Depois dos graves escândalos envolvendo tratamentos de covid-19 sem eficácia comprovada e de um fim abrupto, a banda Armored Dawn está ensaiando uma volta ás atividades. Já está divulgando uma música nova, embora ainda não esteja acessível para os ouvintes no Spotify e no YouTube. A música é "S.O.S.".
A banda tinha como líder o vocalista Eduardo Parras, que também cantava na banda Doctor Pheabes. Seu nome verdadeiro é Eduardo Parrillo, médico que, ao lado do irmão Fernando, Criou a operadora de saúde Prevent Senior, especializada no atendimento a pessoas com mais de 60 anos de idade.
Durante a pandemia, em 2021, a operadora foi acusada de omitir dados sobre mortes de covid e de aplicar tratamentos ineficazes comprovadamente, o que foi interpretado como um alinhamento ao governo negacionista e irresponsável de Jair Bolsonaro.
A empresa foi objeto de reportagens demolidoras da TV Globo e de investigações na CPIs do Senado e Câmara Municipal de São Paulo. O fim da banda ocorreu por conta dos escândalos envolvendo Parras/Parrillo, com a debandada de músicos.
O comunicado informando a "volta" da banda é lacônico, pois é falho ao nao citar formação e nem demais dados da gravação da música "S.O.S.".
O aparente retorno do Armored Dawn reacende a discussão sobre a separação de obra e artista. Devemos ainda ouvir do mesmo jeito as canções de Eric Clapton, um negacionista e antivacina irresponsável? Devemos curtir Ultraje a Rigor ainda, liderado por um extremista de direita desumano e totalmente irresponsável?
E o que dizer da banda de metal americana Iced Erath, cujo líder, Jon Schaffer, está preso por terrorismo depois de invadir o Congresso norte-americano para impedir a posse do presidente eleito Joe Biden?
ravOs exemplos são vários e em todos os gêneros. No caso a banda Armored Dawn e do seu líder, Eduardo Parras, existem alguns atenuantes, já que algumas das conclusões das CPIs não foram validadas por investigações do Ministério Público e da Polícia Civil. Entretanto, os indícios colhidos ão aterradores.
De qualquer forma, é muito estranho que apenas um comunicado envergonhado, em inglês, tenha sido emitido até agora sobre a eventual volta ás atividades.
Assim como no caso do Iced Earth, por melhor que seja o material, novo ou velho, é desconfortável revisitá-lo, ainda mais envolvendo fatos tão graves.
A banda americana soltou dois discos desde a prisão de Schaffer, um com letras declamadas sobre um fundo musical e um ao vivo gravado em 2006 no festival Bang Your Head. O guitarrista está preso e aguarda julgamento. Admitiu a culpa e está "colaborando com as autordades". Especialistas estimam que deverá ser condenado a quatro anos de prisão - corria o risco de ficar encarcerado por 25 anos.
O disco ao vivo é de boa qualidade, o que demonstra que o Iced Earth foi um gruo importante e o quanto o insano Schaffer perdeu o juizo no episódio da invasão do Capitólio.
Será bem difícil o Armored Dawn recuperar o prestígio que tinha, que lhe garantiu boas vendas e turnês no exterior, além de quatro álbuns bem razoáveis. Não se trata de torcer contra, mas de contatar como a realidade pode ser impiedosa e não perdoar alguns tipos de deslizes. Neste caso, infelizmente, os deslizes são gravíssimos, o que certamente pode inviabilizar qualquer tipo de perdão.
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