quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Música instrumental: liberdade e história transbordam nos temas de Ricardo Vignini e O Gajo

A música começa de um jeito, mas nunca se sabe como termina, uando termina e se termina. Não existe maior liberdade do que esse conceito de... liberdade. 

O músico paulistano Ricardo Vignini, um dos nomes de peso da música instrumental brasileira e especialista em viola caipira, de dez cordas, já tinha disseminado esse conceito quando se juntou ao companheiro Zé Hélder, violeiro mineiro dos bons, non projeto Moda de Rock, que transmuta clássicos do rock para o mundo da viola caipira. "As possibilidades que o mundo da viola oferece são imensas", comentou Vignini em uam entrevista para o programa Combate Rock. 

Esbaldando-se na liberdade que o instrumento permite, passeia por diversos mudos no Moda de Rock, na carreira solo onde mistura música de raiz, sertanejo da gema, folk e blues, e também com a música folk europeia. 

O violeiro paulistano, workaholic e inquieto, decidiu agora cruzar o oceano Atlântico e juntar forças com um nome ilustrado da música portuguesa. João Morais, conhecido como "O Gajo", é m mestre de uma viola chamada campaniça, tradicionalíssima na Península Ibérica, que dez cordas, mas afinação totalmente diferente

Com muitas afinidades, o entrosamento foi imediato e o cruzamento de culturas resultou um trabalho monumental> "Terra Livre" é uma miscelânea de influências e de informações tão grande que é inacreditável que tenha sido encapsulada em apenas um álbum.

O ano de 2022 marcou o encontro pelas redes sociais e a sintonia musical foi imediata. A regular troca de ideias e a vontade de cruzar os dois mundos artísticos e culturais que caracterizam estes músicos evoluiu rapidamente para a elaboração de um projeto conjunto.

Somada a experiência de mais de duas décadas dos dois músicos e as trocas de ideias via mundo digital começam a dar origem a um trabalho consistente, que decidem transformar num disco colaborativo intitulado “Terra Livre”. 

Esse é o terreno exploratório de Ricardo e João, onde expandem os seus horizontes criativos sem fórmulas ou regras pré-definidas. Uma fusão de dois diferentes países e, ao mesmo tempo, com povos tão parecidos. Uma união singular faz de “Terra Livre” um grito pela Liberdade num mundo cheio de intolerâncias. 

O resultado é um disco com nove faixas inéditas, abrindo com “Terra Livre”, seguida por “Corrosão”, uma alusão a banda de rock pesado Corrosion of Conformity que marcou bastante a adolescência do Vignini.

O brasileiro, ao ver um post do O Gajo contando que ele tinha ido a uma apresentação deles, fez alguns riffs, intitulando-os de Corrosão mandou para ele, e para sua surpresa, o nome da primeira banda do Gajo era Corrosão Caótica. 

O disco segue com “Albatroz”, o nome da maior ave marinha que consegue viajar grandes distâncias atravessando continentes e oceanos. É essa travessia que liga a viola campaniça do O Gajo e a viola caipira de Ricardo Vignini. 

“Terra Livre” foi gravado em São Paulo, no estúdio Bojo Elétrico, e no Estúdio Toca do Gajo, em Lisboa, Portugal. "São instruments diferentes, mas que se complementam, pois têm a mesma raiz", explica Vignini.

O músico brasileiro citou mais uma ve z a liberdade e as infinitas possibilidades ao comentar o resultado de Terra Livre. "Nós dois temos influências fortes do rock, mas enveredamos por outras vertentes, que aumentaram e alargaram o horizonte. O Gajo diz que nunca foi tão punk como atualmente por causa da liberdade que tem ao explorar diversos mundos. Ele tem toda a razão."

Gajo se mostra empolgado com a colaboração. "Meu encontro com Ricardo é curioso, pois envolve circunstâncias distintas e instruments diferentes, mas com uma junção de bagagens complementares, em um trabalho criativo sem regras fixas. Exploramos uma terra livre e instigante."

A junção de valores culturais deu tão certo que os dois compartilham visões parecidas d mundo que remontam aos tempos em que eram adolescentes roqueiros com grande admiração pelo movimento punk. 

Vignini fez homenagens a bandas punk no mais recente disco do Moda de Rock, "Moda de Rock Brasil" - gravou uma excelente versão de "Medo", da banda punk superengajada Cólera, por exemplo, cantada por Zé Hélder. Gajo tem muito claro o que representa "Terra Livre" em termos de mensagem política e engajada.

"Essa colaboração e esse trabalho têm uma segunda cama de representação cultural. Também é um grito pela paz e harmonia em todos os sentidos, em um mundo repleto de injustiças sociais", proclama o português.

O inusitado trabalho é um show de sonoridades e timbres diferentes que explodem em duas violas incandescentes. Os videoclipes publicados até agora são um deleite para quem aprecia instrumentos bem tocados e gosta de ser surpreendido.

"Bandidos" é a canção mais se adequa ao esquema revelado pelo Gajo, soando ao mesmo tempo como um lamento e um grito a respeito das injustiças do mundo. "Corrupção" tem aquela urgência que exala da viola de Vignini, em que a dramaticidade é latente, enquanto que o português se sobressai com fraseados rápidos e concisos.

Na canção "Albatroz", os dois dão vazão a suas influências eruditas com menções a Ludwig van Beethoven (1770-1827), mas aqui a exuberância se sobressai, com solos magníficos e suítes bem construídas. 

E ainda tem "Terra Livre", uma ode à liberdade e á experimentação, em que os dois violeiros se transformam em ases dos instrumentos para explorar caminhos novos e diferentes. É um show de virtuosismo, que é repetido em "Serpente".

Se a liberdade é algo que precisa ser conquistada e requer trabalho árduo e diário para ser mantida, que seja com uma trilha sonora adequada e extraordinária com as canções inebriantes de "Terra Livre".
 
https://www.youtube.com/watch?v=lgiQqOH_0f8&pp=ygUTcmlhcmRvIHZpZ25pbmkgZ2Fqbw%3D%3D

https://www.youtube.com/watch?v=SFFgakF_ITs&pp=ygUTcmlhcmRvIHZpZ25pbmkgZ2Fqbw%3D%3D

https://www.youtube.com/watch?v=S8Vm7pyLDuY&pp=ygUTcmlhcmRvIHZpZ25pbmkgZ2Fqbw%3D%3D

https://www.youtube.com/watch?v=2LEULPMPCxQ&pp=ygUTcmlhcmRvIHZpZ25pbmkgZ2Fqbw%3D%3D

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