segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Democracia em risco: abafar críticas a presidente vira missão principal da Polícia Federal

 Marcelo Moreira



A máquina fascista a serviço do governo Jair Bolsonaro, que é um lixo (governo e presidente), testa mais uma vez os limites da democracia e da liberdade de expressão.

A colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, informa que a Polícia Federal deve intimar em breve Guilherme Boulos, candidato a prefeito de São Paulo pelo Psol, para "explicar as críticas e ataques ao presidente da República".

Todos sabem que Boulos é um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e que foi candidato a presidente da República em 2018 pelo mesmo partido, que se situa à esquerda, bem mais radical que o PT, mas não tanto quando o PSTU, por exemplo.

Claro que é uma jogada política que pretende neutralizar a ascensão da candidatura de Boulos em São Paulo e permitir um segundo turno entre candidatos mais alinhados ao nefasto governo Bolsonaro.

A questão é que a cada teste da democracia, a cada limite expandido, a extrema-direita avança contr a democracia e a liberdade de expressão.

Especialmente entre  artistas e músicos, mesmo os que não apoiam a excrescência na Presidência da República, o tom continua sendo de descrença em uma eventual ruptura democrática, mesmo admitindo o viés autoritário da atual administração.

O resultado é esse tipo de ação, coim o aparelhamento da Polícia Federal para intimidar opositores e adversários do presidente. Se acontece com Boulos, vai acontecer com qualquer um que se oponha a esse projeto fascista de governo e sociedade.

Há os sarristas que tripudiam diante da iniciativa, dizendo que a Polícia Federal terá de pedir explicações sobre críticas e ataques a metade da população brasileira se isso virar moda.

Infelizmente, não é engraçado e não dá para relevar esse tipo de iniciativa dessa gente nojenta que se instalou no poder. Isso não pode ser normalizado. Deveria ser um escândalo internacional.

É o tipo de coisa que que compromete a imagem de um país, assim como a falta de reação. Boulos deve ignorar as ações da Polícia Federal e a intimação e fazer um escândalo se a situação persistir. Só que o silêncio da sociedade, infelizmente, diz muito a respeito do grave momento em que vivemos.

Normalizar esse tipo de procedimento é compactuar com o avanço do fascismo e ser conivente com os crimes diversos atribuídos a essa administração que depreda direitos civis, humanos e meio ambiente.

Não protestar contra o aparelhamento da Polícia Federal, que se transforma em polícia política, é menosprezar a democracia e não ligar para a preservação de direitos sociais básicos.

Transformando-se em mártir ou não, Boulos é o nome a ser apoiado em sua batalha contra o fascismo. Podemos não estar percebendo neste momento, mas essa será uma luta crucial para manter a democracia.


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