quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Blues Pills encarna a esperança de dias melhores às vésperas de tocar no Brasil

 Um recomeço mais pesado, mas com muita esperança e alto astral. O quarteto sueco Blues Pills esbanja otimismo às vésperas de desembarcar no Brasil pela primeira vez em show único em São Paulo no dia 29 de outubro.

"Sabemos que será na véspera de uma eleição importante, então que possamos levar esperança a todos", disse uma simpática Elin Larsson, a vocalista, durante uma concorrida entrevista coletiva online.

Com quase dez anos de estrada, o Blues Pills é uma banda muito experiente - são três álbuns elogiadíssimos e dois álbuns ao vivo.

No começo era blues temperado com soul music e um show de guitarras pesadas e com timbres inusitados. Era um molho diferente e inusitado, típico de uma banda internacional formada formada por suecos, americanos e franceses.

Dorian Sorriaux, o guitarrista francês apaixonado por música americana de raiz e responsável pelo clima bluesy, saiu depois de alguns shows que serviram para lançar o disco "Lady in Gold" e om mudou bastante com o baixista Zack Anderson assumindo as guitarras. As influências continuam as mesmas, mas o som ganhou outros temperos.

"Foi uma transição complicada, tive de estudar mundo para virar guitarrista", disse o músico. "Foi uma mudança radical e muito importante, que impactou diretamente o nosso trabalho."

"Holy Moly", de 2020, o mais recente álbum, teve a divulgação interrompida pela pandemia de covid-19, e reflete bem as mudanças mencionadas. Está mais próximo da soul music e do rhythm and blues tradicional, com arranjos mais sofisticados e sem tanto o peso blueseiro que caracterizou os dois primeiros trabalhos.

"Não creio que tenha havido alterações radicais em 'Holy Moly'. Ele soa orgânico e com canções que mostravam o que éramos naquele momento", analisa Anderson. "Talvez tenha pendido mais para a área da soul music, mas não foi pensado dessa forma."

Para o próximo álbum, que está em processo de composição, o guitarrista afirma que o som provavelmente seguirá a tendência de "Holy Moly", mas com o peso de sempre. "Ou até mais pesado, quem sabe?"

Com pouquíssimo conhecimento sobre a música latino-americana, os integrantes estão preocupados em fazer um show intenso e demolidor. "Será tudo novo para o Blues Pills. É uma plateia nova e com hábitos diferentes", prevê Elin Larsson. "Temos grandes expectativas, será instigante."

Com muito bom humor, a cantora falou a respeito de sua postura como vocalista e 'cara' de uma banda que não tem por hábito abordar temas políticos diretamente, embora tenha como hits, entre outros, "Devil Man" e "Proud Woman", esta do último disco.

"Tenho plena consciência de meu papel dentro de uma banda que avançou bastante e do que representa uma garota cantando rock", diz Elin. "Sou feminista e batalho pelo que acredito, ou seja, quero avançar cada mais na questão da igualdade de direitos e oportunidades. 'Proud Woman' tem sido interpretada como um brado neste sentido, mas não surgiu com essa intenção. Eu estava brava quando fiz a letra, mas não é um hino ao empoderamento feminino - não em sua intenção inicial."

Mas a imagem de líder carismática de uma sensação do rock ficou impregnada assim que a banda começou a se destacar no cenário europeu após o lançamento do primeiro álbum, autointitulado. 

Elin Larsson exalava força, poder e liderança or meio de canções pesadas e intensas. As apresentações ficaram bastante concorridas sobretudo na França e na Alemanha e a imagem da cantora se solidificava como uma estrela em ascensão, o que causou certo incômodo, como ela comentou em uma entrevista ao site da revista New Musical Express na época.

O quarteto foi diretamente daqueles bares sujos e cheios de gente diretamente para os maiores festivais da Europa como Download, Rock am Ring, Wacken Open Air e Roskilde. 

O primeiro álbum foi diretamente para os primeiros lugares na Europa e atingiu posições impressionantes na Alemanha (4º Lugar) e com o segundo álbum “Lady In Gold” a banda chegou em primeiro lugar na Alemanha. 
 
Com "Holy Moly", a subida ao topo foi mais rápida e consistente guiada pela voz poderosa e cheia de alma de Elin Larsson, muitas vezes comparada á Janis Joplin, Amy Winehouse e Adele.

"Gosto destas comparações, ainda que me assustem um pouco (risos)", afirma a cantora. "Acho que estou no caminho certo. Tenho muitas influências, como a maravilhosa Aretha Franklin, que aprendi a amar na escola. As coisas aconteceram rápido para nós e é um orgulho imenso."
 

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