Prayer From Your Angel", a coisa mudou e evoluiu para u rock enérgico e vigoroso de "Sinceridade", em um clima á la Pitty.

É ua canção de protesto, de desabafo, com uma crítica social e atitude. "Não poderia ser diferente, já que o lema de minha carreira é rock e metal com atitude e propósito. Eu acredito nisso."

A música tem riffs certeiros de guitarras e bons solos de autoria de d Marcos Kleine, do Ultraje a Rigor e do programa The Noite, do SBT. "Venci o desafio pessoal de compor em português de forma a sair um resultado que eu considerasse realmente bom" disse Mafra ao Combate Rock em um evento da anda Dr. Sin, em São Paulo.

Ela não hesita em dar os créditos para o bom resultado em "Sinceridade": "Devo a dois grandes músicos que me incentivaram a tentar: Demian Tiguez [multi-instrumentista e produtor] e Thiago Bianchi [vocalista e produtor do Noturnall].)Assim nasceu 'Sinceridade', que é um rock que fala a respeito de como as pessoas normalizaram a falsidade hoje em dia, de como enaltecem tantas coisas ridículas, supérfluas, superestimando e atribuindo valores que às vezes nem existem." .

A música e letra de “Sinceridade” tem composição e voz de Mafra, com voz adicional de Jonathan Lenon, guitarra solo de Marcos Kleine, guitarra base de Jonathan Lenon, baixo de Tashiro e bateria de Fabi Souza. A produção é de Pedro Esteves e gravação, mixagem e masterização por Masterpiece Digital Studio. 

A repercussão boa das primeiras músicas renderam participações em shows e álbusn de nomes fortes do rock nacional e da MPB como Sandra de S já tocou e gravou com grandes nomes da, MPB, do Rock e do Heavy Metal nacional, entre eles Sandra de Sá, Rafael Bittencourt (Angra), Luis Mariutti (Sinistra, ex-Shaman, Angra), a banda mineira de power metal Medjay e a banda Animamea.

 




Mafra comentou o lançamento: 

https://youtu.be/jwrBAVQXFjg
https://www.youtube.com/watch?v=VV6J4VJOAVw 
https://youtu.be/PQ2Iyj-YD8A
https://www.youtube.com/watch?v=PQ2Iyj-YD8A
 

Megadeth apaga referências de Kiko Loureiro como membro da banda no site oficial

 Kiko Loureiro está progressivamente deixando o Megadeth, em um professo conduzido de forma pacífica e bem administrada. É o que podemos concluir sobre as mudanças efetuadas no site da banda americana de thrash metal nos últimos dias.

O guitarrista brasileiro, celebrado como um dos mais prestigiados no mundo do heavy metal, integrava a banda desde 2015 a convite do guitarrista, vocalista e líder, Dave Mutaine. DEixou o Angra e embarcou em bem-sucedida jornada de oito anos com o grupo americano.

De forma surpreendente, Kiko e Mustaine anunciaram que o brasileiro iria se afastar temporariamente devido a "questões familiares". O afastamento seria para a primeira parte da turnê mundial, que ocorreu de setembro a novembro deste ano. O substituto temporário, sugerido por Kiko, é o finlandês Teemo Mantysaari.

Há poucos dias, Kiko Loureiro publicou nas redes sociais que a sua ausência seria estendida para tod o ano de 2024, com a manutenção do finlandês na formação. Em seguida, Mustaine confirmou a informação e manifestou carinho e apreço pelo brasileiro.

O site oficail da banda, no entanto, retirou as referências de Loureiro como "membro atual", substituindo-as pelas de Teemu. 

Nos perfis das redes sociais, o brasileiro também eliminou as referências como "membro atual do Megadeth".  Claro que as especulações dão cont do progressivo afastamento de Loureiro até um eventual anúncio de saída definitiva.

Até o momento Kiko Loureiro não explicitou os reais motivos de seu afastamento e provável saída. Em uma entrevista, Mustaine disse não ter informações sobre a questão familiar que tirou o amigo a banda, mas disse que ele teria todo o tempo que precisasse para "cuidar das coisas na Finlândia", um dos locais onde o brasileiro tem residência.

Muito se falou em um problema sério de saúde na família, mas ninguém confirmou a informação. Há muita expectativa de que o m´sic brasileiro consiga esclarecer a questão uando visitar São Paulo em dezembro - ele toca nos dias 9 e 10 de dezembro com seu trio no Sesc Paulista, ao lado dos ex-companheiros de banda Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria).

Se ele arrumou tempo e brecha para tocar em São Paulo em sua carreira solo, então qual seria a gravidade do problema que o afastou do Megadeth? 

Depois de chegar a um dos ápices musicais dentro do heavy metal, como encarar essa mudança depois de fartos e generalizados elogios a sua performance?

A figura de Kiko Loureiro está intimamente ligada ao Angra. Entrou na banda em 1992, nos primórdios, substituindo André "Zaza" Hernandes e formou a principal dupla de guitarras do rock nacional ao lado de Rafael Bittencourt, o fundador e hoje único membro original na formação.

Em recente entrevista, Bittencourt ressaltou a qualidade altíssima de Loureiro, seu perfeccionismo e obsessão pelo instrumento, acrescentando que nem sempre era um companheiro de banda fácil de lidar.

 Entretanto, foram os dois que mantiveram o Angra na ativa com a debandada de André Matos (vocais), Luis Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria) em 2000 por divergências a respeito da administração da banda.

Com Bittencourt e Felipe Andreoli, forçou o núcleo principal de condução dos negócios, tanto que ainda hoje tem participação "acionaria", digamos assim, nas empresas que conduzem a vida do Angra.

Com sua entrada no Megadeth, em 2015, formalmente deixou de tocar no Angra, mas não de participar dos negócios, como admitiu Bittencourt em outra entrevista. 

Depois de o guitarrista Heitor TP passar pelo grupo inglês Simply Red nos anos 80, Loureiro foi o brasileiro a ir mais longe em uma banda de rock do primeiro escalão.


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Caso 'Taylor Swift': lições de gestão de riscos para o setor de entretenimento

Daniela Coelho e Helder Assis* - especial para o Combate Rock

Quando falamos de gestão de riscos e vulnerabilidades, uma forma muito simples para entender a aplicação dos conceitos é fazer uma analogia com a chuva. Imagine o seguinte cenário: você está em casa e antes de sair olha a previsão do tempo, olha o céu e decide se vai levar o guarda-chuva. Ou não. Se há indícios de probabilidade de chuva e você decide não levar o guarda-chuva, você resolveu assumir o risco de se molhar - ou se resfriar. 

Como o risco é uma possibilidade, a ausência do guarda-chuva não é a confirmação de que você se molhará, pois não se sabe se irá realmente chover. Acaba sendo uma aposta. E muitas vezes, espera-se contar com a sorte.

Trazendo essa analogia simples para o mundo dos negócios, podemos ver muitas empresas apostando e arriscando a ficarem molhadas. Mas, na realidade, os impactos podem ter magnitudes maiores, seja para a sobrevivência dos negócios ou até mesmo das pessoas envolvidas com essas empresas.

O que estamos vendo com grandes eventos nos últimos meses indica que empresas organizadoras talvez precisem levar a avaliação de riscos e continuidade de negócios com uma maior seriedade, uma vez que esta abordagem traria maior clareza sobre diversos fatores, dentre eles, a forte volatilidade climática, que pode impactar grandes espetáculos. Podemos listar algumas intercorrências recentes:Em outubro, o festival Tomorrowland no interior de São Paulo cancelou um dos dias de show. A organização do evento afirmou que foi "devido aos fortes temporais, chuvas e alagamentos", que danificaram o estacionamento e as vias de acesso.

Ainda no estado de São Paulo, houve o desabamento do teto de uma arquibancada do autódromo de Interlagos durante as classificatórias para a Fórmula 1. Mais uma vez, a chuva atuou.

E mais recentemente, tivemos toda a repercussão do show de Taylor Swift, no Rio de Janeiro, envolvendo calor extremo, cancelamento em cima da hora e, lamentavelmente, a morte de uma fã. Esse evento, em especial, teve desdobramentos inclusive no fluxo aéreo da cidade, impactando e atrasando voos em dias posteriores ao evento.

Mas será que todos esses problemas são relacionados às intempéries e ao clima? O que as empresas organizadoras e o poder público estão fazendo a respeito? Será que é tão difícil prever situações que possam sair ao controle?

Inicialmente, tratamos no impacto que as questões climáticas estão trazendo para os eventos. Mas podemos ampliar muito esse assunto, como, por exemplo, o que tange a cadeia de fornecedores de um evento? As estruturas montadas contam com centenas de fornecedores de diversas categorias. 

Qual é a garantia de que o fornecedor de segurança está com todo o contingente disponível e treinado para agir em situações de agressões e confusão? E o que dizer do fornecedor que emprega mão de obra análoga à escravidão?

Os exemplos são inúmeros. Mas todos levam a um ponto em comum: a Gestão de Riscos. Esta disciplina corporativa nos auxilia a identificar incertezas e planejar respostas. O objetivo da gestão de riscos é nos fazer enxergar claramente as probabilidades e os impactos de ocorrência de eventos inesperados para que, assim, possamos dizer, "Eu vejo bem agora, eu vejo bem agora", como diz a cantora Taylor Swift, em The Archer.


A gestão de riscos eficiente, associada a um plano de gestão de crises, pode criar um ambiente de maior controle, minimizando exposição desnecessária do público, prejuízos e danos de imagem – que muitas vezes recaem não apenas sobre a empresa organizadora, mas também para o artista, a cidade e o país onde o evento foi realizado. Identificar quais são os riscos e pensar nas contingências - para caso tais riscos se materializem - antecipa os problemas e suporta a tomada de decisões ágeis.


As empresas de entretenimento precisam deixar de contar com a sorte e aplicar a gestão de riscos e continuidade de negócios em suas operações para minimizar essas situações. 

Gerenciar riscos em grandes eventos não é apenas utilizar técnicas, habilidades e ferramentas para evitar problemas, mas também uma maneira de garantir a continuidade dos negócios e o entretenimento seguro do público.

A previsão do tempo pode ser incerta, mas a preparação e a prevenção podem fazer toda a diferença. Além disso, avaliar crises ocorridas, reconhecendo que a empresa deveria ter tomado algumas ações alternativas são iniciativas que não resolvem a ocorrência passada, mas pode contribuir para evitar um dano futuro.

E no mundo dos negócios, essa prevenção pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. Portanto, é hora de não permitir mais que a chuva estrague o espetáculo. 

Podemos até suplicar como o cantor Robbie Willians faz na música "Better Man": "Na chuva torrencial, dê-me um verão sem fim". Contudo, é imprescindível sempre levar um guarda-chuva.

*Daniela Coelho é diretora de Gestão de Riscos; Helder Assis é gerente sênior de Gestão de Riscos e Continuidade de Negócios. Ambos atuam na Protiviti, empresa especializada em soluções para gestão de riscos, compliance, ESG, auditoria interna, investigação, proteção e privacidade de dados. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Rápido panorama do metal nacional - 112

 

- Made of Stone - Muitas mudanças marcam o lançamento de "Monsters, part 2". A banda foi apontada anos atrás como uma grande revelação do hard/stoner nacional, e chamou a atenção pelas guitarras muito pesadas. Passados alguns anos, o som ficou mais moderno e cheio de detalhes, sendo que a produção exaltou ambientações diferentes. Metal alternativo? Prog metal? Escolha o que melhor lhe convier. E outra banda que busca uma identidade musical  com boas credenciais, embora já não seja uma grande novidade. É preciso espantar a sensação de tempo desperdiçado.

- Facing Fear - O som é clássico e bem feito, com timbres de guitarra interessantes e até contagiantes em algumas passagens do disco "Marginal Metal", e então temos u pacote pesado e bem acabado de hard'n'heavy de inspiração americana, com as melodias sendo privilegiadas. Muita coisa aqui remete aos anos 80, mesmo não sendo tão festivo o datado. É o caso da instigante canção "Likers and Lovers", Fighting Game" e "The Child", esta com riffs poderosos e bons refrões, mas a melhor é "We Will Arrive", que reúne todos os (bons) clichês do subgênero.

- Rotborn - Destruição e devastação podem ser as palavras-chave do álbum "On the Perspective of an Imminent Downfall", o mais recente trabalho dos paulistas da Rotborn. É death metal direto e sem concessões, com algum rebuscamento no trabalho de guitarras aqui e ali. A produção simples, mas certeira, acerta ao criar climas e ambientações muito pesadas e sombrias, com as guitarras em primeiro plano disparando riff impactantes. "The Void Eater" e "Clpetoplutovracy" são as músicas mais relevantes.

- Low-End Bastard - "Last Days of Sanity é o trabalho do projeto - Projeto de música extrema que está centrado no baixista Fabio Bueno, que é paulista e bastante conceituado pelo trabalho desenvolvido com diversos artistas, É a típica banda de um homem só, onde ele faz os baixos, com bateria eletrônica dando suporte e as guitarras emuladas or meio de timbres de baixo ultradistorcidos. Esse arranjo deu um aspecto diferente ao death/doom metal bem feito por Bueno, principalmente em canções como "Trigger of Madness" e "Hopeless". 

- Monstrenga - O nome não ajuda, mas o som redime a "gracinha", É rock alternativo com algum peso no álbum que leva o nome da banda, mas que passa longe de originalidade. É agradável, e o álbum contém algumas ideias interessantes. Há boas doses de riffs de guitarra e um climão meio setentista em alguns momentos, meio oitentista em outros. "Song from the Dead" é a música mais legal.

Rápido panorama do metal nacional - 111

 - Armiferum - Mais uma banda paulista se aventurando no power metal e mostrando um trabalho promissor no álbum "Reach For the Light". Se não há traços da tal modernidade buscada por muitos artistas, sobram referências antigas do subgênero, como Stratovarius, Hammerfall e até Sonata Arctica, com pitadas de Kamelot. Nada e original, mas a banda faz as coisas com tamanha fidelidade e paixão que chama a atenção, principalmente pelas guitarras bem azeitadas e os arranjos típicos do subgênero. Os temas épicos predominam nas letras. "Bring the Light" e "Climb the Mountain" são as melhores músicas.  

- Clash Bulldog's - Banda fluminense veterana que investe em um hard''n'heavy bem feito e cheio de energia, com timbres modernos de guitarra e bateria e um amplo esquema de marketing profissional. O trabalho mais recente é "bark Power", que tem como principal atrativo a canção "Anger Grows", que tem  ótima participação do cantor inglês blaze Bayley (ex-Iron Maiden), que é uma canção que mistura AC/DC com o que de melhor se fez na NWOBHM (nova onda do metal britânico, em português). "Sharp Teeth" tem a participação do guitarrista americano. Mike Orlando (ex-Noturnall), que teve a intermediação de Thiago Bianchi, produtor do álbum e vocalista da Noturnall. Som pesado e eficiente. 

- Capella - Banda brasileira radicada em Lisoa (Portugal) que reúne instrumentistas experientes e renomados, como Jota Fortinho, que também canta com os eslovacos do Signun Regis, e o guitarrista André´"Zaza" Hernendes, que tocou no Angra em seus primórdios. "Outsid World" é o primeiro EP com um power metal clássico, muito veloz e com bons duelos de guitarras. As influências são variadas, com toques de Helloween, Stratovarius e Dream Theater, revelando bom gosto, experiência e boas perspectivas. "Higher" e "Fallen Nations" são os destaques.

- Krakkenspit - O álbum de estreia dessa banda interessante, autointitulado, revela músicos inspirados e talentosos e busca de uma identidade, mas com boas ideias. O metal tradicional aparece revestido de groove e peso encontrados em bandas modernas europeias, principalmente na escolha de timbres de guitarras. Em alguns momentos trilha os passos da antiga banda Capadocia em outros, cola na trilha que seguem bandas americanas como Lamb of God e Machine Head. São boas referências na busca de uma ideia original.

- Sour Brandy - Rock ríspido e encharcado de sujeira, em um hard'n'heavy que deixaria o baiista e vocalista Lemmy Kilmister (1945-201.5) orgulhoso. É um som surpreendente e gostoso de ouvir em festas e churrascos. "Unglory" aposta em uma estética do bangue-bangue, Velho Oeste e coisas similares, misturando Motorhead, AC/DC, Black Stone Cherry e até ZZ Top, embora não tenha muito blues em sua base musical. "Flood" é o destaque, equilibrando guitarras pesadas e um baixo marcial e pegajoso.

Rápido panorama do metal nacional - 110

- Imventtor - O que parecia ser um projeto antigo virou uma banda importante de doom/death metal. "Em Meio à Escuridão" encara a difícil missão de fazer metal extremo em português e, ao mesmo tempo, fugir da avalanche de clichês, O álbum cumpre bem o seu papel e mostra um instrumental técnico e bastante pesado, com arranjos bem feitos e interessantes. Fiel às tradições do metal mineiro, aqui há várias participações especiais de músicos de outras bandas locais, adicionando um caráter mais diversificado, como em "Lamento" e "Era das Sombras". A melhor canção, no entanto, é a faixa-título, que é pesada e climática,

- Chumbo - Heavy metal feito com letras em português e uma vontade imensa de regatar os anos 80, com aquela sonoridade típica que misturava elementos épicos e guitarras trovejantes. "Chumbo" foi gravado há muito tempo e lançado em outros formatos, mas agora chega ao CD e ás plataformas digitais. Não é nada inovador, e nem era essa a intenção, "Trabalhador" é uma música interessante e cheia de peso, com letra mais politizada, mas os mas de sempre estão em canções como em "Honra e Glória" e "Chumbo". É um trabalho bem honesto e bacana.

- Khorium - "A Plenos Pulmões" é a melhor versão desta grande banda de rock pesado do Estado do Rio de Janeiro. Pesada e furiosa, a banda Khorium mistura thrash metal, groove metal, hardcore e punk, em uma linha parecia com a dos mineiros do Black Pantera. Não há tempo para respirar enquanto a banda destila música extrema engajada e ativista, com letras repletas de protestos e críticas sociais. O primeiro single, "Imunidade Tributária", teve a participação de clemente Nascimento, da Plebe Rude e dos Inocentes. É um heavy metal diferente, que lembra Rage Against the Machine e Body Count.

- Phrenesy - Conhecida banda de Brasília lançou o bom álbum Fears Apocalypse" apostando em uma mescla de metal com elementos da cultura brasileira. Com algumas pitadas de humor aqui e ali, a banda mantém a força das guitarras em riffs vigorosos e instigantes, mas não menos brutais. É pancadaria do começo ao fim. "Vultures" e "Lost Generation" são os destaques.

- Vermiis - "Repugnant State" é o primeiro EP deste projeto que reúne nomes históricos da música extrema nacional, com a liderança do vocalista Alcides Burn. É uma mistura de thrash e death metal competente e sem concessões, com uma produção de boa qualidade que ressalta o peso das guitarras e o climão  claustrofóbico. É tudo bastante extremo e violento, com destaque para a única m português, "Negacionista", que é demolidora e não perdoa aqueles que brigam com a realidade.

Rápido panorama do metal nacional - 109

 - Metralion - Depois de algum tempo em hiato, essa banda carioca retorna com um ótimo álbum de metal. "The Rest in Silence" tenta recuperar um pouco da aura dos anos 80 e 90 misturando thrash metal e um pouco de metal tradicional. a produção é boa, deixando tudo bem pesado e violento, com cara de "old school". As guitarras são o destaque, mostrando uma qualidade muito acima da média e colocando arranjos que remetem a várias influências que remetem ao thrash californiano e ao metal britânico mais clássico. "Finitude" e "Raging Era" são os destaques, mas ouça também a boa e pesada "Hard News".

- Xfears - "Reasons to Change" é um dos destaques do ano na área do prog metal nacional. Denso, intenso e pesado na medida certa, o álbum reúne alguns clichês do subgênero, mas nada que comprometa o resultado muito bom. Orientado para guitarras e teclados, tem como principal peça Gabriel Carvalho, vocalista, tecladista e principal compositor, um músico diferenciado e bastante talentoso. Com o bom equilíbrio entre guitarras e teclados, o som está acessível e menos intrincado do que poderíamos esperar. A faixa-título e "Redemption" são as mais interessantes, mas "Fix It All" talvez tenha todos os ingredientes que exemplifiquem o bom álbum qu  abanda fez.

- Psicosferas - O projeto paulista começa a ganhar cara de banda, ainda que o Dr. Sn seja a banda de apoio. Quem dá aas caras é o guitarrista e vocalista Fabrício Oliveira, responsável pelo conceito e pelas composições. Este segundo trabalho, "Suabarácti", é instrumental e traz temas mais bem elaborados, que enveredam pelo rock progressivo e também pelo pr.og metal, com pitadas de jazz. Oliveira é ótimo guitarrista, com um toque refinado e conciso, especialmente em "Acrasia" e "Apolinea', as canções mais interessantes. "Ataraxia" é a mais pesada e deve agradar aos que gostam de hard rock. 

- Tomb of Love - Banda de Brasília que que lança o seu segundo EP, "Nekropolis", misturando um gothic rock com um doom metal sombrio e melancólico, como na canção "Darker Days Ahead", u primor de música sombria e etérea. Talvez tenha faltado um pouco mais de coragem para mergulhar de vez no metal, mas é um trabalho interessante e com guitarras inventivas, como em "Tombs of Love".

- Infernizer - "Pandementia" é o EP de estreia dessa banda de thrash metal furiosa e com ótimo recursos. Tudo é muito pesado e violento, embora sem nenhuma originalidade. Talvez ne fosse essa a intenção, já que a energia é muita, assim como a velocidade. Há elementos de heavy tradicional, mas o que predomina mesmo é a ira em canções bem equilibradas e com as guitarras no talo. É uma banda de riffs e eles aparecem em profusão. "Agentes do Caos" é a música mais interessante.

  

Rápido panorama do metal nacional - 108

Kanvass - Um dos trabalhos mais interessantes dos últimos tempos no black metal veio da banda Kanvass com o potente 'Downfall of Individualism". Maduro, bem eito e bem produzido, tem qualidade internacional e deixa claro que a América do Sul é um veleiro de excelentes artistas do subgênero; Brutal e violento, faz a massa sonora demolidora parecer simples diante de performances elogiáveis. Como toda música black metal, não é uma audição fácil, mas as boas músicas garantem surpresas interessantes, como "Over the South" e "Dan of the Tainted Sun".

Eskröta - Uma fórmula conhecida e que costuma dar certo quando os músicos são competentes: punk, hardcore e thrash metal tocados com fúria, mas com alguma melodia criativa. Os mineiros do Black Pantera são craques nesta área, e a banda Eskröta envereda pelo mesmo caminho. "Atenciosamente Eskröta" é um EP que traz o melhor do trio, cada vez mais engajado e pesado, agressivo e violento. A guitarista e vocalista Yasmin Amaral está cantando muito melhor e da o tom do terror que banda espalha. Escute "Cena Tóxica" e "Pertencer e Conquistar".


- Beto Lani - Veterano músico mineiro chega ao segundo álbum solo esbanjando feeling e riffs diferenciados dentro de um hard rock honesto e poderoso. Dono de belas melodias, transita por um leque variado de influências e obtém bons resultados com About the Uncharted". Há algumas músicas mais pesadas, mas o hard é o destaque deste trabalho bem feito e be produzido. Ouça a bonita "Her New Eyes".

- Kamala - "Karma" é mais recente trabalho do trio campineiro, que é reconhecido pelo bom gosto de suas composições e por soluções inteligentes para canções aparentemente intrincadas. Com experiência de sobra, entrega um trabalho de alta qualidade e recheado de boas músicas, cujos destaques são os riffs intensos e elaborados. É uma banda de thrash metal, mas que visita permanentemente o heavy tradicional, adicionando um molho diferente ao peso já conhecido da banda. 

- Silent Cry - A banda estreia nova vocalista, Juliana Rossi, que se dá bem ao duelar com as vocalizações do guitarrista Dilpho Castro neste interessante álbum "Terra". Conceitual e dedicado a louvar a natureza, o álbum transita entre o doom metal e o gótico, mas sem exageros, apesar de uma onipresença do teclado que incomoda algumas vezes. Entretanto, é um disco diferente e de qualidade, que merece uma audição mais acurada, especialmente para aqueles que busca coisas não tão óbvias. Ouça "A Romance in Pain".

Rápido panorama do metal nacional - 107

 - Rhegia - Banda paraense que é adepta do metal sinfônico misturado com sons regionais. "The Battle of Deliverance" é um bom exemplar dessa tendência, com um trabalho cuidadoso de arranjos em músicas de boa qualidade. O tema principal do conceito, digamos assim, é a Amazônia e a sua preservação, em interpretações ótimas da cantora Bianca Palheta. Em um esquema de elaboração de canções que se assemelha aos trabalhos de Edu Falaschi, o Rhegia entrega um álbum forte e diferente do que estamos acostumados no metal nacional. "Cocares" é a canção que concentra as maiores influências de música regional, mas a melhor do disco é a épica "Beyond the Band of the Last River", com menção honrosa também para "Sons of the Last Forest". É um trabalho surpreendente.

- Barril de Pólvora - Nome forte do roco pesado em português, o Barril de Pólvora rapidamente se tornou destaque do stoner rock brasileiro. Trilhando o caminho de bandas como Carro Bomba e Baranga, apresenta ótimas credenciais em seu segundo álbum, "Catástrofe". P unhado de canções fortes cativa o ouvinte que gosta d timbres de guitarra que preenchem o ambiente e um baixo pulsante e gordo, lastreando uma bateria quase bate-estaca. Divirta-se com porradas como "Guerreiro Noturno" e "À Sombra d Morte", além do hard blues pesado "Para O Mundo Não Para de Girar' (bem ao estilo Made in Brazil).

- Open the Coffin - Death metal sem concessões é o que oferece essa banda de death metal de boa qualidade e muita virulência sonora. Tudo é bem colocado e sem exageros, principalmente as guitarras cortantes e pesadíssimas. É um dos melhores grupos do subestilo no Brasil, com habilidade suficiente para promover uma devastação nos ouvidos. "Coffin Maniac " e "Cold As a Corpse" são as mais interessantes canções.

- Megahertz - Thrash metal na veia explode do álbum "Burning Like Hell". É apenas o segundo álbum da veterana banda do Piauí, mas o que temos aqui é um trabalho maduro e coeso, que faz da simplicidade a sua principal arma. Uma produção com amis tempo e recursos renderia muito mais, mas o Megahertz se virou bem e o álbum traz 12 porradas de orgulhar aqueles que verdadeiramente apoiam o metal nacional. As guitarras parecem serras elétricas e o baixo estrondoso, embora um pouco co "baixo" em algumas canções. "Revolt" é a mais interessante. Sem inventar, entrega um bom produto.

- République du Salém - Retornando após um período sabático, a banda considerada inclassificável retorna com "Volume III", onde o som está menos pesado e com a incorporação de diversos elementos "alheios", como jazz, MPB e blues de vez em quando. Às veze soa pretensioso, mas quando acerta o resultado é muito interessante. Até quando belisca o pop, om uma sonoridade parecida com a dos Beatles, consegue soar diferente, como em "I Want to You to Be Free". Outras boas ideias surgem na forte e incisiva "Half of  Millions Souls (We Want Forget).

Rápido panorama do metal nacional - 106

 - Electric Gypsy - Banda mineira de hard rock que é um dos destaques atuais do rock brasileiro esta prestes a lançar seu novo álbum, "Mothership", as antes colocou no mercado neste 2023 o EP "Star". É u belo aperitivo para reforçar o esteve sempre em evidência: é uma baita banda de hard setentista e oitentista, com elementos mais modernos e arranjos bem elaborado. Todas as cinco canções são ótimas, mas a pesada "More tha Meets the Eye" e "Heads or Tails" merecem ser ouvidas primeiro.

- Soulsad - O som é pesado e soturno, como nas melhores bandas de doom/stoner, mas aqui o peso é ainda mais pesado, com o perdão da expressão esquisita. "Doomed to Funerals" é um álbum denso, que tem características europeias que remetem ao sueco Candlemass, especialmente na ambientação sombria. É uma compilação de canções dos últimos três anos com alguns acréscimos e arranjos diferentes, coo no caso da ótima música "Doomed to Failure". O trabalho é muito bom.

 - Aberratio - "Thanatos" é um álbum bem concebido e muito bem gravado por essa banda mineira de enorme potencial e qualidade. O death metal que emerge do álbum é técnico e violento, com riffs de guitarra bem construídos e belo trabalho rítmico. As melhores canções são "Purgarory" e "Industrial Revolution".

- Vocifer - Unir ritmos e culturas locais com metal extremo é um recurso inteligente que vem sendo usado com frequência por grupos nacionais, mas nem sempre com  sucesso. Essa banda de Tocantins acertou em "Jurupary", uma coleção de canções interessantes e bem feitas. onde as guitarras convivem bem com arranjos bem equilibrados. É o power metal que domina as ações, mas com ares de progressivo em muitas das músicas, como "The Voice of the Light" e Pleasure to Paradise". Thiago Bianchi, vocalista da Noturnall, produziu e participa do disco, assim como Luis Mariutti (baixo, sinistra e ax-Angra e Shaman).

- Diabállen - Banda paulista de black metal lançou recentemente "Misosophy", que compreende todos os ensinamentos para a confecção de black metal mais obscuro. Com uma produção atenta aos detalh.es, o isco é pesado e capricha em uma sonoridade um pouco mais "abafada", com pretensões de soar mais original em relação aos anos 90,mconsiderada a era de ouro do subgênero. Se não faz nada de novo. o que apresenta tem competência para agradar aos fãs de black metal mais radicais, com na canção mais interessante, "Flame Inside".

Banda Men at Work retornará ao Brasil em fevereiro

 Do site Roque Reverso

A veterana banda Men At Work retornará ao Brasil após mais de duas décadas e meia para shows no primeiro bimestre de 2024 em três capitais do País. O grupo australiano tocará no Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo em fevereiro do ano que vem.

O show no Rio de Janeiro será no dia 17 de fevereiro no Qualistage. A apresentação na capital paranaense será no Live Curitiba no dia 20. Na capital paulista, a banda tocará no Vibra São Paulo no dia 21 de setembro.

A despeito de o Roque Reverso não ter recebido qualquer tipo de informação de assessorias de imprensa sobre os eventos, este veículo apurou que os ingressos estão sendo vendidos desde o dia 21 de novembro no site da Ticketmaster.

No site citado, os fãs podem consultar os preços das entradas nos respectivos setores e locais dos shows.

Atualmente, o Men At Work tem o vocalista Colin Hay como único membro da formação clássica do grupo, acompanhado de músicos que se juntaram ao grupo a partir de 2019.

A volta do grupo ao Brasil romperá 28 anos de ausência da banda no País. Em 1996, o Men At Work se apresentou no saudoso Olympia, na capital paulista, e desfilou uma série de hits de toda a sua carreira.

A apresentação chegou a render um álbum ao vivo, lançado em 1998 e que recebeu o título de “Brazil”.

Leis de incentivo à cultura: desvendando o cenário da cultura e economia criativa

Ingrid Reis** - especial para o Combate Rock

A cultura e a economia criativa no Brasil são cenários repletos de desafios e oportunidades para artistas, gestores culturais e empreendedores. No Brasil, a Economia Criativa é um setor de importância notável, contribuindo com cerca de 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, superando a indústria automobilística (2,50%) e ficando apenas um pouco atrás da indústria da construção (4,06%), de acordo com o Instituto Itaú Cultural. Além disso, a Cultura desempenha um papel vital na identidade e no desenvolvimento social do país, envolvendo milhões de brasileiros em atividades culturais e artísticas.

Dentro desse cenário multifacetado, as leis de incentivo à cultura se destacam como fundamentais para o desenvolvimento e promoção de projetos culturais. A Lei Rouanet, oficialmente denominada Lei Federal de Incentivo à Cultura, estabelecida em 1991, ocupa um lugar central na cultura brasileira, permitindo que empresas e indivíduos destinem parte de seus impostos a projetos culturais. Em 2019, por exemplo, a Lei Rouanet captou mais de R$ 1,2 bilhão para projetos culturais em todo o país.

A pandemia de COVID-19 abalou profundamente o setor cultural, lançando uma sombra sobre artistas e organizações. Nesse contexto, a Lei Aldir Blanc emergiu como um grande suporte, fornecendo auxílio essencial aos trabalhadores e instituições culturais. Sancionada em 2020, a Lei Aldir Blanc destinou R$ 3 bilhões para o setor cultural brasileiro, auxiliando artistas, técnicos, produtores e espaços culturais afetados pela crise.

A mais recente adição a esse cenário é a "Lei Paulo Gustavo" (Lei Complementar nº 195, de 08 de julho de 2022). Esta lei dispõe sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural a serem adotadas em decorrência dos efeitos econômicos e sociais da pandemia da COVID-19. Ela prevê o repasse de R$ 3,862 bilhões a estados, municípios e ao Distrito Federal para aplicação em ações emergenciais que visem a combater e mitigar os efeitos da pandemia da COVID-19 sobre o setor cultural.

Minha paixão pela cultura, sustentabilidade e responsabilidade social me impulsionou a fundar a Espiral Soluções Socioculturais em 2015. Acredito que a cultura desempenha um papel crucial no desenvolvimento social e econômico, contribuindo para a promoção da diversidade e vitalidade da cena artística no Brasil.

A compreensão e a correta aplicação da Lei Aldir Blanc e da Lei Paulo Gustavo são cruciais para garantir que os recursos cheguem a quem mais precisa, e profissionais do setor desempenham um papel fundamental nesse processo. A economia criativa é o motor por trás de muitas das realizações culturais e artísticas do Brasil, onde a inovação e a expressão se unem para criar um cenário cultural diversificado e rico. Para otimizar os benefícios das leis de incentivo à cultura, a experiência de profissionais é de suma importância.

À medida que o setor cultural enfrenta desafios em constante evolução, o entendimento dessas leis e sua aplicação adequada se tornam essenciais para artistas, gestores culturais e empreendedores que buscam prosperar nesse cenário multifacetado. Elas oferecem suporte crucial para a realização de projetos culturais e representam um elemento essencial para manter a diversidade da cena artística no país, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Neste contexto, vale ressaltar a importância de garantir que essas leis continuem a evoluir e se adaptar às mudanças no cenário cultural e econômico do Brasil. A Lei Rouanet, por exemplo, passou por reformulações em 2023 para torná-la mais eficiente e transparente, buscando atender às necessidades do setor. A informação é uma ferramenta poderosa para garantir que os benefícios cheguem a todos os cantos do país, independentemente de sua localização geográfica ou tamanho da comunidade cultural.

Capacitar os profissionais e instituições culturais para acessar e aproveitar essas oportunidades é crucial para impulsionar ainda mais a Economia Criativa no Brasil. Da mesma forma, a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo podem ser aprimoradas com base nas lições aprendidas durante a crise da COVID-19, garantindo que o apoio continue a chegar aos artistas e instituições culturais de maneira eficaz.

Ambas as leis desempenham um papel vital na promoção da cultura e economia criativa no Brasil. Elas representam ferramentas fundamentais para artistas e empreendedores que buscam prosperar nesse cenário desafiador e em constante evolução. À medida que essas leis se adaptam e se fortalecem, a rica tapeçaria cultural do Brasil continuará a se desenvolver, enriquecendo a vida de todos os brasileiros e contribuindo para o crescimento econômico do país.

** Ingrid Reis é Fundadora da Espiral Soluções Socioculturais, empresa especializada em leis de incentivos, editais e produção cultural com projetos de economia criativa, responsabilidade social e sustentabilidade para captação de recursos.

Documentário narra os principais fatos da carreira dos Rolling Stones



A trajetória de uma das bandas mais longevas e revolucionárias do rock mundial chega ao Curta!. Dividido em duas partes, "The Rolling Stones: Crossfire Hurricane" conta a história do grupo liderado por Mick Jagger desde suas primeiras apresentações nos anos 1960. 

O título do documentário, dirigido por Brett Morgen, é tirado do primeiro verso da canção "Jumpin' Jack Flash", de 1968: "I was born in a crossfire hurricane" (em tradução livre "Eu nasci em um furacão de fogo cruzado").

Os integrantes da banda Mick Jagger e Keith Richards e os ex-membros Mick Taylor e Bill Wyman narram as imagens de arquivo apresentadas e fazem uma análise cronológica com um foco que se estende até o início dos anos 1980. 

Logo de início, eles lembram quando eram apenas um pequeno grupo de jovens apaixonados por blues, o início do sucesso com suas canções e a insistência da imprensa da época em criar uma rivalidade com os Beatles.

Um dos pontos altos é a homenagem a Brian Jones, um dos fundadores do Rolling Stones, falecido precocemente em 1969 — resultado catastrófico do abuso de álcool e drogas. Jones é lembrado por seu notável talento musical e por ter sido o primeiro compositor do grupo. 

O filme traz imagens de uma apresentação de Mick Taylor feita no Hyde Park — um dos principais parques de Londres — em memória do músico que o antecedeu como guitarrista da banda.

A produção do documentário foi feita pelos próprios Stones, que não se esquivam de abordar temas íntimos e mais polêmicos como o abuso de drogas — que levou Jagger e Richards à prisão —, as dissidências entre os integrantes, questões financeiras, a fama de "malditos" e a relação com um público que se dividia entre a agressividade e a histeria.

"The Rolling Stones: Crossfire Huricane" pode ser assistido também no CurtaOn -- Clube de Documentários, na Claro TV+ e em seu site oficial (https://s2311.imxsnd30.com/link.php?code=bDpodHRwcyUzQSUyRiUyRkN1cnRhT24uY29tLmJyOjE2ODY3NDIzMTQ6bWFyY2Vsb0Bjb21iYXRlcm9jay5jb20uYnI6OTAwNmM0OjYy). 

A partir de 28 de novembro, o streaming também estará no Amazon Prime Video e novos cadastros terão sete dias de degustação gratuita de todo o conteúdo. A exibição é no dia temático "Segundas da Música", 27 de novembro, às 23h.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Disponibilização de água passa a ser obrigatória em grandes eventos

Da Agência Brasil

Após determinação do ministro da Justiça, Flávio Dino, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) estabeleceu regras para proteger a saúde de consumidores em shows, festivais e grandes eventos nos períodos de alta temperatura.

A medida - publicada nesta quarta-feira (22) no Diário Oficial da União - foi uma resposta às denúncias envolvendo o show da cantora norte-americana Taylor Swift, no Rio de Janeiro, no último fim de semana, que resultou na morte de uma estudante de 23 anos.

Agora, com a determinação, os responsáveis pela produção de eventos terão a obrigação de disponibilizar bebedouros e água adequada para consumo em pontos que permitam o fácil acesso à hidratação de todos os espectadores. O resgate rápido de participantes em casos de alguma necessidade de saúde ou situação de perigo também deverá ser garantido.

A medida, que tem vigência de 120 dias, prevê ainda a fiscalização, por órgãos estaduais e municipais de defesa dos direitos do consumidor, dos preços da água mineral comercializada em eventos para evitar aumento abusivo ou valores altos.

De acordo com a decisão, o prazo estabelecido para as medidas poderá ser revisto conforme as condições climáticas.

Embora a publicação da Imprensa Nacional tenha saído hoje, a portaria da Senacon foi anunciada no último sábado (18), um dia após a morte da estudante Ana Clara Benevides Machado, quando a cidade do Rio de Janeiro enfrentou uma onda de calor na qual a sensação térmica chegou próxima de 60 graus Celsius.

No dia 19, o ministro Flávio Dino publicou nas redes sociais fotos de pontos de hidratação instalados no estádio do Engenhão, onde acontecia o show da norte-americana Taylor Swift.

domingo, 19 de novembro de 2023

Rock in Rio anuncia data para venda de primeiros ingressos para edição de 2024

 Do site Roque Reverso

Os organizadores do Rock in Rio anunciaram na segunda-feira, 13 de novembro, a data de venda dos primeiros ingressos para a edição de 2024 na capital fluminense. Segundo os produtores, no dia 7 de dezembro, a partir das 19 horas, serão comercializados para o público em geral os primeiros Rock in Rio Cards, bilhetes sem data pré-definida que garantem a entrada no festival.

A edição de 2024, que comemorá os 40 anos de idealização do festival que começou em 1985, será realizada nos dias 13, 14, 15, 19, 20, 21 e 22 de 2024 na Cidade do Rock.

A partir da edição de 2024, os ingressos serão vendidos exclusivamente online pela plataforma da Ticketmaster Brasil.

Os fãs membros do Rock in Rio Club, clube de benefícios do festival, terão a pré-venda do Card garantida entre os dias 30 de novembro, às 19h e 6 de dezembro, às 19 horas.

Valores e parcelamentos

Para a edição do Rock in Rio Brasil 2024, o valor do Rock in Rio Card será R$ 755,00 (inteira) e R$ 377,50 (meia-entrada) e não há cobrança de taxa de serviço.

O pagamento pode ser feito por Pix ou cartão de crédito e o valor parcelado em até seis vezes.

Clientes que efetuarem o pagamento com os cartões de crédito Itaú, Itaucard, Credicard e Iti têm 15% de desconto na compra de ingressos, por R$ 641,75 (não cumulativos com a meia-entrada) e poderão parcelar sua compra em até oito vezes sem juros.

O limite de compra do público em geral é de até 4 (quatro) ingressos por CPF, sendo uma meia-entrada, com exceção para meia-entrada para pessoas portadoras de necessidade especial, que têm direito a comprar outra meia-entrada também para seu acompanhante.

Primeiros nomes internacionais anunciados não são do rock

Na mesma segunda-feira, 13 de novembro, também foram conhecidas as primeiras atrações internacionais do Rock in Rio 2024. Até o momento, não há nenhum nome genuinamente do bom e velho rock and roll.

Os organizadores anunciaram os cantores Ed Sheeran, NE-YO e Joss Stone.

Eles se juntam à cantora brasileira Ludmilla, que já havia sido confirmada anteriormente.

Rumores sobre o AC/DC como uma grande atração do rock no festival de 2024 surgiram na internet, mas ainda nada foi confirmado oficialmente pela produção do evento.

10ª edição

A edição de 2024 será a 10ª do Rock in Rio no Brasil. O festival foi realizado na capital fluminense em 1985, 1991, 2001, 2011, 2013, 2015, 2017, 2019 e 2022.

Criado em 2009, o Roque Reverso fez a cobertura das edições de 2011, 2013, 2015, 2017, 2019 e 2022 do festival.

Måneskin lança clipe da música ‘The Driver’

 Do site Roque Reverso

O Måneskin lançou nesta quinta-feira, 16 de novembro, o clipe da música “The Driver”. A faixa da banda italiana faz parte do recém-lançado álbum “Rush! (Are U Coming?)”, uma versão estendida do disco “Rush!”, que chegou aos fãs em janeiro e fez enorme sucesso em todo o planeta.

O clipe da música “The Driver” contou com direção de George Gallardo Kattah.

Foi liberado uma semana depois que o clipe da música “Valentine”, também dirigido por Kattah, chegou aos fãs.

O álbum “Rush! (Are U Coming?)” foi lançado oficialmente no dia 9 de novembro.

Essa versão estendida de “Rush!” traz 5 músicas inéditas, totalizando nada menos que 22 faixas.

https://youtu.be/vIEQ7IAeajY

Além de “The Driver” e “Valentine”, “Rush! (Are U Coming?)” conta entre as inéditas com o primeiro single de trabalho “Honey (Are U Coming?)”.

A faixa “Off My Face” e a balada “Trastevere” completam a lista de inéditas da versão estendida do disco “Rush!”.

sábado, 18 de novembro de 2023

Quando o consumidor morre, fica difícil achar alguém para pagar a conta

 Mortes em shows de música popular quase acabaram com algumas das mais importantes bandas de rock de todos os tempos. Os Rolling Stones, por exemplo, foram espicaçados e perseguidos depois do péssimo concerto de Altamont, na Califórnia (EUA), em dezembro de 1969. 

Mal organizado e praticamente sem segurança, o show reuniu 600 mil pessoas (estimativa), onde reinou a violência e um jovem negro foi espancado e morto na frente o palco.

Des anos depois, em Cincinnati (EUA), 11 pessoas morreram pisoteadas depois que a multidão na fila pensou que o show de The Who tinha começado - era apenas a passagem de som. A falta dessa informação e o péssimo trabalho de organização e segurança provocaram a tragédia. 

A banda só soube do ocorreu após o show, nos camarins, e o guitarrista Pete Townshend saiu do estádio decidido a acabar com a banda - questões financeiras e contratuais o demoveram temporariamente, da ideia.

Problemas parecidos ocorreram com o Pearl Jam, na Dinamarca, durante o festival de Rokilde. em 2000. nove pessoas morreram pisoteadas e 43 ficaram feridas durante o show da banda no palco principal em um tumulto até hoje nebuloso em sua origem. O grupo considerou parar de tocar por um tempo em razão da tragédia.

No Brasil, quem não se lembra das condições inacreditáveis que levaram à morte de  oito pessoas em8 de novembro de 1997 em um clube de Santo (SP)? Morreram após assistirem ao show do grupo Raimundos no ginásio precário. 

Os oito foram asfixiados e sofreram lesões múltiplas ao caírem de uma escada de cinco metros utilizada como única saída para quase seis mil espectadores. Os corrimãos instalados na estrutura cederam, o efeito manada empurrou o público e dezenas despencaram no chão, um sobre os outros. Estima-se mais de 60 feridos. O futuro da banda chegou a estar em jogo após o acidente.

Dá para elencar mais um monte de ocorrências semelhantes, com alto potencial de queimar reputações e colocar carreiras em risco. Não é isso o que vai ocorrer com a cantora pop americana Taylor Swift, por mais que repercussão que a morte da fã Ana Clara Benevides, de 23 anos, que passou mal no começo do show no estádio Engenhão, no Rio de Janeiro, e morreu depois no hospital, onde chegou com parada cardiorrespiratória.

Os cínicos de plantão vão dizer que que "demorou para acontecer" dadas as condições sempre insatisfatórias dos megasshows em grandes estádios brasileiros - tudo caro, banheiros de menos, proibições demais, infraestruturas médica e de segurança insuficientes, assistência ao consumidor capenga...

Os ingênuos vão dizer que é um absurdo demonizar a cantora e os organizadores por causa de "apenas uma morte", cuja causa ainda não foi "determinada", em "flagrante injustiça" - ainda que outras mil pessoas tenham passado mal por causa do forte calor no primeiro show.

Até há um fundo de sentido nesta "argumentação", mas a essência da questão permanece: como pode alguém morrer em um show de música pop sem que haja tumulto ou violência? Como a assistência médica não foi capaz de evitar o agravamento do caso? Como alguém pode morrer em um show?

O exemplo de Santos deveria er provocado discussões e  melhora nas condições dos megaespetáculos. Hoje as casas de shows de médio e grade portes de Brasil e Argentina estão entre as mais seguras do mundo - assim como têm as leis mais rígidas - depois que mais de 500 pessoas morreram em incêndios em boates. Só na boate Kiss, em Santa Maria (RS), foram 242 jovens mortos. tais rigores não existem nos megasshows.

A morte de Ana Clara Benevides, uma estudante de psicologia de Mato Grosso, provocou u show de demagogia e oportunismo de autoridades municipais, estaduais e federais. o Ministério da Justiça baixou rapidamente portaria alterando regras de segurança e saúde nos megasshows, obrigando o fornecimento gratuito de água seja quais forem as condições climáticas.

O lamentável governo fluminense, sempre perdido e correndo atrás dos problemas graves, pressionou pelo adiamento do segundo show quando já se sabia que o final de semana seria de calor extremo pelo menos cinco dias antes. No sábado, dia 18, os termômetros marcaram o recorde de 42,3ºC no Rio, com sensação térmica de 59ºC em alguns bairros.

Dois deputados federais, um do PSDB e outra do PSOL, se apressaram a dizer que vão propor leis federais mais rígidas de fiscalização aos megasshows e a obrigatoriedade de água gratuita nos eventos, além da permissão de entrada de guarda-chuvas e garrafas plásticas transparentes de água.

Na esteira do oportunismo, promotores públicos pelo Brasil afiam as garras para instaurar qualquer tipo de inquérito, assim como os Procons (órgãos de defesa do consumidor), entidades que apenas costuma reagir aos problemas, na verdade deveriam tentar evitá-los.

O de Uberlândia (MG), por exemplo, já se apressou em "abrir uma investigação contra o adiamento do segundo show de Taylor Swift no Rio", já que pelo menos 100 consumidores da cidade, que viajaram para ver a cantora, reclamaram que o adiamento os impossibilitará de permanecer até segunda-feira (20), data do shows remarcado. O Procon da cidade mineira tem jurisdição para atuar no Rio de Janeiro?

A questão é que foi necessária uma morte que pode ter relação com o calor extremo e assistência médica insuficiente para finalmente grandes problemas dos megaeventos fossem finalmente observados e, quem sabe, coibidos e punidos.

Não bastassem os preços muito alto dos ingressos, os consumidores são submetidos a inacreditáveis restrições impostas em nome da segurança - e da proteção das empresas concessionárias para manter a exclusividade da venda de sus produtos, como bebidas.

A falta de fornecimento gratuito de água, de infraestrutura decente de banheiros e de meios para se refrescar em eventos realizados em épocas de intenso calor são queixas recorrentes desde o Rock in Rio I, em janeiro de 1985. Todos os eventos grandes subsequentes, geralmente em estádios, apresentavam os mesmos problemas.

Até os anos 2000, muitos dos grandes shows eram realizados, em São Paulo, nos antigos e inadequados Pacaembu, Morumbi, Parque Antártica e Ibirapuera. Em relação aos festivais europeus, no toante á qualidade de infraestrutura, estivemos na pré-história. Melhorou um pouco neste século, mas não muito.

O principal local para megaeventos na capital paulista, já há algum tempo, é o autódromo de Interlagos, subutilizado e hoje encravado em um bairro populoso e com ruas estreitas e sem grande estrutura. 

Recebe festivas diversos e organizado por empresas diferentes, mas as queixas sobre a infraestrutura e as restrições são as mesmas e recorrentes. 

Ao se privilegiar as "necessidades e exclusividades" de patrocinadores e concessionários, que supostamente "investiram" muito em um grande evento, rompe-se a cumplicidade entre cliente e prestador de serviços, transformando o entretenimento em experiência amarga. 

consumidor é maltratado em algumas situações importantes durante o evento, a começar pela excrescência da cobrança de "taxa de conveniência" na compra do ingresso, quando, na verdade, não há conveniência alguma.

Deixando de lado a demagogia e os oportunismos de lado, que a morte de Ana Clara desencadeie uma onda de indignação contra as condições abusivas nos shows e megasshows e torne o consumidor de shows brasileiro mais consciente e mais exigente, cobrando inclusive os artistas, que são tão responsáveis quando os promotores de shows. São eles que são os chamarizes e colocam seus rostos para vender ingressos muito caros e oferecer, em parcela expressiva dos eventos, ~situações bem desagradáveis aos consumidores.

O que diz a T4F sobre a morte em show de Taylor Swift e adiamento

Taylor Swift (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A produtora T4F (Time For Fun), responsável pelos shows de Taylor Swift no Brasil, informou por meio das redes sociais que vai oferecer água gratuita na fila e em todos os acessos ao Estádio Nilton Santos, local da apresentação.

A empresa autoriza o público a entrar com garrafas plásticas flexíveis. A regra já vale para o show de hoje, que acontece no Engenhão, no Rio. A empresa publicou a seguinte nota nas redes sociais:

Diante da previsão de aumento da onda de calor na cidade do Rio de Janeiro, informamos que estamos reforçando o plano de ação especial realizado para o primeiro dia de show, especialmente o fornecimento de água gratuita nas filas e em todos os acessos e entradas ao estádio e no seu interior. Desta forma, novos pontos de distribuição gratuita de água estarão à disposição do público durante o evento.

Também será permitida a entrada no estádio com copos de água lacrados e alimentos industrializados lacrados, sem limitação de itens por pessoa. Esclarecemos que a exigência dos itens serem lacrados segue recomendações de segurança."

Também ressaltamos que a proibição de entrada de garrafas de água em estádios é uma exigência feita por órgãos públicos e que não realizamos a comercialização de bebidas e alimentos, sendo essa uma atribuição da administração do estádio.

O efetivo de serviços foi reforçado. Cerca de 200 colaboradores extras irão se somar aos 1.230 profissionais que estão trabalhando no evento desde o início entre seguranças, brigadistas, orientadores de público e outros. Além disso, a estrutura de atendimento médico foi reforçada, totalizando 8 postos médicos disponíveis, 8 ambulâncias e 8 UTIs móveis.

ATUALIZAÇÃO: garrafas plásticas flexíveis também serão autorizadas no acesso. É vedado qualquer outro material como metal, alumínio e garrafas térmicas."

 

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

'Griô' inaugura a carreira internacional da banda Black Pantera

Marcelo Moreira
Black Pantera (FOTO: DIVULGAÇÃO)


Os garotos de Uberlândia (MG) são modestos e humildes, mesmo tendo dominado a Times Square, em Nova York, na divulgação do álbum "Ascensão". Deu tão certo que agora querem dominar o nundo, com o perdão do clichê.

O trio Black Pantera resolveu arriscar e avançaram algumas casas no disputadíssimo mercado internacional da música pesada - e engajada. "Griô" é o mais recente EP do trio mineiro, o primeiro com canções apenas em inglês. O ativismo antirracista e antifascista vai estremecer outras plateias, e as novas canções fora testadas em recente turnê europeia.

O impacto que a banda teve no mercado brasileiro foi semelhante ao que as bandas americanas Living Colour e Body Count tiveram nos anos 80 e 90, respectivamente - cada uma a sua maneira, formada por músicos negros, entraram de sola no rock pesado e chacoalharam as estruturas. 

O Living Colour abusou do hard rock, da ironia e do sarcasmo; Body Count preferiu ser direto, devastador e violento ao misturar heavy metal tradicional e thrash metal. 

O Black Pantera foi além, mergulhando no hardcore, no punk e no thrash metal grooveado com pitadas de death metal. 

A violência sonora e as letras engajadas e sem concessões, tão necessária em tempos nebulosos e perigosos, alçaram o trio de músicos negros à mais alta prateleira do rock nacional. Entre as melhores coisas surgidas nos últimos anos, está no topo ao lado de Crypta e Nervosa.

Durante a agenda de shows no Brasil e no exterior eles foram gravando algumas músicas em inglês que formam o EP "Griô". "A gente sempre quis fazer um projeto em inglês, já gravamos algumas músicas durante nossa carreira, mas pela primeira vez fazemos um EP todo em outra língua", comentou o baixista e vocalista Chaene da Gama "Para nós é muito importante que as pessoas entendam o que estamos cantando e dessa vontade nasceu 'Griô'".

O EP traz cinco faixas inéditas, incluindo "Dreadpool", lançada como single recentemente. "Burn Out" é sobre pedir ajuda quando estamos com problemas, "Ukumkami" foi inspirada num sonho que Chaene teve com o avô pedindo para que ele continuasse alimentando a fogueira sem deixar o fogo apagar. 'Rise" ´é uma levada punk com uma parte reggae com o refrão "o que você vê quando você me olha?"

"Shut Up Fuck Up" nasceu dos grandes hinos punks da história, rápida, pesada e com uma letra forte. "Às vezes tudo que precisamos é colocar para fora os sentimentos, e todos nós temos esse direito. É sobre você estar em vários lugares e ser perseguido por olhares e julgamentos e saber que você é maior do que toda a negatividade", disse o guitarrista Charles da Gama sobre essa faixa que, traz uma guitarra marcante e o baixo e a bateria acelerados, "Unimos muito do punk, hardcore e metal, uma canção perfeita para o mosh pit! Todos nós sabemos bem onde aplicar um simples "shut up fuck up",

Griô é uma palavra de origem africana que designa o "guardião da memória oral de um povo". E é justamente esse o conceito do EP, assim como do próprio Black Pantera. 

"Griô são contadores de histórias, esses ancestrais que passavam o conhecimento para frente, através de contos, através de músicas, extremamente necessários para difundir a cultura de um povo e impedir que ela desapareça. Então a gente queria isso, acabamos sendo griôs da nossa era, pois falamos de retomada, do movimento negro, dos ativistas, da história do povo preto, dos impérios e tudo mais", declarou Chaene.

Ele complemeta: "Contamos a história do nosso povo, tão apagada, tão sequestrada, mas de uma maneira que a gente possa retomar isso e mostrar que nós somos história para além da escravidão e uma forma também de combater o racismo e elevar os nossos ancestrais, o nosso povo."

O EP "Griô" foi produzido por Rafael Ramos e masterizado por Chris Hanzsek no Hanzsek Audio em Seattle (EUA). É um lançamento da gravadora Deck e já está disponível em todos os aplicativos de música.

Ouça aqui: https://BlackPantera.lnk.to/GrioPR

Lyric Videos do EP: -https://www.youtube.com/playlist?list=PLbqUhAyoFmKrriO3ZTvnMr9CiC-L1Ns2r

O canto do sabiá embala uma nostálgica história encharcada de música


Marcelo Moreira

 

No meio da vila tinha uma ditadura. E a vida só era suportável por causa da música e dos livros.  Costuma ser assim no autoritarismo, mas raramente o período nojento da ditadura militar é retratado de forma um pouco mais serena e com certa suavidade/dignidade nos livros de história e na literatura nacional.

A escrita foi quebrada com "Camarada Sabiá",  (editora Folheando, R$ 42) primeiro romance do jornalista paulista Décio Trujilo (ex-integrante da equipe Combate Rock, com participação fundamental na criação do site e do programa de web rádio), que, em sua essência, o panorama dos anos 60 e 70 do ponto de vista de um garoto que cresce durante o regime militar vendo o pai ativista frequentando a prisão e convivendo com o medo constante da brutalidade do Estado.

O pano de fundo é a convivência entre um bairro fictício em uma cidade da Grande São Paulo e o quartel do Exército local, um do mais importantes do Estado de São Paulo. 

Contando a história de um garoto de família trabalhadora, o texto revisita o período nefasto da ditadura militar e analisa as relações as relações cotidianas entre o povo e os militares dos quartéis, dando espaço para revelações interessantes do microcosmo de uma comunidade pequena, provinciana e majoritariamente conservadora, mas não necessariamente submissa ao quartel do Exército.

Se havia as eternas dificuldades de os engajados e ativistas de espalharem o credo marxista para um povo desconfiado e sem muita instrução, também havia a extrema ignorância militarista de lidar com os "comunistas" locais, que se resumiam a professores, aalguns sindicalistas e um ou outro trabalhador mais esclarecido - liberal ou não - verborrágico nos botecos da vila, admirados por pouco estudantes idealistas e sonhadores.

O microcosmo da vila pode ser perfeitamente aplicado a grande parte das localidades mais simples do país, e a obra foca de forma bem-sucedida nas tensões diárias, mas pouco abordadas, entre soldados, cabos e sargentos e a população que apenas procurava sobreviver em meio a abusos militares e do Estado de todos os tipos. 

E eram coisas como censura, violência política extrema, tortura, assassinatos, corrupção desenfreada e uma série de proibições e regrinhas que estimulavam os abusos. Com tudo isso, a predominância do medo ditava as relações cotidianas e até mesmo as trajetórias de vida.

Para suportar p ambiente opressivo e sufocante, só a música e os livros, de preferência aqueles banidos pela ditadura, que circulava de forma secreta e clandestina. 

O protesto ocorria nos botecos, nos campos de futebol de várzea e no deboche dos estudantes, que não se furtavam a cantar as músicas proscritas no caminhar até a estação de trem e na viagem á capital no mesmo transporte.

E então o protagonista, que vê aos oito anos de idade o pai ser preso no quartel da vila cresce, ganha bolsa de estudos em colégio particular de São Paulo e descobre o rock, com sua energia contagiante e enorme potencial de mobilização. 

Assim como a MPB de protesto, o rock se torna trilha sonora do protagonista, que enxerga a potência sonora das guitarras e a liberdade criativa, assim como as melodias mais acessíveis, como o som da juventude, transgressor e agressivo, evocando uma liberdade utópica, mas possível. bem de acordo com os ensinamentos do pai: "Liberdade é inegociável!"

Devidamente moldado pela inteligência e espírito críticos incentivado pelo pai, ex-comunista e ativista moderado de esquerda, o garoto ganha o mundo e faz uma contundente reavaliação de como o Brasil lidou, em âmbitos locais, com a ditadura e seus representantes - que normalmente eram apenas instrumentos dos facínoras que perseguiam, torturavam, matavam e intimidavam. 

Os "comunistas das vilas? Nada tinham a ver com os "altamente treinados guerrilheiros vindos de Cuba" ou a "juventude letrada e dourada" das universidades, da classe média e de uma exclusiva e seleta parcela de servidores púbicos ativistas.

Como crônica de de uma era difícil, dolorosa e grave da vida brasileira, a obra cumpre a sua função e aborda aspectos pouco explorados por romances e livros de história. 

Apesar do horror totalitário, ainda havia uma vida se desenrolando no Brasil, com seu cotidiano tedioso e modorrento, recheado de intrigas de novela barata, mas temperado por uma aura sombria de medo e pavor.

Com fartos toques autobiográficos, "Camarada Sabiá" é baseado na vida dos anos 60 e 70 da cidade de Barueri, no oeste da Grande São Paulo, onde Décio Trujilo nasceu. Boa parte dos personagens foram criados a partir da lembrança de vizinhos, colegas de escola e parentes, assim como a Vila do Vale do livro remete ao Jardim Belval, onde foi criado.

O clichê aqui é válido: o livro e uma nostálgica  gostosa viagem no tempo que conseguiu tratar com leveza um período tenebroso de nossa história - e para isso a experiência do olhar preciso de um grande repórter e do bom jornalismo que praticou na grande imprensa nacional foi fundamental para o bom resultado do trabalho. Por enquanto o livro pode ser adquirido somente pelo site da editora - https://www.editorafolheando.com.br/pd-950b76-camarada-sabia.html.

 

Saxon fez questão de entregar o máximo em São Paulo - como sempre, foi sensacional

Marcelo Moreira

Biff Byfford (esq.) e Fabio Lione no palco do Tokio Marine Hall, em São Paulo (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Só sei fazer isso da vida, ms desafio alguém que faça melhor. A declaração foi feita com tal tranquilidade que está longe de soar pedante ou arrogante. Paul "Biff" Byfford está à beira de completar 50 anos liderando a banda inglesa Saxon e se tornou uma instituição do heavy metal e está provando isso na atual turnê brasileira.

Aos 72 anos de idade, ele e o quarteto de quase septuagenários deixaram claro que, nos palcos, é difícil encontrar banda que os supere em qualidade e intensidade.

A apresentação do Saxon no Tokio Marine Hall, em São Paulo (SP), em 15 de novembro, foi uma celebração da música em todos os sentidos, agradando a tanta gente de vários espectros musicais. profissional, intenso e com domínio completo de palco, o quinteto fez com competência o que sempre fez e entregou.

Não foi a melhor exibição desde que os ingleses começaram a tocar no Brasil, em 1997. Mas foi a mais legal, e mais tranquila, e mais descontraída. E nas várias entrevistas que concedeu à imprensa brasileira, inclusive ao Combate Rock, ele deixou claro que era ponto de honra fazer o que pudesse para a turnê brasileira fosse a "melhor de todos os tempos".

os shows deveriam ocorrer no primeiro semestre, as todos foram pegos de surpresa com a decisão de Paul Quinn, um dos fundadores, de não mais excursionar pelo mundo. O guitarrista de 71 anos anunciou a sua aposentadoria dos palcos mundiais, e foi substituído nos shows pelo amigo Brian Tatler, da banda Diamond Head.

Intempestiva ou não, a decisão inviabilizou a turnê pela América do Sul e obrigou Biff a gravar um vídeo se desculpado pelo adiamento do shows e prometendo vir ao Hemisfério Sul em novembro. Muitos enxergara sinceridade, e o vocalista cumpriu a promessa.

O toque bluesy de Quinn deu lugar a um heavy mais reto e direto de Tatler, que soou mais pesado em algumas músicas. As diferenças são nítidas, mas nada comprometedoras. É um Saxon um pouquinho diferente, mas com a mesma vontade de sempre de entregar o máximo.

Com um calor insuportável, a banda vestia casacos e jaquetas, sendo que Biff manteve o jaquetão/sobretudo negro que lhe é característico. Não fazia sentido, ams ele nem ligou para tal contrariedade".

Em quase duas horas de show, os clássicos inevitáveis se misturaram com algumas canções novas, do mais recente álbum, "Carpe Diem", de 2022. A mescla deu certo mais uma vez, ainda que parte do público paulistano esperasse/exigisse alguma surpresa.

Houve até uma tentativa, a participação do cantor italiano Fabio Lione, do Angra, em uma versão envenenada de "Ride Like the Wind", do Christopher Cross. música pop que foi transformada pelos ingleses em clássico do hard'n'heavy em 1988, no álbum "Destiny". O dueto deu certo e revelou o poder da voz de Biff, que suplantou a do excelente Lione (ok, vamos descontar os malabarismo técnicos da mesa de som para valorizar o inglês...).

Com muita experiência e inteligência, espalharam as novas canções pelo repertório de forma que combinassem em termos de ritmo e intensidade com os clássicos do passado similares e fizeram com que o show tivesse uma cadência perfeita e espantasse o tédio.

Fi assim com a abertura, que teve a veloz "Carpe Diem" seguida do hino oitentista "Motorcycle Man", assim como, no meio do show, uma pérola do passado, "Heavy Metal Thunder" lastreada em "Sacrifice", do novo disco. 

Poucos perceberam os rápidos vocais de Tim "Ripper Owens  em "747 (Strangers in the Night)" - o americano ex-Judas priest estava na plateia, em rara fola de uma longa turnê pelo Brasil. 

A canção foi uma das preferidas do público, que vibrou ainda com "Wheels of Steel", Denin and Leather', "Princess of the Night", "Dogs of War" e a monumental "Crusader", épico máximo do Saxon, para não falar do brinde nostálgico de "And the Band Played On".

E ainda bem que tocaram a melhor canção de "Carpe Diem", o épico grandioso "The Pilgrimage", do memo calibre de "Conquistador", "Sea of Life" e muitos outros.

Satisfeitas todas as expectativas, é hora de celebrar e reverenciar uma banda que faz questão de dar  áximo e entregar muito mais do que a maioria. Uma velha máxima dos anos 60 atribuída a Te Who cai muito bem no Saxon: "Who's Better, Who' the Best" (quem é o melhor, quem é p máximo".